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Neurociência Para Psicanalistas: O Que Ela Acrescenta À Escuta

Por Lucas Kane · publicado em 8 de setembro de 2026

Neurociência para psicanalistas é o que a neurobiologia consegue dizer sobre os conceitos que a psicanálise usa todo dia: inconsciente, memória reprimida, ressignificação, resistência. Lucas Kane, que fez cursos de psicanálise e tem muitos alunos psicanalistas, é direto sobre os limites: a neurociência define inconsciente de um jeito muito mais restrito que Freud, não encontra correlato mensurável para id, ego e superego, e nem por isso desqualifica a abordagem. O que ela acrescenta à escuta é mecanismo: como a memória se forma, por que ela muda ao ser lembrada, e o que a terapia faz com isso.

O que é o inconsciente para a neurociência?

O que não chega à consciência, e ponto final. Foi a primeira pergunta da live de perguntas de setembro de 2026, e a resposta de Lucas Kane começa pela admissão de que ele não sabe o que é o inconsciente, porque responder de forma objetiva pressupõe uma definição única, e o termo é usado de maneira diferente em cada linha teórica. Explicar um processo inconsciente para a neurociência é muito diferente de explicar o inconsciente de Freud.

Para a neurociência, a definição é restrita: processos neurais que não alcançam a consciência e que normalmente estão associados a regiões subcorticais. A maioria dos processos conscientes alcança o córtex, a camada fina de corpos de neurônios na parte externa do cérebro. O que fica mais interno existe, recebe informação sensorial, processa e responde, mas não alcança as regiões que sinalizam conscientemente o que está acontecendo.

O exemplo que ele dá é o sistema nervoso autônomo: ninguém pensa o dia inteiro para manter o coração batendo, a respiração e a digestão acontecendo. Se dependesse de atividade consciente, a pessoa morreria ao dormir. Esses processos automatizados podem ser chamados de manifestação inconsciente. Já na aula de neuroanatomia ele fazia o mesmo aviso ao falar do tronco encefálico e das funções vegetativas: esse inconsciente não é o de Freud; quer dizer apenas que não se ganha consciência sobre aquilo.

O inconsciente de Freud tem correlato no cérebro?

Não, e para Lucas Kane isso não é uma crítica. Quando Freud, a partir de 1900, escreve sobre id, ego e superego, sobre o sonho como representação de um desejo reprimido, sobre a psicose como inconsciente a céu aberto, ele está construindo uma teoria que não tem correlato mensurável. Nas palavras dele, essas ideias estão mais para uma filosofia do que para uma ciência.

Ele antecipa a acusação de estar desdenhando da abordagem e a rejeita: está falando de fatos e dados. É fato que não há possibilidade de mensurar esses construtos, e por isso não são considerados ciência. Isso não quer dizer que não prestem; quer dizer que não têm correlato na neurociência. Quando se atribui ao inconsciente outros atributos além dos processos automatizados, na maioria das vezes se está numa construção teórica e filosófica, não em algo observável na neurobiologia.

Há um limite do outro lado também, que ele reconhece: até o conceito de consciência escapa à mensuração. É o chamado hard problem, e ninguém chegou perto de explicar por que temos experiência subjetiva, por que não somos meras máquinas.

O que a neurociência diz sobre memória reprimida?

Que ela existe, com outra definição e sem amnésia. O vídeo sobre a neurociência da regressão, de 2019, é onde ele trata disso, e vale ver a definição lado a lado.

Psicanálise e hipnoterapia Neurociência, na fala de Lucas Kane
O que é Memória de altíssima carga emocional que o inconsciente bloqueia para proteger a pessoa Ato de inibir a evocação de uma memória significativa, em geral de natureza traumática
Natureza Defesa do inconsciente Processo considerado ativo
Relação com amnésia Nenhuma: a memória está lá; o que está inibida é a evocação
Como volta Regressão, busca dirigida Espontaneamente, ou por sugestão terapêutica, que é o que a regressão faz

Antes de chegar aí, o vídeo monta o que é uma memória: uma representação interna, codificada em redes neurais, que pode guiar o comportamento. Essa rede tem nome, engrama, e traço físico: conexões que se formam com um estímulo, permanecem quando ele vai embora e se reativam quando um estímulo semelhante aparece. Nem todas as memórias são iguais nem estão no mesmo lugar: o paciente H.M., que perdeu o hipocampo numa cirurgia para epilepsia, deixou de formar memórias recentes, manteve as antigas e continuou aprendendo tarefas motoras sem lembrar de tê-las feito.

Uma observação dele nesse trecho importa para psicanalistas: a divisão entre memória explícita, que se descreve em palavras, e implícita, que não se expressa pela fala, não é a divisão consciente contra inconsciente. A neurociência não tem essa divisão.

O que acontece quando uma memória é ressignificada?

Ela é reconstruída, e nessa reconstrução pode mudar. Durante muito tempo se acreditou que memórias consolidadas eram imutáveis. A visão atual, que ele apresenta tanto no vídeo de 2019 quanto na aula de neurofisiologia, é outra: toda vez que uma memória é evocada, o engrama se desestabiliza e precisa ser refeito. As memórias não são cópias das experiências, são reconstruções. Por isso nunca são representações exatas da realidade.

A desestabilização acontece na sinapse: pode mudar a quantidade de neurotransmissores, a posição e a quantidade de receptores, os transportadores. É plasticidade sináptica, o mesmo mecanismo da aula 1 do curso gratuito. E é o que permite usar a reconsolidação a favor da terapia.

O nome disso é teoria da interferência: um novo aprendizado, criado na sugestão terapêutica, compete com o engrama anterior e passa a interferir nele. Não se apaga a memória; muda-se a interpretação e a emoção ligadas a ela. Ele explica por que é assim: a memória de um evento, ou de uma pessoa, está codificada em vários engramas diferentes. Você não esquece a pessoa. Você deixa de sofrer com ela.

Na aula de neurofisiologia ele faz a mesma afirmação em outra direção: a boa notícia de que todas as memórias são falsas em alguma medida é que os maiores traumas também são representações que já sofreram plasticidade, e por isso podem sofrer de novo.

A regressão pode produzir memórias falsas?

Pode, e ele diz isso sem rodeio. Memórias falsas podem ser resgatadas na regressão, a regressão pode criá-las, e elas podem ser implantadas propositalmente em laboratório. Vários estudos mostram que as áreas de ativação cerebral para memórias verdadeiras e falsas são as mesmas, em intensidade diferente.

O exemplo que ele usa é um teste de lista de palavras: porta, livro, abraço, sombra, peitoril, casa, cortina, quadro, brisa, tela, persiana. Muita gente se lembra de ter ouvido "janela", que não foi dita. Os elementos da lista remetem à janela e a memória se cria. Não há nada de errado com quem cai nisso. Quando as memórias falsas viram patologia, chama-se confabulação, em geral por lesão no córtex pré-frontal, o que indica que é o pré-frontal que distingue memória real de falsa: o gerenciador de realidade.

Se todo engrama se reconstrói ao ser evocado, todas as memórias seriam falsas? Considerando a memória como um todo, sim. Considerando cada conexão sináptica, há algum grau de preservação, e por isso há algo de verdadeiro nelas.

