Neurociência Para Psicólogos: O Que Muda Na Clínica
Por Lucas Kane · publicado em 8 de setembro de 2026
Neurociência para psicólogos é a parte da formação que, segundo Lucas Kane, a graduação em Psicologia costuma tratar de forma superficial: o que acontece no cérebro do paciente em cada transtorno e em cada intervenção. Ela não substitui a abordagem do psicólogo, porque toda terapia bem feita é um processo de plasticidade sináptica; o que ela muda é a psicoeducação, o raciocínio clínico e a decisão sobre qual intervenção usar quando a melhor evidência não serve ao paciente que está na sala.
▶
Assistir
Capítulos do vídeo
- 00:00 A aula de intervenções clínicas do curso
- 01:03 Aqui não se ensina técnica, se ensina a neurobiologia por trás
- 02:51 Droga é tudo que entra no corpo com efeito além do nutricional
- 06:27 Clonazepam e diazepam: os benzodiazepínicos mais comuns
- 08:28 O canal de GABA, a hiperpolarização e a amígdala que não dispara
- 10:46 Antidepressivos, recaptação e a teoria monoaminérgica
- 11:42 A neura de achar que ninguém pode tomar remédio
- 12:17 Não existe uma neurociência da psicoterapia
- 13:37 Hipnose e meditação: o quadro do trabalho na UFMG
- 19:39 20 minutos por dia durante 5 dias já mudaram os scores
- 22:26 A imagem colorida vista como preto e branco sob sugestão
- 27:00 Prática baseada em evidências não é só saber o que tem evidência
- 28:20 Eu sei que funciona porque vejo funcionar na minha prática
- 30:00 Ivermectina e covid: pesquisa não é evidência clínica
- 31:20 Os três pilares: evidência, expertise e o paciente
- 32:58 A pirâmide para quando a melhor evidência não serve
- 34:24 Por que entender o remédio muda a conversa com o paciente
O que a graduação em psicologia não ensinou?
O mecanismo. Na abertura do curso gratuito, Lucas Kane diz que, quando cursos de terapia e a própria graduação em Psicologia falam de neurociência, o conteúdo é geralmente superficial. A página da formação é mais dura: a maioria dos terapeutas sente que falta base científica para sustentar o próprio trabalho, repete teorias que o paciente já ouviu em todo lugar e não sabe dizer por que a mesma intervenção funciona num caso e falha no outro. E não é falta de competência: essa parte não foi ensinada.
O relato que ele diz ouvir com frequência é de alunos que já tinham pós-graduação em neurociências e não haviam aprendido metade do que aprenderam no curso dele. A explicação que ele dá é a ordem: começar pela célula e ir subindo, em vez de começar pelas áreas do cérebro.
O que o psicólogo pode que o terapeuta não pode?
Título, funções privativas e concurso. Numa live de perguntas, Lucas Kane separa as duas coisas: há muito que o psicólogo pode fazer e o terapeuta não, como usar o título, dar psicodiagnóstico, aplicar testes privativos e prestar concurso público exclusivo para psicólogos. Mas a terapia em si, o processo de direcionar e auxiliar alguém a partir de uma abordagem, não é atividade privativa no Brasil. Se deveria ser, ele diz, é discussão longa, e não faz juízo moral sobre ela.
Para o psicólogo, isso tem uma consequência prática: o que o diferencia no mercado não é a permissão legal, que o terapeuta sem graduação também tem para a terapia pela fala. É o que ele sabe. E é aí que a neurociência entra, como o conhecimento que poucos dominam e que o paciente percebe.
O que muda na sessão do psicólogo?
Três coisas, que ele chama de pilares, e uma quarta que aparece na aula de psicopatologias: um critério de decisão.
| O que muda | Como aparece na sessão |
|---|---|
| Psicoeducação | O paciente recebe o mecanismo, não a teoria que já ouviu. Ganha autonomia na mudança, confia mais e se engaja mais |
| Raciocínio clínico | O entendimento de cada transtorno e de cada intervenção fica mais profundo; a decisão é pensada a partir do circuito do quadro |
| Valorização | Poucos psicólogos dominam o tema; quem domina é mais procurado e melhor remunerado |
| Critério de decisão | Na ansiedade: se há pensamento consciente sustentando o quadro, cabe reenquadramento; se a via está tão reforçada que o tálamo manda direto para a amígdala, sem pensamento no meio, o caminho é exposição e mudança da fisiologia na crise |
A quarta linha é o exemplo mais concreto do que a neurociência acrescenta à clínica: o mesmo sintoma, duas rotas no cérebro, duas intervenções. Sem o circuito, a escolha é por preferência do terapeuta; com ele, é por mecanismo.
Por que o psicólogo precisa entender de remédio?
Porque o paciente toma. O vídeo acima é a aula de intervenções do curso gratuito, e ela começa pelo psicofármaco por um motivo: no modelo biomédico, é a primeira intervenção que vem à mente. Lucas Kane explica o que o benzodiazepínico faz no canal de GABA, por que a amígdala deixa de disparar, e o que o inibidor de recaptação faz na fenda sináptica.
O psicólogo não vai receitar. Mas, nas palavras dele, entender o que acontece no cérebro do paciente medicado muda a conversa com ele, e permite orientar a procura de um psiquiatra quando necessário, explicando o porquê. O exemplo que ele dá são pacientes com TDAH que precisam entender o mecanismo para aceitar que, no caso deles, o psicoestimulante pode ser necessário. Ele também nomeia o erro oposto, a "neura" de achar que ninguém pode tomar remédio.
Neurociência escolhe a abordagem?
Não. A frase que organiza a aula de intervenções é esta: não existe uma neurociência da psicoterapia. São muitos transtornos, muitos processos e muitas formas de abordar alguém. O que há em comum, independentemente das áreas ativadas, é que a terapia é um processo de plasticidade sináptica: ao longo da história a pessoa reforçou certas vias neurais, e a terapia cria vias novas que enfraquecem as anteriores.