O que Lucas Kane reconhece na psicanálise?

Duas coisas, ditas na mesma live em que separa o inconsciente da neurociência do de Freud.

A primeira é o respeito à resistência. Respondendo a um terapeuta cujo paciente se desconecta das próprias dores, ele diz que não se deve forçar, e que nesse ponto gosta da ideia psicanalítica: a psicanálise entende que boa parte da terapia é compreender a resistência e encontrar caminhos de cercá-la. Ele chama isso de uma crítica válida às abordagens cognitivo-comportamentais, mais bem evidenciadas na literatura: se o terapeuta força a exposição em quem não está pronto, a pessoa larga a terapia ou é retraumatizada. Terapia breve, de que ele gosta, não é para todo mundo.

A segunda é o lugar da psicanálise no estudo do trauma. Para ele, é sem dúvida a linha da psicologia que mais se dedicou ao estudo dos traumas e do passado, embora seja mais limitada na possibilidade de observação empírica e de cientificidade.

Sobre a própria relação com a abordagem: fez cursos de psicanálise ainda na primeira graduação, em Ciências Biológicas; considera Freud revolucionário e à frente do seu tempo; tem carinho pela psicanálise, mas ela não é a sua abordagem, e ele vê problemas na construção teórica dela. Diz ter muitos alunos psicanalistas que relatam como a neurociência tem ajudado seus atendimentos, e prefere se definir menos por uma linha e mais por compreender o que cada paciente precisa.

Subconsciente é a mesma coisa que inconsciente?

Não, e o termo subconsciente nem é aceito pela literatura científica. Quando um espectador perguntou por técnicas para reprocessar traumas "do subconsciente", ele separou as coisas: subconsciente vem de construções teóricas e filosóficas sobre a mente que se explicam dentro das próprias teorias, sem correlato observável. O problema maior, para ele, é que boa parte dos conteúdos sobre subconsciente, como a obra de Joseph Murphy, mistura esoterismo e espiritualidade e deixa de ser objeto da psicologia e da saúde mental.

Dessensibilizar e reprocessar também são coisas diferentes. Dessensibilização sistemática é a técnica padrão-ouro para fobias, hoje feita sem hipnose, embora originalmente fosse feita com ela. Reprocessar traumas tem muitas abordagens, algumas com mais evidência que outras; a cognitivo-comportamental é a mais estudada, e a psicanálise é a que mais estudou o tema.

Na clínica

  • Inconsciente é uma palavra com dois donos. Para o paciente, vale dizer qual dos dois está em jogo: o processo automatizado que a neurociência mede, ou o construto teórico da escuta psicanalítica. Misturar os dois enfraquece a psicoeducação.
  • Memória reprimida não é memória apagada. A evocação está inibida; o conteúdo está lá. Isso muda o que se promete ao paciente numa busca dirigida.
  • Toda evocação é uma janela de mudança, e também de distorção. O engrama se desestabiliza quando é lembrado. É o que permite ressignificar, e é o que permite criar memória falsa. A regressão trabalha exatamente nessa janela.
  • Ressignificar não apaga; interfere. O paciente não vai esquecer a pessoa ou o evento. Vai deixar de sofrer com eles, porque um novo aprendizado compete com o antigo.
  • Resistência é dado clínico, não obstáculo. As preferências do paciente são um dos três pilares da prática baseada em evidências. Às vezes a preferência é o que ele não aceita fazer, e aproximá-lo da melhor evidência leva tempo.

Perguntas frequentes

Como a neurociência define inconsciente?

Tudo aquilo que não chega à consciência, e ponto final. Lucas Kane define assim: processos neurais que não alcançam a consciência e que normalmente estão associados a regiões subcorticais. O exemplo dele é o sistema nervoso autônomo, que mantém coração, respiração e digestão sem pensamento. É uma definição muito mais restrita que a psicanalítica, e ele deixa claro que não sabe responder o que é o inconsciente em geral, porque não há definição única.

O inconsciente de Freud tem base na neurociência?

Não tem correlato mensurável, e Lucas Kane faz questão de dizer que isso não é uma crítica. Id, ego, superego, sonho como desejo reprimido, psicose como inconsciente a céu aberto: para ele, são uma construção teórica e filosófica, não algo que a neurobiologia consiga observar. Não é considerado ciência porque não se mede, não porque não preste. Ele fez cursos de psicanálise e diz ter carinho pela abordagem.

Memória reprimida existe para a neurociência?

Existe, com outra definição. Na psicanálise e na hipnoterapia, memória reprimida é a de altíssima carga emocional que o inconsciente bloqueia para proteger. Na neurociência, repressão de memória é um ato de inibir a evocação de uma memória significativa, em geral traumática. Não é amnésia: a memória está lá, com a evocação inibida, e pode voltar espontaneamente ou por sugestão terapêutica.

O que acontece no cérebro quando uma memória é ressignificada?

Reconsolidação. Toda vez que uma memória é evocada, o engrama, a rede de conexões que a representa, se desestabiliza e precisa ser reconstruído. Nesse momento ele pode mudar. A ressignificação terapêutica, pela teoria da interferência, cria um novo aprendizado que compete com o antigo e muda a interpretação e a emoção do evento, sem apagar a memória como um todo, porque ela está codificada em vários engramas.

A regressão pode criar memórias falsas?

Pode, e Lucas Kane afirma isso no vídeo sobre regressão. Memórias falsas podem surgir espontaneamente, ser implantadas em laboratório e ativam as mesmas áreas cerebrais das verdadeiras, em intensidade diferente. Como todo engrama se reconstrói ao ser evocado, todas as memórias são falsas em alguma medida. Quando isso vira patologia chama-se confabulação, em geral por lesão no córtex pré-frontal.

Lucas Kane critica a psicanálise?

Duas coisas. O respeito à resistência do paciente: a psicanálise entende que boa parte da terapia é compreender a resistência e encontrar caminhos de cercá-la, o que ele considera uma crítica válida às abordagens cognitivo-comportamentais que forçam a exposição. E o fato de ser a linha da psicologia que mais se dedicou ao estudo dos traumas e do passado, embora mais limitada na observação empírica.

Transcrição do vídeo (7.164 palavras)

Transcrição automática do áudio da aula, sem revisão, dividida pelos capítulos do vídeo.

00:00 Abertura da live de perguntas

Muito bem, muito bem, estamos ao vivo. Sejam todos muito bem-vindos a mais uma live Tira Dúvidas. Como de costume, vamos falar de neurociência, vamos falar de saúde mental, vamos falar de comportamento humano. Quem for entrando aí, por favor, sinaliza se vocês estão me vendo e me ouvindo bem. Hoje vamos ver se não cai ali a transmissão no YouTube, né? Mas a priori estamos aqui em três plataformas simultaneamente e vou começar respondendo as perguntas das caixinhas. Hoje a gente tá fazendo live na quarta-feira ao invés de quinta, porque amanhã, por conta de algumas mudanças de agenda, a nós gravaremos o episódio do Limiar Podcast, que normalmente é gravado nas sextas-feiras, mas amanhã a gente tem um convidado muito especial, que é o professor Ramon Cozenza, quem muita gente aí já conhece ele, né? uma referência no Brasil inteiro aí com seus livros de neuroanatomia, educação. Então, por isso amanhã a gente não tem live, mas mantendo o meu compromisso com vocês da gente tá sempre junto, conversando, aprendendo mais. Estou aqui hoje meia horinha de live, então aproveita, deixa suas perguntas. Vou começar respondendo as perguntas das caixinhas, mas depois eu vou pro chat para ver o que que vocês estão mandando. Então podem mandar perguntas que eu vou responder depois que vocês estiverem mandando aí, tá bom? Boa noite. Boa noite. Boa noite. Áudio tá bom? Ótimo. Obrigado. Então, ouvindo. Perfeito. Então, vamos lá, sem mais delongas, eu vou começar responder as perguntas aqui. Primeira pergunta é: o inconsciente é o quê? Boa pergunta. Porque eu também não sei, eu também não

01:50 O inconsciente é o quê? Por que não há uma definição única

sei o que que é o inconsciente, porque responder isso de uma forma objetiva pressupõe que nós tenhamos uma definição única do que é inconsciente. de que esse termo ele já tenha sido eh já tenha chegado num consenso de toda a a comunidade da da psicologia, da da literatura científica. E não é bem verdade assim. O termo inconsciente, ele é utilizado em diferentes linhas teóricas e ramos do conhecimento. É muito diferente eu te explicar o que é um processo inconsciente para a neurociência e eu te explicar o que é o inconsciente de Freud de acordo com a visão psicanalítica. Porque existe toda uma construção teórica e filosófica dentro da psicanálise, por exemplo, da natureza desse inconsciente. Para as neurociências, a definição de inconsciente seria algo muito mais restrito. Nós poderíamos chamar de inconsciente tudo aquilo que não chega na sua consciência e ponto final. Embora até mesmo o conceito da consciência ele fuja um pouco da nossa capacidade de mensuração, né? É o que a gente chama de hard problem. Até hoje ninguém conseguiu chegar perto de explicar realmente o por nós temos uma experiência subjetiva, né? Por que que nós não somos meras máquinas? Por que que é necessário haver um observador por trás da nossa experiência cognitiva? Mas deixando essa discussão de lado, a neurociência definiria inconsciente simplesmente como aqueles processos neurais que não alcançam a sua consciência e que normalmente estarão associados a regiões subcorticais do seu cérebro. Então, quando a gente fala de córtex, a gente tá falando da região mais externa do cérebro, né? Então, se eu for abrir o cérebro aqui no meio, nós ao Boa tardo, hein? a gente chega aqui em regiões mais subcorticais, mais internas. Então tudo isso aqui seria o córtex, né? Essa fina camada de corpos de neurônio que a gente tem na parte mais externa do nosso

04:13 Córtex, regiões subcorticais e o sistema nervoso autônomo

cérebro. E mais internamente nós temos a os prolongamentos dos neurônios, entre outras estruturas que nós vamos chamar de regiões subcorticais. A maioria dos processos conscientes alcançam o córtex cerebral. Então aquilo que é mais subcortical existe, né? Existe comunicação neural acontecendo ali, existe atividade do sistema nervoso de receber informações sensoriais, processá-las e levar respostas, porém são respostas que não alcançam o crio da sua [limpando a garganta] racionalidade, né? elas alcançam o seu cérebro, mas não alcançam as regiões que te sinalizam conscientemente o que tá acontecendo. Então, nós temos um monte de respostas do nosso sistema nervoso que não dependem de um pensamento analítico, né, de uma racionalização em cima daquilo. Pegar um exemplo qualquer aqui, o seu próprio sistema nervoso autônomo, né? O sistema nervoso autônomo é a parte do seu sistema nervoso visceral. Meu Deus, que que é isso? N quem é nosso aluno aí já deve estar acostumado com essas nomenclaturas. Mas é par é praticamente a a subdivisão do nosso sistema nervoso que envia informações do cérebro para os nossos órgãos. Você não tem que ficar pensando conscientemente o dia inteiro para manter o seu coração batendo, a sua respiração acontecendo e a sua digestão acontecendo. Imagina se fosse assim durante o dia inteiro ali, você tá na faculdade, tá no trabalho, mas tem que ficar conscientemente aqui direcionando a motilidade intestinal, a secreção de fluidos, o pulmão, né? A gente até consegue conscientemente respirar, mas fora isso existe uma automaticidade, né? uma um involuntariedade ali do processo. Ah, aí você no momento que você dormisse, que você não tem mais uma atividade consciente, direta, voluntária, aí você

06:13 O inconsciente de Freud e o que não tem correlato mensurável

ia morrer, né? Porque isso aí você não ia ter mais seus órgãos funcionando. Então, existem muitos processos que eles realmente não alcançam a nossa consciência, mas eles acontecem. E isso seria então nós poderíamos chamar de inconsciente. Então existem ah pesquisadores ah divulgadores científicos da área da neurociência que vão chamar de inconsciente simplesmente esses processos neurobiológicos que não alcançam diretamente a sua atividade cognitiva consciente. Mas se nós formos definir o inconsciente de acordo com as teorias de Freud, pensar lá desde 1900, à medida que ele foi lançando seus seus ensaios, seus livros, seus pensamentos acerca da natureza dos nossos processos inconscientes, aí a gente já tá falando de uma outra construção teórica que não tem necessariamente ali um correlato mensurável, né? Então, quando Freud começa a falar de i, de ego, superego, eh as noções psicanalíticas de ânima, ânimos ou ah, de que todo sonho é uma representação de um desejo reprimido do seu inconsciente, eh, que a pessoa que tem uma psicose, ela tem o inconsciente a seu aberto. Essas ideias todas elas estão muito mais para uma filosofia do que realmente para uma ciência, né? E perceba que o pessoal gosta de polemizar tudo, que os quando o divulgador científico está meramente explicando sobre algo, já começa a acusar de que, ah, não, você tá desdenhando da abordagem, não. Estou falando fatos e dados, tá? É fato que nós não temos uma uma possibilidade de mensuração desses construtos. Então não é considerado ciência, não é uma crítica, não é necessariamente, tô falando que não presta, mas é porque não tem um correlato na neurociência para isso.