Por isso ele diz que as neurociências transformaram a psicologia, e que quem não sabe disso vai sendo deixado para trás no mercado das psicoterapias. Não porque a abordagem tenha que mudar, mas porque quem entende o mecanismo explica melhor o que faz e escolhe melhor quando o que faz não serve.
O que é prática baseada em evidências para o psicólogo?
Três pilares e uma admissão. Os pilares: a melhor evidência clínica, que é saber o que fazer; a expertise do profissional, que é saber como fazer; e as preferências do paciente, que às vezes não são o que ele quer, mas o que ele não aceita fazer. Prática baseada em evidências, ele insiste, não é colocar todo mundo no mesmo balaio: é adequar a melhor evidência a cada pessoa.
A admissão é a que incomoda: a qualidade da evidência para a maioria das intervenções em psicoterapia é muito baixa. Nem toda pesquisa é evidência clínica, e o exemplo dele é a ivermectina na covid, um estudo em laboratório tratado como tratamento. E nem toda evidência clínica tem qualidade: há artigo publicado para todo tipo de prática, o que não quer dizer que a prática presta.
Daí a pirâmide de decisão que ele propõe:
- A melhor evidência disponível, quando existe e serve ao paciente. Para fobia, terapia de exposição e dessensibilização sistemática.
- Técnicas plausíveis, quando a melhor evidência não existe ou não se adequou àquele paciente. É aqui que dominar neurociência pesa: ela diz o que é plausível para o quadro que a pessoa apresenta.
- No mínimo, o que é seguro: uma prática sem evidência de periculosidade, de preferência já estudada o suficiente.
Ele acrescenta um exemplo do consultório: a fobia cuja melhor evidência é exposição, mas o paciente não está pronto. Forçar pode fazê-lo largar a terapia ou retraumatizá-lo. Às vezes é preciso começar por outra abordagem, que ele aceite, e aproximá-lo gradualmente da melhor evidência.
Por onde o psicólogo começa?
Pela célula, mesmo já sendo psicólogo. O caminho é o mesmo que ele defende para qualquer estudante: neurobiologia celular, neuroanatomia, neurofisiologia, psicopatologias e intervenções. Está pronto e gratuito nas seis aulas do curso, e aprofundado, módulo a módulo, na formação Neurociências na Prática Clínica, que não exige formação prévia e é frequentada, segundo a página do curso, por muitas alunas que já tinham feito uma pós.
Na clínica
- Melhora no desfecho não prova a intervenção. O paciente pode ter melhorado por outros fatores ou pelo acolhimento. A visão do clínico tem viés maior que a pesquisa; por isso clínico e pesquisador devem trabalhar juntos, não como inimigos.
- Reenquadrar ou expor é decisão de circuito. Pensamento consciente sustentando a ansiedade pede reestruturação; crise sem pensamento identificável pede exposição e mudança da fisiologia.
- A objeção do paciente medicado tem resposta. "Se é química, para que terapia?" se responde com plasticidade sináptica: a via nova construída na terapia enfraquece a antiga.
- Terapia breve não é para todo mundo. Quando há resistência, psicoeduca-se, orienta-se e aproxima-se aos poucos. As preferências do paciente são um pilar, não um obstáculo.
Perguntas frequentes
A graduação em psicologia ensina neurociência?
Pouco, segundo Lucas Kane. Na abertura do curso gratuito ele diz que, quando cursos de terapia e a própria graduação em Psicologia mencionam neurociência, o conteúdo costuma ser superficial. A página da formação vai além: essa parte nunca foi ensinada em lugar nenhum da formação. É por isso que o curso começa do zero, pela célula, mesmo para quem já é psicólogo.
O que o psicólogo pode fazer que o terapeuta não pode?
Usar o título de psicólogo, exercer funções privativas como psicodiagnóstico e testes restritos, e prestar concurso público exclusivo para psicólogos. A terapia em si, o processo de direcionar e auxiliar alguém a partir de uma abordagem, não é privativa no Brasil. Lucas Kane diz isso sem juízo moral, e acrescenta: quem atende precisa estar preparado, com abordagem consolidada e base em evidências.
Neurociência serve para qualquer abordagem?
Sim, e é assim que ele a apresenta. Não existe uma neurociência da psicoterapia, porque são muitos transtornos e muitas formas de abordar alguém. O que toda terapia bem feita tem em comum é a plasticidade sináptica: vias novas que enfraquecem as antigas. A neurociência sustenta a abordagem que o psicólogo já usa, TCC, psicanálise ou outra.
Psicólogo precisa entender de psicofármaco?
Mesmo sem receitar, sim. Entender o que a medicação faz no cérebro do paciente muda a conversa com ele, ajuda a orientar a procura de um psiquiatra quando necessário e protege de dois erros: achar que ninguém pode tomar remédio e não saber explicar por que o paciente com TDAH pode precisar de psicoestimulante. A aula de intervenções começa exatamente por aí.
O que é prática baseada em evidências?
A junção de três pilares: a melhor evidência clínica, a expertise do profissional e as preferências do paciente. Não é colocar todo mundo no mesmo balaio; é adequar a melhor evidência a cada pessoa. Lucas Kane acrescenta uma admissão: a qualidade da evidência para a maioria das intervenções em psicoterapia é baixa, e é por isso que dominar o mecanismo ajuda a escolher o plausível quando o padrão-ouro não serve.
Por onde o psicólogo começa a estudar neurociência?
Pela célula, e na ordem: neurobiologia celular, neuroanatomia, neurofisiologia, psicopatologias e intervenções. É a sequência do curso gratuito de seis aulas e dos módulos da formação. Ele conta receber relatos de alunos que já tinham feito pós-graduação em neurociências e não haviam aprendido metade do que aprenderam ali, e atribui isso à ordem e à didática.
Transcrição do vídeo (6.301 palavras)
Transcrição automática do áudio da aula, sem revisão, dividida pelos capítulos do vídeo.