08:14 Processos automatizados como manifestação inconsciente

Então, a gente até pode pensar em processos automatizados como uma manifestação inconsciente, mas quando eu começo a trazer outros atributos para esse inconsciente, na maioria das vezes isso tá mais para uma construção teórica, filosófica, do que realmente para algo que a gente consiga observar dentro de neurobiologia. Beleza? Dúvidas, pessoal? Vamos [roncando] paraa próxima. Bom, tem uma aqui que eu não sei se isso é uma pergunta, né? A pessoa só escreveu aqui processamento sensorial lento. Bom, eu vou pular essa aqui porque eu não sei exatamente o que que a pessoa quer dizer com isso, tá? Vamos pra próxima aqui. Se você tiver por aí, quiser me explicar um pouquinho melhor qual que é a sua pergunta, pode mandar aí no chat. E quem tiver aí, pessoal, você tá aqui assistindo a live, tá aprendendo alguma coisa e não meteru o dedo aqui nesse coraçãozinho para divulgar a live para mais gente ou apertou nesse aviãozinho aqui, mandou para alguém, aí você me ajuda aí, hein? aula gratuita aqui, ó, para você que é aluno, você que não é aluno ainda, se você tá no YouTube, pega o link, manda lá no seu grupo. Eu tenho certeza absoluta que você tem algum grupo aí de terapeutas que fica lá, você não fala nada, fica lá, né, ocupando espaço no seu celular, manda o link, fala aqui, ó, Lucas tá ensinando neurociência de graça aqui. Vamos aprender mais junto. Quanto mais gente fortalecendo essa comunidade, mais a gente consegue transmitir a nossa mensagem e transformar a forma como a gente conduz terapia no Brasil. Então, vamos juntos. Manda aí, ó. Aí, ó. Boa. Agora sim, hein? Tô vendo os coraçõezinhos aqui. Boa. Eh, ó, já vi que chegou uma pergunta ali no YouTube também. Vão mandando as perguntas suas que assim que eu terminar de responder as caixinhas, eu começo a responder o que vocês estão mandando aí no chat, tá? Só tem mais duas ou três perguntas aqui, mas vamos lá. Ó. Posso atender como terapeuta familiar, mesmo sem graduação de psicologia? Pode agora, deve. Essa é uma discussão que vai muito longe, né, e que acaba dividindo opiniões dentro das redes sociais ou inclusive tá em alta agora, né, sobre a PL para regulamentar a psicoterapia. E a gente pode ir bem longe aí nessa discussão. Eu até falei um pouquinho sobre isso no último episódio com Alberto Delízola, em que a gente falou sobre hipnose, sobre prática baseada em evidência e a gente explorou um pouco desse tema da regulação da psicoterapia no Brasil, tá? Agora, eu posso atender como terapeuta familiar sem uma graduação em psicologia? Pode, porque a terapia não é uma atividade privativa de psicólogos no Brasil. Ah, Lucas, você tá incentivando o exercício irregular de profissão, você está incentivando as pessoas atenderem sem graduação? Não, cara. Mais uma vez, ó, e [limpando a garganta] eu tô falando isso porque isso tá acontecendo direto. O falar sobre como as coisas são não é um juízo moral, é simplesmente uma divulgação dos fatos, né? Não, não existe opinião minha aqui nesse processo. Eu estou falando sobre como é, como são as coisas hoje. Hoje não existe lei que impeça um terapeuta, não psicólogo, de atender com alguma abordagem. Agora, existem algumas funções que são privativas do psicólogo, como por exemplo o psicodiagnóstico, né? você não vai conseguir dar um diagnóstico para alguém, emitir um documento, é, ali uma declaração, atestado, um laudo ou eh utilizar testes privativos da psicologia, que são aqueles testes que estão lá no sateps, né, onde nós temos os testes privativos que só os psicólogos podem utilizar, que vai auxiliar em avaliação psicológica, isso, aquilo, né? Você não vai poder fazer um concurso público que é exclusivo para psicólogos. Então, tem um monte de coisa aí que o psicólogo pode fazer que o terapeuta não pode. Agora, a terapia em si, o processo de ah direcionar, auxiliar as pessoas a partir de alguma abordagem, isso não é uma atividade privativa de psicólogos do Brasil hoje. Deveria ser, aí o pessoal tem discutido sobre isso por aí, a minha opinião, ela é um pouco longa para eu poder responder rapidamente sobre isso, mas não é que terapia familiar é uma coisa liberada, é que terapia é uma coisa liberada. Então, assim como você pode ser um terapeuta individual sem graduação, você também pode ser um terapeuta familiar sem graduação. Sem fazer nenhum juízo moral sobre essa questão toda aí da regulação da psicoterapia, o que eu te diria é que pelo menos é importante que você esteja preparado para fazer esse tipo de atendimento, né? Então, que não seja com base nas vozes da sua cabeça, que seja realmente a partir de uma abordagem consolidada, que você tenha estudado e se preparado suficiente para fazer esse tipo de orientação com base em evidências, com base em escutativa, empatia, acolhimento, né? que você consiga conduzir um processo primariamente ético e de preferência baseado no que há de mais ah moderno e avançado aí em psicologia, neurociência, saúde mental. Eh, então é isso, não tem como falar muito mais além disso, tá [roncando] bom? Tem mais uma pergunta das caixinhas e aí eu vou responder o que vocês estão mandando aí no chat, tá? Qual o melhor tratamento para depressão resistente? Boa pergunta também. Depressão resistente leva esse termo, esse nome justamente por ser algo de difícil tratamento, né? Muitas vezes a pessoa não respondeu aos processos terapêuticos convencionais. A psicoterapia, por exemplo, ah, hoje é considerado ali o padrão ouro, embora eu tenha um certo receio aí com esse termo, mas padrão ouro para tratamento de depressão, terapia cognitivo comportamental, antidepressivos, a pessoa passou por um bom processo de terapia cognitivo comportamental, utilizou os principais antidepressivos, foi acompanhada e não respondeu a esses processos. Então, nós já estamos falando sobre algo que não se espera que a gente tenha uma solução milagrosa que funcione para todo mundo. A gente tá falando justamente uma pessoa que está tendo uma resistência aos tratamentos tradicionais. Então, nem sempre a gente vai conseguir encontrar uma solução que funcione para todas essas pessoas. O que a gente pode falar é sobre o que a literatura científica tem apontado como mais eficaz, em média para população, para esses quadros onde a pessoa não respondeu bem aos tratamentos tradicionais. E aí geralmente o que a literatura científica aponta hoje com uma boa qualidade de evidência, tá? Não vou falar que ela uma altíssima qualidade, porque em saúde mental quase nunca a gente chega nesse ponto, mas com uma boa qualidade de evidência. São algumas medidas que, olhando do lado de fora, parecem um pouco mais drásticas e elas, em geral não estão associadas à abordagem psicoterapêutica, tá? Que são elas, por exemplo, a eletroconvulsoterapia e alguns fármacos, como a quetamina. Quando eu falo de eletroconvulsoterapia, muita gente se assusta, né? Eu lembro, eu dentro da faculdade de psicologia, o professor ensinando que eletrochoque era um absurdo. E realmente, né, quando a gente pensa nesse termo eletrochoque, a gente assusta porque nós associamos justamente a um instrumento de tortura utilizado no passado. Mas hoje não é assim, né? Hoje a gente não utiliza eletroconvulsoterapia para torturar alguém sem nenhuma preparação ou segurança. A eletroconvulsoterapia, como nós chamamos hoje, é uma abordagem que eh é feito de uma forma totalmente ah hospitalar, com anestesia, com preparo e a pessoa ela não sente praticamente nenhum desconforto durante esse processo. ela vai ser anestesiada, tem um protocolo específico para ser utilizado, um número de sessões, justamente para minimizar qualquer desconforto ou efeito adverso da abordagem. Então, basicamente vai ser colocado uma bina, né, não é bobina, né, isso é no caso da da neuromodulação, mas vai ser feita uma espécie de um resete cerebral estimulando uma crise convulsiva proposital naquele cérebro, né? Ali quando se fala isso parece mais assustador ainda, mas a mais uma vez a pessoa ela vai estar totalmente anestesiada e vai ser estimulado de uma forma muito específica, que somente médicos, somente eh profissionais treinados podem fazer isso para que a pessoa tenha um disparo ah simultâneo de de redes neurais, no intuito de fazer uma espécie de um resete cerebral. E aí eu até explico, né, a gente tem uma aula específica sobre isso dentro da nossa formação, sobre quais são os mecanismos propostos do por que isso levaria esse reset cerebral, mas isso poderia reequilibrar os neurotransmissores, as redes neurais que estavam em déficit naquela pessoa deprimida. Então é uma abordagem que demonstra boa qualidade de evidência quando comparado com outras, né, para depressão resistente. Ah, Lucas, pode ter algum efeito adverso? pode, eh, a maioria das vezes são efeitos adversos associados à própria anestesia. Quem já tomou anestesia geral aí sabe que a gente volta da anestesia e muitas vezes, pelo menos ali durante alguns minutos, algumas horas, você tem alguns alguns efeitos. Eu já tomei duas vezes anestesia geral, né? Já fiz duas cirurgias de anestesia geral. E eu lembro da primeira vez que eu fiz cirurgia, eu voltei super animado, né? Eu tava com fome, eu bati um pratão de escondidinho, carne moída. Nossa, que comida gostosa. Eu tava em jejum há muito tempo, né? Acho que por isso que eu ficou mais gostosa ainda. Olha como é que é aí o efeito da expectativa, né? Comia aquela beleza, não senti náusa, não tive nada, mas eu tava com uma tontura absurda. Eu virava a cabeça assim, o mundo girava, né? E aí já a segunda vez já foi o contrário. A segunda vez eu não tive tanta tontura assim, mas eu já tive muita náusea. Então são efeitos que acontece ali, mas que são da normais e esperados de quando você toma uma anestesia geral. Eh, o que há de mais específico e que pode ser um tanto desconfortável é que algumas pessoas, além de poderem ter ali uma certa dor de cabeça, alguma coisa nesse sentido, elas apresentam uma amnésia. pós processo, uma amnésia anterógra e retrógrada, ou seja, às vezes a pessoa ela pode ter durante um período uma dificuldade formar novas memórias e um esquecimento de alguns fatos que aconteceram logo antes do procedimento. Eu não conheço assim de casos gravíssimos, nossa, a pessoa esqueceu quem ela era, né? como se fosse uma doença neurodegenerativa, não, mas uma leve amnésia ali de fatos recentes e uma certa dificuldade de formar novas memórias, mas é um efeito colateral raro e quando acontece geralmente eh por um tempo, né? A pessoa vai aos pouquinhos vai recuperando a capacidade de formar memórias, isso não perdura por longos períodos. Então é uma abordagem considerada segura e com boa qualidade de evidência paraa depressão resistente hoje, tá? Então é é importante a gente desmistificar para não reproduzir aí preconceitos e ideias erradas, porque é claro que existem casos, eu já ouvi falar de casos problemáticos onde o médico nem olhou direito pra cara da pessoa, já saiu fazendo eletroconvulsoterapia. Eu conheço tinha um caso de que a paciente já tava indo pra 32ª [limpando a garganta] eh sessão de eletroconvulsoterapia e o psicólogo teve que intervir. E não não é porque eu tô falando também que a eletroconvulsoterapia tem uma boa qualidade de evidência que a gente vai esquecer do cuidado psicossocial. Claro que não, né? Então nós temos que levar em consideração todo o contexto e tal, mas é uma abordagem hoje que tem uma boa qualidade de evidência. E uma outra é a quetamina. A quetamina é um fármaco que originalmente era utilizado como um anestésico de equinos, mas começaram a perceber que aquilo poderia ter algum efeito no humor e até hoje não se entende 100% quais são os mecanismos que, né, fazem isso ter algum sentido, mas está associado principalmente ao glutamato, a a reequilibração de neurotransmissores, mas é um fármaco que tem demonstrado também com uma qualidade de evidência interessante, bons resultados e resultados rápidos em pessoas que tm depressão resistente. Agora, a quetamina, o problema é que além dela ser muito cara e também precisar de um acompanhamento médico para ser administrado, porque é um protocolo bem eh regrado e o médico precisa ter treinamento para isso, né? Ah, ela também leva efeitos adversos consideráveis. assim, além de ter um alto potencial de abuso, é comum que as pessoas eh tenham alucinações em alguns casos, né? É comum que a pessoa tenha uma dificuldade na retirada depois. Então, tudo tem que ser analisado com cautela. Mas mais uma vez estamos falando sobre um quadro onde a pessoa não respondeu aos tratamentos tradicionais, então começa realmente a se considerar outras abordagens que no primeiro momento pode parecer um pouco eh extremas, mas hoje a gente sabe que elas têm a sua segurança e a sua eficácia. Beleza, meu povo? Bom, acabou as caixinhas aqui. Deixa eu ver o que que vocês estão mandando aí nas redes sociais. Bom aqui no YouTube primeiro. Professor Lucas, qual a melhor sugestão de prática para regulação emocional? Muito obrigado, Alexandre. Olha, difícil de responder isso, porque regulação emocional é um termo muito amplo, né? Nós podemos estar a o próprio conceito de emoção é um conceito complexo. Às vezes a gente utiliza esses termos como se fossem algo muito simples, né? Porque a gente tá acostumado a lidar no nosso cotidiano. Ah, emoção é emoção, tristeza emoção, alegria emoção. Tá, mas que que isso significa? Que que significa uma emoção como um todo, né? E eu não tenho uma resposta fácil para isso, não, né? A gente tem hoje, talvez o que há de mais moderno para explicar a fisiologia das emoções, eh, a teoria da emoção construída da Lisa Feldman. é um conceito que vira de cabeça para baixo, inclusive a próxima aula da nossa pós-graduação sobre isso. Ah, porque a gente passa a entender que a emoção é um processo muito mais complexo e complicado do que a gente imagina no primeiro momento. Então, técnica de regulação emocional, a gente pode estar pensando em diferentes níveis desse tipo de regulação emocional, porque eu tô falando isso porque dentro da teoria da Lisa Feldma, a emoção ela é uma junção de um aspecto fisiológico com um aspecto interpretativo e cultural. Então, existem certas intervenções terapêuticas e, né, de práticas ou, enfim, ferramentas de autoconhecimento, que elas vão atuar mais no nível interpretativo e outras que vão atuar mais no nível fisiológico. E aí depende qual que é o alvo terapêutico, né? Então, vou pegar um exemplo aqui. Se eu tô falando de técnica de regulação emocional como uma coisa para alterar diretamente minha fisiologia, muito útil, por exemplo, em crises de ansiedade. A pessoa tá numa crise de ansiedade fortíssima e tudo mais e ela não quer ressignificar nada nesse momento. Ela só quer conseguir melhorar aquilo que ela tá sentindo. Se você pega uma técnica de de respiração diafragmática, ela é uma técnica que tem um bom respaldo na literatura, porque ela estimula diretamente via nervo vago o

24:20 Respiração diafragmática, parassimpático e mindfulness

seu sistema nervoso autônomo parassimpático, que é aquela subdivisão do sistema nervoso associado ao repouso e digestão. Então, quando eu vou lá, respiro com a musculatura certa, né? É, eu posso utilizar, por exemplo, a técnica 478, que eu inspiro por 4 segundos, seguro por sete, expiro por oito. Então eu jogo o ar pro meu abdômen, né? né? A respiração diafragmática é isso. Você mantém o peito imóvel e joga o ar pro abdômen e você faz essa contagem para lentificar as suas expirações. Você estimula o sistema parassimpático e consegue ter uma fisiologia alterada que normalmente está associada à calma e ao repouso. Então, na maioria das vezes, a pessoa ela vai interpretar essa mudança de fisiologia como um estado emocional melhor. Mas dependendo do caso, a gente pode pensar mais em práticas de mindfulness, quando aquela pessoa eh tem uma mente muito divagante, né? E o fato dela acessar estados emocionais negativos, é porque ela fica o tempo inteiro ah divagando entre futuro, passado, isso impede ela de viver o agora? E o mindfulness é uma prática que reduz a divagação mental? Ou será que a gente tem que trabalhar a qualidade desses pensamentos, que é muito que se faz ali numa reestruturação cognitiva, que aí na maioria das vezes vai precisar de um terapeuta do seu lado para te ajudar, né? um terapeuta da linha da TCC ou