00:00 A aula de intervenções clínicas do curso
seja muito bem-vindo muito bem-vinda a mais uma aula do nosso curso gratuito de neurociências para terapeuta um prazer estar aqui com você eu sou o Lucas Ken e se você não assistiu as outras aulas volta lá na playlist no canal onde a gente vai ter aula sobre neurobiologia celular neuroanatomia neurofisiologia transtornos e psicopatologias e agora nós vamos falar sobre intervenções clínicas Tá bom se você não baixou ainda o material da aula vai aqui na descrição Onde tem um link em que você vai conseguir fazer uma inscrição rápida E aí você tem acesso a todos os slides que nós estamos passando por aqui para você poder consultar sempre que você precisar Tá bom se você tá gostando desse curso não esquece de se inscrever no canal deixar um gostei aqui abaixo é muito importante também pra divulgação e pra gente poder ter um contato mais próximo Tá bom Agora nós vamos falar sobre intervenções clínicas e obviamente é importante a gente lembrar que nesse curso aqui ah quando eu vou falar por exemplo sobre intervenções clínicas nós estamos falando sobre neurociências nesse curso né então a ideia que vocês possam aprender a neurobiologia por trás das coisas então não é um curso em que
01:03 Aqui não se ensina técnica, se ensina a neurobiologia por trás
eu vou ensinar vocês a fazerem intervenções porque isso é o que você enquanto terapeuta psicólogo psicanalista seja o que for já aprendeu ou aprende em outras formações é lá que você aprende a aplicar técnicas de terapia a ideia do curso é que você tenha um entendimento aprofundado sobre o ser humano que na minha opinião na verdade deveria ser o que todo terapeuta deveria aprender antes mesmo de aprender técnica mas para que você possa ter um entendimento aprofundado da pessoa pessoa para primeiro conseguir ter um raciocínio Clínico muito melhor embasado saber escolher melhor a melhor intervenção e ter também uma psicoeducação do seu paciente mas valorização do seu trabalho tá obviamente então eu não vou ficar aqui ensinando você a aplicar técnicas específicas intervenções específicas E se a gente conversar sobre algumas intervenções importantes dentro saúde mental tá bom e falar sobre a neurociência Envolvida com isso tudo então deixa compartilhar aqui a tela pra gente começar a conversar sobre esse assunto agora nós vamos falar sobre intervenções clínicas Então vamos lá sem muitas delongas mais a primeira coisa que a gente pensa no modelo biomédico de saúde né ah a primeira coisa que nos vem em mente é medicação então quando a gente fala sobre psicofármacos nós estamos falando sobre aqueles remédios que atuam no nosso sistema nervoso central e essa é a primeira questão que nós vamos conversar aqui sobre intervenção Clínica tá porque é claro nós enquanto terapeutas psicoterapeutas a gente já Pensa logo na abordagem de psicoterapia Mas se a gente for pensar no modelo biomédico a primeira intervenção que vem à mente é o remédio né a pessoa tá ansiosa depressiva é o que que ela vai tomar de medicação Então nós vamos falar primeiramente sobre isso antes de falar sobre psicoterapia e claro dá uma passada aqui sobre esse assunto né O que
02:51 Droga é tudo que entra no corpo com efeito além do nutricional
é uma droga né então a gente eu gosto de trazer algumas verdades inconvenientes porque muitos termos às vezes são confundidos pelas pessoas quando a fala de droga nós já já nos vem em mente as drogas de abuso né as drogas que tem ali um potencial muito prejudicial cocaína heroína isso aquilo maconha cigarro álcool né mas na verdade droga é qualquer substância que altera os processos bioquímicos e fisiológicos do organismo então qualquer coisa que você põe para dentro do seu corpo e que tem um efeito além do nutricional é uma droga tá então nós temos o termo droga psicoativa é aquela droga que atua no seu sistema nervoso C como por exemplo café a cafeína tem um papel no nosso sistema nervoso central gerando aqueles sintomas de mais Alerta vigília porque ela vai impedir que o corpo que o cérebro consiga perceber o cansaço e com isso você consegue se manter ativo por mais tempo né a gente tem uma aula inteira para poder falar sobre isso né em outras formações mas aqui O importante você saber que a droga psicoativa é aquela que consegue atuar diretamente no nosso sistema nervoso central e o fármaco é uma droga que tem um efeito terapêutico então todo fármaco é uma droga Mas nem toda droga é um fármaco porque o fármaco ele tem que ter um efeito terapêutico na pessoa tá então agora sim o que é um fármaco né o remédio de fato o fármaco do grego fármaco não sei como pronunciar Exatamente é um tema que ele pode significar tanto veneno quanto remédio olha só que interessante justamente Porque dependendo da dose ele pode ser uma coisa ou outra né então ess os fármacos são substâncias que podem ser terapêuticas ou fatais dependendo da dose da forma de administração então qualquer coisa né eu vou tomar aqui um Rivotril bom o Rivotril se eu tomar ele em doses eh menores ele pode gerar um efeito ansiolítico pode gerar um efeito sedativo né indução ao sono tratar insônia mas se eu me entupi de né desses inibidores esses depressores do sistema neoc Central que a gente vai falar aqui agora como por exemplo os benzodiazepínicos os ansiolíticos o Rivotril se eu me entupir desse remédio se eu administrar de forma intravenosa eu vou morrer né não tem jeito você vai realmente ter uma inibição completa seu sistema nervoso aquilo vai ser um veneno para você então geralmente remédio é algo que você tem que tomar sempre muito cuidado com a dose né então literalmente significaria algo do tipo aquilo que tem o poder de transladar as impurezas tá isso aí seria um significado mais literal do que que é um fármaco e quando nós estamos falando sobre psicofármacos Assim como nós falamos que uma droga psicoativa é aquela que atoua no sistema nervoso central o psicofármaco ele também é aquele que atua no sistema nervoso central é o fármaco que atua no sistema nervoso central e quando ele atua ali o que que ele altera Altera a nossa cognição Lucas que que é cognição a gente usa muito esse termo por aí né a cognição ela seria basicamente um termo científico para falar sobre a mente então todos os processos mentais quando a gente vai falar sobre questões científicas a gente usa do termo cognição né aí vai envolver um monte de processos diferentes o humor o comportamento A motricidade tá vamos lembrar que o sistema nervoso não tem a ver só com fatores emocionais tem a ver com movimentos tem a ver com todas essas respostas já quando a gente vai falar de psicofármacos específicos cada um deles vai ter uma ação diferente então só para poder citar aqui como exemplo alguns remédios conhecidos vamos falar sobre os