25:50 Você dá curso de psicanálise? A relação dele com a abordagem

qualquer outra que trabalha algo semelhante. Então, é muito variável mesmo, né? Mas aqui a gente pode pensar em algum conjunto de técnicas que possam podem nos ajudar, tá? Boa noite, boa noite, boa noite, boa noite. Muito obrigado. Professor, você dá curso de psicanálise? Não, a psicanálise teve um espaço importante na minha vida. Eu valorizo muito a psicanálise, principalmente como parte fundamental da história do desenvolvimento da da do nosso entendimento sobre o ser humano. É, Freud foi revolucionário, foi um um cara muito à frente do seu tempo. E eu cheguei a fazer curso de psic, fora a faculdade de psicologia, né? Eu cheguei a fazer cursos de psicanálise quando eu ainda tava lá na minha primeira graduação em ciências biológicas. Ah, então tenho carinho pela psicanálise, mas não é a minha abordagem assim, eu não eu não eu não sou da psicanálise, vamos assim dizer. Então, a gente tem um monte de aluno psicanalista que vive falando sobre como que a neurociência tem auxiliado seus atendimentos, mas não é minha área falar de psicanálise, apesar de eu saber bastante sobre abordagem, eh, eu tô mais para eu não, enfim, eu costumo dizer que eu até uma pessoa me perguntou esses dias sobre terapia baseada em processos. Eu tô muito para esse caminho assim de compreender o que que aquele paciente realmente precisa, mais do que me definir dentro de uma abordagem, uma linha específica da psicologia, né? Mas a psicanálise ela ela, vamos dizer assim, não é minha abordagem de preferência, embora eu tenha uma grande um grande carinho por ela, tá? Boa noite, tudo bem, Lucas? Boa noite, tudo bem? Olá, hoje fiz atendimento de uma criança com falta de atenção, concentração, memória e agitação para estar sentado. Observei que não respira corretamente pela via nasal. Isso pode interferir no cérebro? Olha, pode, se isso está gerando realmente uma, né, baixa oxigenação, mas eu acho um tanto improvável, porque o fato dela respirar, por exemplo, se ela tá respirando pela boca, não necessariamente isso vai impactar na, né, nos seus sistemas cardiorrespiratórios ou ah, na oxigenação do cérebro. seria um problema se o cérebro não estivesse sendo oxigenado corretamente, o que acontece em diferentes condições. Mas o fato dele, por exemplo, respirar mais pela boca do que pelo nariz, num primeiro momento, não vai gerar um problema nesse sentido. O máximo que acontece porque pelo nariz a gente tem um processo de humidificação do ar, nós temos a filtragem, né, de partículas, então ele pode acabar tendo ressecamento da garganta e isso gerar algum alguma algum desconforto para ele. É, vamos, vamos imaginar aí talvez que seja uma criança autista, né? Uma criança com falta de aten que fosse uma criança autista que tem uma hipersensibilidade sensorial. Então, talvez essa sensação de nariz entupido, isso possa gerar um desconforto que deixa ela agitada. Agora, diretamente falando, a gente não consegue fazer essa ponte. Pelo menos eu não conheço de nenhuma evidência que faça isso, né, ser uma conclusão direta. Você pode falar um pouco sobre síndrome de Asperger e como utilizar as altas habilidades para se comunicar na sociedade. Então, hoje esse termo síndrome de ásperósticos da psicologia, tá? Hoje o que era considerado que inclusive eu seria ASPEG, né, se eu estivesse, se essa nomenclatura ainda existisse, mas hoje está dentro do transtorno do espectro autista. Então hoje tudo é englobado como transtorno do espectro autista. Pessoas que antigamente seriam diagnosticadas como hoje são diagnosticadas com teia grau um de suporte. Então e existem alguns motivos para isso, tá? a gente pode discutir, um deles é por conta do aspecto cultural, né, da da da história atrelada ao nazismo e tudo mais, mas outros tm a ver realmente com a necessidade de enquadrar esses transtornos todos dentro de uma mesma categoria para melhor estudá-los e pra gente pensar em inclusive medidas que pudessem a afetar todo esse público. Não necessariamente a pessoa, então vamos falar sobre te um de suporte, né? Não necessariamente o tagra um de suporte vai ter altas habilidades. Esse é um tema que a gente abordou também um episódio do Limiar podcast, que foi com a Thaí. A gente abordou isso com a Thaí, também abordou com a Renata Autista. Então tá tudo lá no YouTube lá, depois vocês pesquisar Limear podcast que vocês vão encontrar esses episódios. Mas não é um uma obrigatoriedade ter altas habilidades, ter um QI elevado para estar dentro desse quadro, né? A gente vai falar sobre terra um de suporte, tem muito mais a ver com dificuldades no núcleo social e algumas estereotipias, né? Dificuldades associadas à hipersensibilidade, movimentos repetitivos, rigidez cognitiva, entre outras questões. Então, não é uma relação direta. Agora, pensando num nessa sua segunda parte da pergunta, como utilizar altas habilidades para se comunicar na sociedade? Olha, são núcleos de habilidades diferentes, tá? Eh, primeiro que o próprio conceito de altas habilidades não é uma coisa 100% definida, porque não tem no DSM lá superdotação, altas habilidades. Hoje em dia muita gente fala sobre isso, né? como se fosse um diagnóstico. Aí eu fui diagnosticado com superdotação. É verdade que algumas avaliações psicológicas podem trazer isso dentro do perfil cognitivo traçado, mas não existe um transtorno catalogado dentro do DSM chamado superdotação ou altas habilidades. Diferente do TEA, né? a gente tem lá um capítulo para falar de transtorno de espectro autista, um capítulo para falar de TDH, mas não tem isso para falar de superdotação. Então, o próprio entendimento do que que é altas habilidades, ele ainda enfrenta desafios. Nós não temos um consenso sobre isso, mas entende-se que existe um núcleo de habilidades ali que geralmente estão associadas à inteligência, à superdotação, que tem a ver com a capacidade de foco, de resolução de problemas, entre outras funções executivas. E isso é diferente de habilidade social. Uma coisa pode interferir na outra, pode, mas não existe uma ligação direta entre ser superdotado e se comunicar melhor ou ser superdotado, comunicar pior, né? São núcleos diferentes de habilidades ali. Então, nós podemos ter ambos os casos. O que uma pessoa com altas habilidades, com eh com superdotação, vai ter é uma maior capacidade de resolução dos problemas. Isso pode ser um fator que vai auxiliá-la a encontrar caminhos para suas próprias dificuldades, inclusive dentro da comunicação. Mas não tem uma receita de bolo de como ela faria isso, né? Porque isso tá justamente associado às altas habilidades. É a pessoa conseguir encontrar caminhos para conseguir resolver os próprios problemas que ela percebe. Beleza? Boa noite, professor. Quando você puder falar sobre mi mitocondrial, perdi uma filha com essa doença, só que não sabia nada sobre neurociência, como hoje estou aprendendo, gostaria de entender. Neusa, eu sinto muito por isso, tá? Sinta-se abraçada, né? Eu sei que nem sempre isso ajuda muito, mas eh o conhecimento sempre ajuda a gente a compreender um pouco melhor e não necessariamente alguma coisa mudaria, né, por você entender sobre isso, porque existem condições que fogem completamente o nosso controle, né? Mas eu gosto de ter essa honestidade intelectual de não falar muito sobre o que eu não conheço. E essa não é uma doença que eu tenha uma um conhecimento eh profundo sobre ela, porque a neurociência é um campo muito vasto do conhecimento. Quando a gente começa a falar sobre sistema nervoso, nós podemos ir para muitos caminhos diferentes. A gente pode falar de neurociência porque às vezes eu sou um fisioterapeuta interessado em entender sobre como o cérebro ah produz os nossos movimentos. Eu posso ser um médico, um neurologista, que quer entender melhor sobre as doenças neurodegenerativas. No nosso caso, é uma neurociência mais voltada aos processos psicossociais. Então, quando a gente começa a falar sobre essas condições, isso foge um pouco do foco ali do nosso do nosso conteúdo. E quando alguém traz esse tipo de demanda dentro da formação, a gente faz uma pesquisa para responder. Então, se você já é nossa aluna, você pode deixar essa pergunta dentro da plataforma, mas de cara eu vou te dever uma resposta melhor para eu não arriscar te falar uma besteira, tá bom? Pessoal, já eu tenho que finalizar a nossa live, tá? Deixa eu ver o que que é que vocês estão deixa eu vir aqui pro Instagram para ver se chegaram perguntas aqui também para eu conseguir mesclando. [suspirando] Sou aluno, adorei sua maneira de explicar no ciência. Que bom, Sônia. Eu fico feliz em saber disso. Seja muito bem-vindo. [roncando] Tem que até achar a pergunta de vocês demora porque aparece um monte de notificação. Miopatia muscular. Qual parte afeta? É, quando a gente pensa nesse próprio prefixo, né? miopatia, nós estamos falando sobre condições que afetam diretamente o músculo, tá? Então, não necessariamente a gente tá falando sobre algo que tem uma origem neurológica. Eh, o movimento ele é produzido primariamente pelo seu cérebro porque ele envia o o não pelo seu cérebro, né,