06:27 Clonazepam e diazepam: os benzodiazepínicos mais comuns
ansiolíticos né A aqui esses anoli os mais comuns utilizados hoje são os benzodiazepínicos tá então é uma classe de fármacos chamado benzodiazepínicos são os mais comuns aí para a ansiedade como o clonazepan e o diazepan mais conhecido como Rivotril e Lexotan produzidos pelo laboratório ros uma coisa importante é que talvez você possa pensar assim Ah Lucas mas eu já vi gente que toma e clonazepan diazepan PR insônia e eu já vi gente que tem ansiedade mas ao invés de tomar benzo diazepínico toma ah remédios que são considerados antidepressivos Então qual que é a lógica por trás disso é porque hoje ainda a gente classifica os fármacos com base naquela patologia que ele é mais tratada né que ela é mais comumente indicada o que não faz muito sentido o mais correto seria a gente sempre classificar a medicação de acordo com realmente o grupo né o mecanismo de ação então ao invés da gente chamar ISS que de ansiolítico a gente deveria realmente chamar de bensou de pnico por quê Porque ele pode acabar sendo útil útil em outros casos que não são apenas ansiedade assim como podem existir casos de ansiedade que a gente não vai usar bem do diazepínico né então isso acaba gerando uma certa confusão existem vários casos aí de transtorno de ansiedade que é recitado antidepressivo então gera uma certa confusão tá mas aqui a gente fala sobre os benzodiazepínicos que são muito utilizados aí para quem tem crise de ansiedade e tudo mais tá então clar na zepan de zepan que é o Rivotril Lexotan são muito conhecidos Qual é o mecanismo de ação desses ansiolíticos eles são depressores do sistema nervoso central e mais uma vez muito cuidado com os termos né aqui a depressão não tá sendo falado como transtorno depressão depressão aqui vem de diminuição ou seja eles diminuem a atividade de certas áreas do nosso sistema nervoso central como por exemplo as áreas relacionadas ao medo ansiedade né como que eles fazem essa inibição dessas áreas do sistema nervoso central
08:28 O canal de GABA, a hiperpolarização e a amígdala que não dispara
eles ligam-se a um canal iônico para a gaba gerando uma hiperpolarização dessas Áreas Aí eu falei sempre importante a gente lembrar lá das primeiras aldas eu falei para vocês que o gaba é o principal neurotransmissor inibitório então quando esses remédios se ligam ao canal de gaba eles limitam a a a ação do gaba gerando uma inibição desses neurônios né a hiperpolarização lembra que para poder o neurônio se ativar ele tem que despolarizar ele tem que deixar de ser negativo e ficar positivo Então nesse caso aqui que quando o remédio ele se liga se liga esse canal iônico de gaba ele hiperpolariza ele deixa a célula mais negativa ainda deixando mais difícil aquelas áreas se ativarem então por exemplo pode atuar lá na amídala cerebral inibindo a amídala de gerar a Cascata toda aí de mido a Cascata todo o sistema nervoso simpático cortisol e afins tá eles também são chamados de medicamentos hipnóticos né hipnótico não vem da ideia de a ser um algo relacionado à ferramenta da hipn a gente vai até falar sobre ela hoje também mas sim hipnótico vem de sono né hipno é sono então são medicamentos que eles também podem induzir ao sono a gente fala o seguinte que esses depressores do sistema nervoso central esses benzodiazepínicos eles têm uma sequência de reações que eles vão gerar de acordo com a dose e forma de administração uma primeira dose gera um efeito ansiolítico né então se você tomar um depressor do sistema nervoso central numa primeira dose vai tirar um efeito ansiolítico numa dose maior vai gerar um efeito sedativo e hipnótico Ou seja você vai ficar sedado ou você vai realmente dormir né ter uma indução ao sono e numa dose completamente patológica né até pessoas aí que se entopem de medicação para tentar suicídio por exemplo aí pode gerar Opa o coma e morte porque é como se você tivesse inibindo Tanto o sistema nervoso que ele para de funcionar Então se primeiro você inibe né gera um efeito ansiolítico aí você inibe mais a pessoa vai dormir você inibe mais a pessoa entra em coma você in mais pessoa morre basicamente isso tá obviamente pessoal muito cuidado né como eu sempre falo presta atenção na interpretação não tô falando aqui que se você tomar um ansiolítico você vai morrer é apenas a superdose que gerar isso até como qualquer outro remédio em superdose pode ser
10:46 Antidepressivos, recaptação e a teoria monoaminérgica
problemático o antidepressivo a gente já mencionou na aula anterior os principais antidepressivos aí mais uma vez essa confusão aí de termos né mas são os inibidores seletivos de recaptação como por ex exemplo inibidor seletivo de recaptação de serotonina inibidor seletivo de recaptação de noradrenalina Então por conta daquela teoria monoaminérgica de que os a depressão estaria maioritariamente ligada a uma baixa disponibilidade desses neurotransmissores o que que o antidepressivo faz é impedir a recaptação desses neurotransmissores mantendo-os por mais tempo na fena sináptica mantendo uma maior disponibilidade deles ali tá ão apenas pegando alguns exemplos de psicofármacos que a primeira intervenção clínica que a gente pode pensar a pessoa que tem algum transtorno alguma psicopatologia ela pode vir a recorrer aí a alguns remédios esse aqui são alguns exemplos deles mas é claro que nós enquanto
11:42 A neura de achar que ninguém pode tomar remédio
terapeutas sempre vamos defender a psicoterapia e é importante também pessoal que nós enquanto terapeuta a gente também não entre naquela naquela noia né naquela neura de que ninguém pode tomar remédio porque em muitos casos é medicação É sim muito útil muito benéfica quados por exemplo de transtornos do NE neurodesenvolvimento a pessoa que tem um TDH por exemplo ela já tem um cérebro atípico Então essa pessoa precisa de uma medicação mas seja com a medicação ou não a psicoterapia é aí um grande ponto de forma natural vamos dizer assim que a pessoa ela pode ter uma grande melhora E aí para falar sobre psicoterapia como um todo pessoal não
12:17 Não existe uma neurociência da psicoterapia
tem como eu virar para vocês e falar a neurociência da psicoterapia porque eu mostrei para vocês que são diversos transtornos diversos processos existem diversas formas de abordar alguém numa terapia mas em geral independente de quais áreas estão sendo ativadas e utilizadas O que você tá fazendo na terapia é um processo de plasticidade sináptica qualquer terapia bem feita o que acontece é que ao longo da história dessa pessoa ela reforçou certas vias neurais e na terapia você cria novas vias neurais que enfraquecem anterior e fortalece Um novo aprendizado então em resumo a neuroplasticidade é o que explica tudo né a neuroplasticidade explica desde o surgimento da patologia até o tratamento dela é graças ao sistema nervoso ser plástico que existe terapia por isso que eu falo que as neurociências na verdade elas transformaram a psicologia e quem não sabe disso ainda vai sendo Deixado para trás aí no mercado das psicoterapias né então não tem como ficar aqui aprofundando demais em como a psicoterapia vai atuar o que você precisa saber é que uma psicoterapia bem feita ela vai gerar novas vias neurais e vai enfraquecer vias neurais anteriores e aí tudo depende de acordo com qual que é a abordagem Qual que é a patologia mas já que a gente tá falando sobre intervenções clínicas Por que não falar
13:37 Hipnose e meditação: o quadro do trabalho na UFMG
sobre algumas ferramentas específicas que podem ser agregadas ao processo da psicoterapia E aí tem duas ferramentas muito interessantes que cada vez mais têm sido falados por aí que é a hipnose e a meditação né A minha câmera mais uma vez acho que vai ficar na frente aqui de vocês em parte desse quadro mas esse é um quadro de um trabalho meu que foi o meu trabalho da pós--graduação em neuroc pela UFMG comparando a hipnose e a meditação tá então aí vocês podem ler um pouquinho não vou entrar muito nisso mas vocês saberem que a hipnose e meditação elas são ferramentas baseadas em evidências hoje a gente tem muita evidência científica sobre elas e que elas possuem muitas coisas em comum embora elas tenam algumas poucas diferenças né E aqui nesse quadro a gente tem as questões que elas são semelhantes e as questões que são diferentes Não se preocupa se se você não tiver conseguindo ler isso aqui agora a gente vai disponibilizar todos esses slides É por isso que você precisa acessar o link que tá na descrição Mas como que essas duas ferramentas atuam no nosso cérebro por exemplo aqui ó em estudo de eletroencefalografia a gente vê tanto na hipnose quanto na na meditação uma mudança nos padrões de ondas cerebrais que que é onda cerebral Lucas você não falou sobre isso bom como eu falei as neurociências são muito complexas né então tem muita coisa pra gente poder falar mas de uma forma muito resumida as ondas celebrais elas são a a atividade rítmica e repetitiva do nosso sistema nervoso central então quando nós estamos em um estado de mais relaxamento e repouso nós tendemos a ter ondas cerebrais mais lentas enquanto quando estamos em um processo de mais atividade vigília atenção estresse nós temos ondas cerebrais mais rápidas e elas são divididas da seguinte forma ondas Delta teta alfa beta e gama as Delta seriam as mais lentas as Gamas seriam as mais rápidas na maior parte do tempo quando estamos acordados nós temos um padrão predominante de ondas Beta são ondas mais rápidas porque a gente precisa est em maior atenção né as ondas Gama aqui elas vão ficar a parte porque elas têm um padrão muito específico elas se ativam no nosso sono REM que é o momento de sonhos vívidos e tudo mais vamos ignorar as ondas Gama por um por um certo instante Vamos pensar só daqui para cima né então nós temos as ondas beta aí como as ondas mais rápidas quando estamos acordados quando a gente começa a relaxar a gente Enda em Ondas alfa as ondas tetas já estão mais associadas ao sono mesmo e as ondas Delta aqui o sono muito profundo mais associado a recém-nascidos que tem mais esses padrões de ondas Delta e o que a gente consegue perceber é que tanto a meditação quanto a hipnose gera um padrão de lentificação das ondas cerebrais o que pode estar relacionado a uma ativação do sistema nervoso parassimpático a um padrão realmente mais repouso e relax achamento sendo que a hipnose ela possui mais isso consistente do que a própria meditação né esse padrão de ondas muito lentas e as ondas teta né que elas são ondas realmente bastante lentas que são possíveis de ser acessadas aí com a hipnose Parece que com a meditação também embora com a hipnose seja mais mais claro aqui a gente também fala sobre ondas Delta ondas Gama mas predominantemente aí os artigos tem um certo consenso de que os padrões de ondas teta conseguem ter um aumento aí com essa as práticas tá que mais várias áreas do cérebro também que estão associadas à prática tanto da meditação quanto da Hipnose tá na hora que tá a prática da meditação mas a hipnose também envolve todas essas áreas que eu vou colocar aqui agora Como por exemplo o córtex do cíngulo anterior ou córtex cingulado anterior que ele fica aqui nesse Lobo límbico que a gente mostrou que envolve o corpo caloso ele faz várias ligações importantes entre o córtex préfrontal e as áreas de emoções e memórias o próprio córtex préfrontal também tá muito relacionado a essas ferramentas essas práticas ou a própria ínsula que a gente já falou aí que tem uma função em perceber as as reações do corpo o córtex occipital porque tanto a hipnose quanto a meditação envolve visualizar né fazer visualizações mentais e o córtex ospital ele se ativa tanto quando você tá vendo coisas reais quanto no processo de imaginação a visualização mental também envolve aí o cortex hosp e tal temos várias redes envolvidas com a atenção então vários sistemas relacionados à atenção o córtex do sío anterior o córtex préfrontal a ínsula essas redes várias redes associadas à atenção estão associadas Tanto à hipnose quanto a meditação e aqui tá