36:24 Resistência do paciente: o que a psicanálise acerta

pelo seu sistema nervoso, porque ele envia as informações, as vias eferentes para os seus músculos esqueléticos para que ele possa fazer a contração e assim você se mexer. Mas existem condições que elas estão diretamente no órgão, né, ou no músculo. Então, não necessariamente por ser algo que é a regulado pelo sistema nervoso, a condição patológica ela reside no sistema nervoso. Beleza? E aí eu também não é algo que eu tenha um super conhecimento para poder te auxiliar. Beleza, vamos aqui pro YouTube de volta. Professor Lucas, tô atendendo uma pessoa que sempre se desconecta das experiências de dor. É como se ela fizesse sempre um distanciamento emocional, dificuldade nos resultados com a terapia. Bom, imagino que você esteja mencionando dor e se referindo a uma dor emocional, certo? Ou é uma dor física, né? Quando se fala experiências de dor, uma uma experiência traumática, alguma coisa nesse sentido, né? E é verdade que existem pessoas que demonstram uma certa resistência a encarar de uma forma muito direta as suas próprias dores. E o que eu indico nesses casos é não forçar isso a acontecer, sabe? Nesse ponto, inclusive, eu gosto muito da psicanálise, assim, da ideia da psicanalítica. Agora só que eu falei que não é minha abordagem de preferência e eu enxerro muitos problemas inclusive na construção teórica da psicanálise, mas a psicanálise ela ela respeita muito esse processo de resistência ali do paciente. Entende que a terapia ela em boa parte vai se basear em compreender a resistência e encontrar caminhos de de cercá-la, né? E inclusive uma crítica muito válida, as abordagens mais bem evidenciadas na literatura cognitivo comportamentais, porque se você não

38:24 Preferência do paciente e a pirâmide de evidência

tiver esse cuidado e simplesmente forçar, ó, mas a melhor evidência é você fazer isso aqui, ó, é terapia de exposição, tem que expor, vai lá, ó, você vai ter que enfrentar seus medos, vai pra frente e a pessoa não se demonstrar pronta ou disposta a fazer isso, você o que que vai acontecer é que ou ela vai largar a sua terapia ou sei lá, você vai até retraumatizar ela. Então, a gente precisa respeitar esse tempo do paciente e tentar ir encontrando ali, né, formas de cercar o processo para que pouco a pouco a gente consiga aproximá-la daquilo. Isso pode demorar tempo, às vezes muito tempo. Então, esse é um problema ali de quando a gente propõe necessariamente uma abordagem de terapia breve e tudo mais, porque nem todo mundo se adequa bem a esse tipo de abordagem, né? E eu gosto muito da terapia breve, eu gosto muito desses processos mais diretos e tudo mais, mas não é para todo mundo. E quando a pessoa demonstra um certo grau de resistência, a gente pode psicoeducá-la, pode orientar, mas a gente vai precisar ir pouco a pouco, gradativamente aproximando ela do processo. Inclusive, um dos pilares da prática baseada em evidência é justamente as preferências do paciente. E às vezes a preferência do paciente não é nem necessariamente você saber o que que ele prefere, o que que ele quer fazer, mas sim o que que ele não aceita fazer. E às vezes mesmo que a melhor evidência, porque eu vou pensar, por exemplo, que é uma fobia, né? A pessoa tem uma fobia de barato, beleza, cara? A terapia para isso é terapia de exposição, é dessensibilização sistemática. Isso é bem conhecido pela literatura científica. Mas a pessoa demonstra abertura para isso, cara. Se ela não quer, não adianta. Não adianta você forçar, empurrar ela para poder fazer o processo. Então, às vezes, mesmo que você saiba que o ideal seria ela passar pelo processo de exposição, você vai precisar ir gradativamente levando ela para a melhor evidência disponível. Às vezes você vai começar