para quem quiser ler esse é um trabalho público Tá bom eu só passei rapidamente aqui para vocês terem uma ideia que ele existe é um trabalho público porque foi um trabalho dentro da Universidade Federal de Minas Gerais eu nem posso comercializar isso é só você pesquisar aí no Google da vida hipnose meditação comparativo de processos neurobiológicos que vocês vão acessar esse meu trabalho é um trabalho que tem muito orgulho de fazer embora ele tenha sido apenas um TCC né de pós-graduação mas que ele foi orientado pelo professor Ramon cocenza talvez alguns de vocês conheçam ele Professor Ramon cocenza ele é autor de grandes livros utilizados aí como referência eh em neurociências o fundamento de neuroanatomia ele tem um livro também eh na área da meditação do mindfulness tem um livro na área da educação que é muito famoso então ele é um grande nome aí das neurociências e ele foi meu orientador desse trabalho né O que foi muito legal e aqui só para vocês terem a ideia de que o que eu tô falando não é uma coisa que eu tirei da minha cabeça alguns artigos científicos que falam sobre essas ferramentas né Por exemplo existe esse artigo aqui que foi publicado na Nature que é uma das principais revistas científicas aí de qualidade de artigos científicos que fala realmente sobre a neurociência do do mindfulness da meditação Mais especificamente do mindfulness mostrou que havia alterações na amídala no estreado no córtex prefrontal na ínsula em outras áreas em pessoas que praticavam mindfulness aqui esse outro artigo
19:39 20 minutos por dia durante 5 dias já mudaram os scores
científico mostrando que um treinamento de curto prazo de meditação já melhorava os scores de atenção de autorregulação então 20 minutos de prática por dia durante 5 dias já gerou uma melhora nos scores de teste de rede de atenção menor ansiedade depressão raiva e fadiga e maior vigor na escala de perfil do Estado de humor uma diminuição significativa do cortisol relacionado ao estresse que nós já falamos por aí e aumento da imunorreativa aqui mostrando uma relação mais uma vez do cortisol com o sistema imunológico né então uma diminuição do cortisol há um aumento da imunorreativa aí da prática da da meditação mais um artigo científico aqui mostrando sobre correlatos neurais do mindfulness mostrando que há um aumento da espessura do córtex préfrontal e uma diminuição estrutural da amídala cerebral com a prática da meditação se eu falei para vocês que a amídala cerebral tá relacionado com a reatividade emocional e o córtex préfrontal tá relacionado ao gerenciamento das emoções ao controle inibitório se você tem um aumento do córtex préfrontal e uma diminuição da amídala isso significa uma reatividade emocional mais baixa a pessoa tendo reações menos intensas e mais curtas né uma melhor Inteligência Emocional vamos dizer assim então são vários estudos aí bem interessantes de sobre a meditação em termos de neurociência mais um estudo aqui ó mostrando alterações do nosso sistema nervoso autônomo autônomo com uma meditação de curto prazo o aumento do tonos parassimpático né vamos dizer assim um aumento da atividade parassimpática em comparação com a atividade simpática diminuição do estresse aumento da autorregulação emocional sensação de bemestar melhor desempenho na atenção na memória operacional no controle inibitório várias questões aí associadas às funções executivas né Tanto que por isso existem certos tipos de meditação que são muito muito boas para quem tem TDH porque melhora aí a função as nossas funções executivas que costumam estar em defasagem em quem tem TDH e esse estudo aqui ele é muito interessante que ele não é especificamente aqui sobre meditação mas mostrando de que a imaginação pode gerar neuroplasticidade então eu tô falando com vocês que a terapia ela funciona porque o sistema nervoso é plástico e as visualizações mentais também geram neuroplasticidade ou seja meditação hipnose esses processos de visualizar mentalmente também gera mudanças reais no cérebro tal qual passar por experiências reais e isso é muito interessante aqui falando especificamente sobre a ferramenta da Hipnose tá mostrando que é uma ferramenta real que não é nenhuma pseudociência é claro que tem muita pseudociência aí no ramo muita gente falando besteira mas que existe Sim várias evidências que mostram que é uma ferramenta real muito interessante com muita evidência tá Então nesse momento
22:26 A imagem colorida vista como preto e branco sob sugestão
aqui esse estudo Ele é bem legal que ele mostra o seguinte foi apresentado aqui para pros pacientes desse estudo aqui tá a referência essa imagem colorida e essa imagem aqui em preto e branco e aí o que acontece o seguinte Existem certas áreas do cérebro que são ativadas no momento que a pessoa vê a imagem colorida existem outras áreas do cérebro que são ativadas quando a pessoa vê a imagem eh em preto e branco só que quando a pessoa passava por um processo de hipnose para poder ver a imagem colorida como se fosse preta e branca e ver a preta em branca como se fosse colorida os correlatos neurais eram equivalentes o que acontecia era que quem recebia a sugestão que ia ver colorida via colorido mesmo se a imagem fosse preto e branco e quem a recebia a imagem a sugestão que a vem em preto e branco mesmo sendo colorida aí vim preto e branco eu não sei se eu se eu falei a mesma coisa duas vezes mas Vocês entenderam né era a sugestão que era dada pra pessoa que gerava o correlato neural e não o contrário mostrando que realmente aí a hipnose é um fenômeno que não só a pessoa relata estar acontecendo como no cérebro a gente vê que é um fenômeno real de alteração de percepção de realidade né Muito Além do Placebo a hipnose alterando a realidade e a fisiologia esse aqui é um slide né um um um estudo mostrando o seguinte no primeiro momento os os participantes Eles foram induzidos fisicamente a um estímulo de dor aí houve essas áreas do cérebro aqui relacionadas à dor Se você pedir paraa pessoa só ir imaginador a esse terceiro aqui ó ela não tinha essa ativação agora se ela passava por um processo de hipnose para poder sentir aquela dor hipnotic né Sem realmente ser induzido ela tinha de fato a ativação dessas mesmas áreas como esse estudo aqui mostra ou seja mostrando os correlatos neurais mais uma vez mostrando uma experiência real né de alteração da percepção da realidade com a hipnose mostrando que é uma ferramenta realmente que pode ser utilizada porque uma ferramenta baseada em evidências e uma outra coisa também que mostra aí a veracidade da ferramenta da Hipnose é o teste strp faz esse teste aí ó tenta fazer agora por alguns minutos você tem que falar o seguinte você tem que falar a a cor e não a palavra então aqui amarelo tá escrito em verde Então você vai falar Verde aqui você vai falar vermelho aqui você vai falar azul amarelo mas tem que falar bem rápido tento falar isso aí ó verde vermelho azul amarela já me perdi aqui ó tento falar bem rápido agora aí ó só a a cor não a palavra vai lá vou dar uns segundinhos para você fazer isso difícil não é a maioria das pessoas sem banana toda ou consegue falando muito lentamente algumas pessoas até mão melhor no teste mas dá uma confundida na cabeça agora faz faz diferente faz com esse aqui ó tudo bem que as cores estão meio zoadas aqui né imagina que isso aqui é vermelho é muito mais fácil né roxo marrom vermelho verde verde amarelo azul roxo porque nesse momento você não sabe ler isso aqui a não ser que você saiba chinês eu acho que isso é chinês nem sei a não ser que você saiba ler chinês você não vai ter essa essa esse conflito interno de ler e ter que falar outra coisa né Então esse teste strup é um dos Testes mais robustos da psicofisiologia e o que acontece é que existe esse estudo aqui de ras e colaborador na verdade foi uma sequência de estudos que foram feitos que his que pessoas que eram hipnotizadas para poder ter uma uma alteração da percepção né do que que elas estavam vendo elas conseguiam fazer o teste strup sem absolutamente nenhuma dificuldade mostrando mais uma vez a veracidade da ferramenta da Hipnose em alterar as percepções das pessoas mas muito além apenas de alterar a percepção das pessoas existem evidências clínicas do uso da Hipnose a hipnose hoje não é vista como uma ferramenta que por si só trata as pessoas com evidências mas sim como uma ferramenta que pode ser associada a certas práticas terapêuticas E com isso melhorar os seus resultados então ISO aqui é uma metanálise publicada em 2021 mostrando que a hipnose associada à terapia cognitiva comportamental gera uma um resultado melhor do que apenas a terapia cognitiva comportamental e aqui eu trouxe algumas evidências de como o cérebro realmente tem uma atividade alterada com a ferramenta da Hipnose tá então já falei com vocês sobre psicofármacos já falei sobre psicoterapia já falei sobre meditação sobre hipnose e vamos fechar falando um
27:00 Prática baseada em evidências não é só saber o que tem evidência
pouco sobre esse conceito tão importante que tem crescido aí nas redes sociais ultimamente que é o termo prática baseada em evidências ou pbe prática baseada em evidência pessoal não é simplesmente saber o que tem evidência é uma junção de certos fatores que quando eles estão em conjunto eles tornam a nossa prática muito mais assertiva ética responsável e eficiente pbe é a tomada de decisão consciente que é base Ada não somente em evidência mas também nas características e preferências do paciente a pbe deve levar em conta que o cuidado do paciente é individual e contém várias incertezas então várias pessoas criticam as práticas baseadas evidência falando assim ah porque vocês querem colocar todo mundo no mesmo Balaio porque você não individualiza pessoal se você faz isso você não tá trabalhando com prática baseada na evidência a pbe ela necessariamente Envolve você pegar a melhor evidência e adequar de uma forma individualizado ao seu paciente tá então o que que é uma prática realmente baseada em evidências ela segue algumas premissas básicas a primeira delas é que a pesquisa deve auxiliar na tomada de decisão sua tomada de decisão enquanto terapeuta não pode ser com base nas vozes da sua cabeça ela deve ser com base em pesquisas científicas de
28:20 Eu sei que funciona porque vejo funcionar na minha prática
qualidade melhora no desfecho não significa que a intervenção é eficaz que que isso significa Lucas significa que Às vez vez tem muito terapeuta que vai falar assim ah o que eu trabalho eu não não tenho evidência nenhuma não conheço artigo C nem sei ler artigo científico não sei nada mas eu sei que funciona Porque na minha prática eu vejo que funciona melhora no desfecho não significa que a intervenção eficaz tá por isso que você tá aqui aprendendo neurociências porque aprender sobre as evidências é importante porque a sua visão enquanto Terapeuta pode ser totalmente distorcida o seu paciente ele pode até ter melhorado mas não necessariamente ele melhorou por causa da sua intervenção ele pode ter melhorado por ca de outras coisas que aconteceram ou pelo simples fato de você ter tido um acolhimento né pode ter sido aí o efeito placebo o efeito do acolhimento que gerou a melhora e não da intervenção específica que você utilizou então é importante a gente saber que a gente pra gente saber se intervenção eficaz é pesquisa científica não é Nossa prática Clínica embora Nossa prática clínica tem assim uma importância por isso clínicos e pesquisadores não são inimigos pessoal o pesquisador não tá aqui só para poder apontar o dedo porque que não funciona mas sim para te mostrar o que funciona Clínica e pesquisador devem se auxiliar devem trabalhar em conjunto para poder ter aí uma prática eficaz tanto o Clínico ele ajuda o pesquisador porque as pesquisas científicas são conduzidas contratando clínicos para poder fazer isso quanto o pesquisador ajuda o Clínico mostrando pro Clínico o que que é que ele tem que fazer coisa importante nem toda a
30:00 Ivermectina e covid: pesquisa não é evidência clínica