40:24 Subconsciente: por que o termo não é aceito

por outras abordagens que ela aceite melhor, para que pouco a pouco ela demonstre a abertura para melhor evidência disponível, tá? Boa noite, Lucas. com que profissional da área de saúde você soube do seu diagnóstico? Roberta, eh, foi com a Dra. Anelise, tá? ela é uma referência aí no Brasil inteiro, autora de vários livros, eh participou já de programas aí de televisão, mas o motivo pelo qual eu quis fazer com ela, porque ela me deu aula na UFMG e eu gostei muito da, né, do profissionalismo, da, né, da seriedade do trabalho dela e acabei buscando o instituto dela para poder passar por pela avaliação psicológica. A Dra. Ana Elise do Instituto Neuropsicoterapia. E inclusive ela ia ela ia participar do nosso podcast, mas acabou que não deu certo, mas é uma profissional que eu sempre indico. Quais técnicas além da hipnose se usa para dessensibilizar e reprocessar traumas do subconsciente? Ats 8135. Obrigado pela sua pergunta, tá? Uma pergunta muito bem intencionada, mas eu sempre gosto de, enquanto divulgador científico, diferenciar as coisas. O termo subconsciente não é um termo bem aceito assim pela neurociência, pela literatura científica, porque o termo subconsciente, ele vem de construções teóricas, filosóficas sobre a mente que encontram uma explicação dentro dessas próprias teorias, mas que elas não têm um correlato observável. E o grande problema não é nem esse, assim, eu não tenho problema da pessoa acreditar em coisas que, né, que a mente transcende o que é mensurar, porque transcende mesmo, né? Até hoje a gente não consegue explicar o hard problem. O problema é que muitos dessas, muitos dos conteúdos que falam sobre subconsciente, por exemplo, a própria obra do Joseph Murphy, né, que ele fala do poder do subconsciente, que é um livro que ficou

42:24 Dessensibilização, hipnose e quem mais estudou o trauma

muito famoso, acabam trazendo um certo esoterismo nessas nessas obras e sem querer, talvez, eles comecem a misturar a espiritualidade no meio. Então, acaba virando uma coisa que não é mais nem objeto de estudo da psicologia, assim, da saúde mental, né? Vira uma coisa mais espiritual do que qualquer outra coisa. Então, mas respondendo sua pergunta, né, que tipo de técnicas são utilizadas para dessensibilizar e reprocessar traumas, né, independente de subconsciente. Vamos lá, são coisas diferentes. Dessensibilizar, a gente pode estar falando simplesmente sobre um processo de habituação da pessoa perante um estímulo fóbico, né? Então, a dessensibilização sistemática, que é a técnica padrão ouro para tratamento de fobias, por exemplo, né? Então, já respondendo sua pergunta, a terapia de exposição, a dessensibilização sistemática é uma técnica amplamente utilizada por psicólogos da linha comportamental, cognitivo comportamental. E é uma técnica que, por incrível que pareça, originalmente era feito com hipnose, né? depois que a gente começou a utilizar ela sem hipnose. Então você consegue fazer exposição em vivo, exposição imaginária, sem necessariamente passar por um ritual hipnótico específico. Agora, reprocessar traumas, aí assim tem um monte de abordagem diferente que, né, que que trata isso, que se propõe a tratar. Algumas com mais evidência do que outras. A gente sempre fala aí, a terapia cognitivo comportamental hoje é aquela que tem sido mais bem estudada. Ela tem suas técnicas de reestruturação e exposição a traumas também, mas a psicanálise ela é, sem dúvidas, a linha terapêutica e a linha da psicologia que mais se dedicou ao estudo dos traumas e do passado, né? a abordagem psicanalítica é muito voltada para isso, eh, mas é ela é um pouco mais limitada enquanto a possibilidade de observação empírica e cientificidade. Então, é difícil de responder isso, assim. Eh, eu diria que que é necessário, mais uma vez dentro dessa ideia de PBE, de terapia baseada em processo, avaliar o caso específico para se chegar numa resposta. Meu povo, eu tenho que finalizar a live aqui, hein? Vou vou responder uma última aqui, tá? Ã, doutor, eu tenho uma matemática que da teoria de organização por ressonância, criticidade, dinâmica, torcedas está em muitos testes, Python, código, equações, enfim, vou rodar em grande escala. Bom, depois você manda aí essas matemáticas suas para eu entender ela um pouco melhor, tá? Tive uma paciente que nunca dava abertura na terapia, acabou não querendo fazer mais a terapia, sempre dizia que está tudo bem. É, e nem sempre a gente consegue fazer alguma coisa, tá? É claro que enquanto terapeuta a gente tem a capacidade de melhorar o engajamento de alguém na terapia ou até de gerar um engajamento. Tem até certo ponto, né? A gente não consegue, se existisse uma metodologia infalível para gerar engajamento, ninguém tinha problema com isso, né? todo mundo aí a conseguir gerar resultado com todo mundo e não existe, tá? Eu eu sou muito contra assim esses terapeutas, esses gurus aí na internet que pregam uma método infalível, funciona com todo mundo, todo mundo vai melhorar, não tem jeito de não melhorar não. A gente sabe que os fatores comuns na terapia são os fatores mais importantes aí no fim das contas. E e um dos fatores comuns é você conseguir construir esse engajamento, essa abertura que acaba estando associado ao vínculo, né, e ao quão confortável a pessoa está ali naquele momento. E tem hora que você não vai conseguir fazer nada, tá? Tem hora que a melhor coisa se fazer é deixá-la ir. Deixá-la ir no sentido dela procurar uma outra abordagem que sabe orientar ela, procurar uma outra ajuda, tá? Beleza, povo. Seguinte, tem que finalizar aqui nossa live, tá? Que que é o 11/11? Daí, vocês estão vendo aqui na minha caneca, né? Não, não posso falar ainda. Cenas dos próximos capítulos. Que que vai acontecer no dia 11/11, hein? Sei lá, alguma coisa aí, ó. Vou deixar no ar para vocês refletirem. Alguma coisa vai acontecer no dia 11/11. Pessoal, muito obrigado pela presença aqui na live de hoje. Foi um prazer estar com vocês. Quem eu não consegui responder em tempo, pessoal, copia aí a pergunta que você fez e manda nas caixinhas que eu tô abrindo aí todos os dias, tá? Então, amanhã eu vou abrir caixinha, você já manda lá. Se você é aluno, manda dentro da plataforma que a gente responde todo mundo também. E é isso. Se você não é aluno ainda, para de perder tempo, pelo amor de Deus. Vai lá no meu Instagram que @lucaskene.neuro, tá? Vou mandar aqui no YouTube, lucaskene.neuro. Vai lá no link da minha biografia, tem uma aula completa, gratuita para você assistir. São 30 dias de garantia incondicional, conteúdo mais completo de neurociência aplicada à terapia do Brasil, certificado ou emitido por instituição reconhecida pelo MEC. Risco zero, não se inscrever é uma loucura. Então vai lá, vem fazer parte da nossa comunidade. Hoje nós já estamos alcançando aí 10.000 1000 alunos fazendo parte disso e você tá aí do lado de fora perdendo tempo. Então vai lá, vem fazer parte e você que já é aluno, continua assistindo as aulas, tem muita coisa boa por vir. Espero vocês numa próxima. Até lá. Ciao. Ciao.

Neurociências na Prática Clínica

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Lucas Kane (Lucas Xavier Mafra) é biólogo pela UFMG, com pós-graduação em Neurociências pela mesma universidade e graduando em Psicologia. Ensina neurociência aplicada à prática clínica no Instituto Lucas Kane.