pesquisa demonstra evidências clínicas tá a gente teve muito isso aí no período da covid estudos científicos por exemplo que mostravam que ah ivermectina funciona para covid mas não era evidências clínicas eram evidências em vitro não era realmente algo que poderia ser aplicado para um tratamento Clínico pro ser humano tá então nem toda a pesquisa é uma evidência Clínica podem ser estudos científicos que não não servem pra gente trazer pra prática Clínica e mesmo as evidências clínicas Nem todas elas são de qualidade coisa importante pessoal nós temos artigo científico sendo publicado para tudo que você pode imaginar é tudo quanto é tipo de prática tem artigo científico isso não quer dizer que aquilo presta porque existem muitos artigos científicos de péssima qualidade evidências clínicas de baixa qualidade não servem pra gente poder utilizar aí na nossa prática Tá mesmo que a gente saiba das evidências o cuidado individual permanece indispensável nós precisamos individualizar nossas condutas e saber que cada indivíduo é único estudos tem riscos de viés Tem sim tá o estudo pode ter um viés também mas a sua observação Clínica tem um viés muito maior a pesquisa científica é muito mais confiável do que a sua visão Clínica tá então a pbe no final das
31:20 Os três pilares: evidência, expertise e o paciente
contas pessoal a prática baseada evidência é uma junção de três grandes Pilares a melhor evidência Clínica com a expertise do profissional e as preferências do paciente tá o que que isso significa a melhor evidência Clínica é você saber o que fazer é você saber buscar nas fontes científicas Qual é a melhor abordagem para tratar essa demanda específica mas não basta só você saber isso você tem que saber como fazer isso como que eu aplico essa técnica eu tenho expertise aí entra a experiência aí entra a importância da pessoa que ela é experiente que ela já sabe aplicar que ela já fez vários cursos porque ela tem experiência prática na aplicação daquele né daquela intervenção e por fim só as preferências do paciente o paciente concorda ele quer passar por esse processo terapêutico ele se adequa a isso porque eu vou vou pegar um exemplo aqui tá a terapia cognitiva comportamental é considerado padrão ouro aí pro tratamento da da maioria das psicopatologias mas vai que o seu paciente em específico não se adequa a essa abordagem ou porque ele já passou por outros profissionais e não teve resultado ele não tá a fim de passar por isso mais aí você tem que saber essas adequar aí a sua prática à individualidade daquele paciente também tá no final das contas pessoal quando a gente fala sobre psicoterapia a gente tem que assumir uma realidade também inconveniente que a qualidade da evidência paraa maioria das intervenções clínicas em psicoterapia é muito baixa nós não temos evidências super robustas pra gente saber exatamente o que fazer com cada paciente
32:58 A pirâmide para quando a melhor evidência não serve
então eu considero que essa pirâmide aqui é o que a gente precisa seguir de melhor com os nossos pacientes que é o seguinte se eu souber de uma evidência muito robusta né Se eu tiver acesso a uma evidência realmente muito boa para tratar aquele paciente a primeira coisa que eu tenho que pensar em utilizar é a melhor evidência disponível vou pegar um exemplo tratamento de fobias a melhor evidência é terapia de disposição é dessensibilização sistemática Então vamos utilizar melhor evidência Mas se por um acaso não existe uma grande evidência para aquilo ou aquela melhor evidência não se adequou à aquele paciente não funcionou bem eu posso ir para outras técnicas outras terapias que embora a gente não tenha uma grande evidência do seu resultado São terapias plausíveis aí entra a importância por exemplo de você dominar a neurociência com profundidade porque com isso você vai saber quando aquelas melhores técnicas não se adequarem o que que eu posso utilizar secundariamente que é plausível com o quadro que esse paciente tá me demonstrando e o entendimento das neurociências nos ajuda a entender o que que é plausível e o que que não é e se por um acaso eu tiver que utilizar uma prática que nem plausível É no mínimo ela tem que ser uma prática Segura uma prática que nós não temos evidências de periculosidade da sua prática e de que De preferência já tenha sido estudado o suficiente pra gente saber que é uma ferramenta segura
34:24 Por que entender o remédio muda a conversa com o paciente
tá Então pessoal essa era a nossa aula sobre intervenções clínicas a ideia dela é que você possa entender de que ao tomar uma decisão dentro de psicoterapia dentro de intervenções clínicas né até medicações e tudo mais o entendimento do cérebro também é fundamental nós falamos primeiramente sobre como que os remédios atuam no nosso cérebro entender isso é importante é entender isso é muito importante mesmo que você não vá receitar fármacos né se você não é um médico psiquiatra você não vai receitar a medicação Mas porque você vai entender o que que tá acontecendo no cérebro do seu paciente quando ele toma uma medicação você vai entender inclusive Como orientar o seu paciente a procurar um psiquiatra quando necessário explicar o porquê né já tive vários pacientes meus por exemplo com quadro de TDH que eu preciso realmente explicar para eles como o cérebro funciona para eles se convencerem de que no caso deles é importância em eles procurarem uma ajuda psiquiátrica porque muitas vezes o psicoestimulante ele é necessário nesses quadros ou outros quadros até psiquiátricos entender sobre como que certas ferramentas como a meditação a hipnose atua no nosso cérebro é importante para quem trabalha com isso ou para quem quer trabalhar e entender que a psicoterapia ela modifica o funcionamento do nosso cérebro ela é uma ferramenta ela é um processo que a partir do direcionamento vias neurais novas são criadas e vias anteriores são deixadas de lado e para isso é importante ter uma prática baseada em evidência em que a gente leva em consideração a segurança a plausabilidade e a é evidência daquela prática específica tá bom na nossa próxima aula a gente vai falar sobre um assunto ainda muito mais importante sobre neurociência a gente vai poder conversar um pouquinho mais sobre tudo isso e consolidar tudo que a gente conversou até aqui então a gente vai pegar tudo aquilo que a gente você viu desde a nossa primeira aula até agora e consolidar na nossa aula final eu te espero lá não perde ela tchau tchau
A formação do Instituto Lucas Kane para psicólogos e terapeutas. Ver a formação · Começar pela aula 1 do curso gratuito
Lucas Kane (Lucas Xavier Mafra) é biólogo pela UFMG, com pós-graduação em Neurociências pela mesma universidade e graduando em Psicologia. Ensina neurociência aplicada à prática clínica no Instituto Lucas Kane.