Como Os Neurônios Se Comunicam: Sinapse E Neuroplasticidade
Por Lucas Kane · publicado em 8 de setembro de 2026
Como os neurônios se comunicam tem uma resposta curta: por sinapses, e a maior parte delas é química. O neurônio ativado libera neurotransmissores num espaço entre as células, e essas moléculas mandam a célula seguinte ativar ou calar. O que faz isso importar na clínica é que essas conexões não são fixas — espinhos dendríticos surgem e desaparecem em questão de minutos, e é por isso que tanto um trauma quanto uma terapia conseguem mudar o sistema nervoso.
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Capítulos do vídeo
- 00:00 Primeira aula do curso gratuito e quem é Lucas Kane
- 01:12 Do neurônio à prática clínica: por onde o curso começa
- 03:18 Psicoeducação que faz o paciente parar de achar mais do mesmo
- 04:13 Poucos terapeutas dominam neurociências, e isso muda o valor da consulta
- 05:36 Neurociência é biologia integrada à psicologia e à filosofia
- 06:34 Lembra da célula das aulas de biologia do ensino médio?
- 07:58 Da bactéria ao seu braço: tudo é feito de células
- 09:02 O neurônio de verdade não é bonitinho como o desenho
- 09:57 Para que servem os prolongamentos do neurônio
- 10:54 Chega pelo dendrito, passa pelo corpo, sai pelo axônio
- 11:55 O rocambole em volta do axônio: a bainha de mielina
- 13:14 Transmissão saltatória: a informação pulando de ponto em ponto
- 14:15 A foto real de um neurônio na microscopia avançada
- 15:28 As outras células do sistema nervoso: a glia
- 16:29 Células de Schwann e oligodendrócitos fabricam a mielina
- 17:31 O astrócito e a barreira hematoencefálica
- 19:06 Que informação é essa que o neurônio passa adiante
- 19:50 Dentro negativo, fora positivo: o neurônio em repouso
- 20:59 O limiar de -55 mV e a enxurrada de sódio
- 22:14 O que significa dizer que uma área do cérebro está ativada
- 22:51 A fase descendente e a volta ao potencial de repouso
- 24:06 Recapitulando: estímulo, carga positiva e comunicação
- 25:01 Sinapse elétrica: as conexinas ligando um neurônio ao outro
- 25:50 Sinapse química, cálcio, vesículas e fenda sináptica
- 27:06 Neurotransmissores que mandam ativar ou mandam calar
- 29:06 Serotonina e dopamina: onde isso encosta na saúde mental
- 30:18 Glutamato excita, gaba inibe e a conversa sobre ansiolíticos
- 31:02 Se é fisiológico, a terapia não serviria para nada?
- 33:16 A historinha de ligar os pontos e a fobia de barata
- 33:52 LTP: cada susto deixando a via mais grossa
- 34:33 A via nova da terapia e o enfraquecimento da antiga
- 35:47 Fechamento e o que vem na aula de neuroanatomia
Por que começar pela célula, e não pelas áreas do cérebro?
Porque pular essa parte produz conhecimento distorcido. Muitos cursos de neurociência vão direto para as áreas do cérebro e para o funcionamento, e quem sai de lá fica com uma noção defasada, às vezes incorreta. A ordem importa: primeiro a parte microscópica, como as células do sistema nervoso se comunicam, depois a parte macroscópica. É essa a sequência do curso gratuito de neurociência: célula, neuroanatomia, neurofisiologia, psicopatologias e, por fim, intervenções clínicas.
Vale lembrar de onde isso vem. A célula é a unidade básica dos seres vivos — da bactéria ao protozoário, da planta ao animal, tudo é feito delas. Elas se diferenciam conforme o tecido em que estão, e é isso que o coração, o pulmão, o sangue e o sistema nervoso têm de diferente entre si.
Como a informação anda dentro de um neurônio?
Ela entra por um lado e sai pelo outro. O neurônio tem um corpo celular, com o núcleo e o DNA, e prolongamentos chamados neuritos: os dendritos, muito ramificados, e o axônio, que é um só.
O caminho é sempre o mesmo. A informação chega pelo dendrito, passa pelo corpo celular, que é o ponto de integração, e sai pelas terminações nervosas do axônio para o próximo neurônio — que a recebe, de novo, pelo dendrito.
O desenho de livro engana um pouco. Na microscopia avançada, o axônio é bem mais fino que o dendrito, não mais grosso, e o dendrito se destaca muito mais. Um neurônio de verdade também é bem mais emaranhado do que a figura didática sugere. Uma pista para diferenciar os dois na imagem: só existe um axônio saindo da célula, e quando ele se ramifica, ramifica em ângulos de 90 graus.
Para que serve a bainha de mielina?
Para a informação chegar longe depressa. A bainha de mielina é uma camada extra em volta do axônio, parecida com um rocambole, que aumenta a resistência externa da célula. Nem todo neurônio a tem.
Pensa numa fita isolante: a informação elétrica não passa por ela. À primeira vista isso soa como um problema — se está isolado, a informação não passaria a lugar nenhum. Só que o isolamento tem intervalos, e a informação vai saltando de um ponto para o outro. É a transmissão saltatória, e ela aumenta muito a velocidade.
O motivo fica claro num exemplo de distância. Na medula espinhal existem corpos de neurônios que precisam se comunicar com o dedão do pé. Sem a mielina, essa conversa seria lenta demais para ser útil.
Quais são as outras células do sistema nervoso?
O neurônio é a principal, mas não é a única. As outras se chamam células da glia, ou neuróglia, e cuidam de sustentação, nutrição e isolamento dos neurônios.
Um dado que mudou: durante muito tempo se disse que havia muito mais células da glia do que neurônios. Hoje se entende que a quantidade é semelhante, embora a proporção varie de região para região do encéfalo.
São três tipos que valem a pena guardar:
- Células de Schwann e oligodendrócitos. São dois tipos diferentes, e ambos fabricam a bainha de mielina — enrolam-se no axônio para criar aquela camada extra. A diferença entre eles é o endereço: um atua no sistema nervoso central, o outro no periférico.
- Astrócitos. São a célula da glia mais numerosa. Além de sustentar os neurônios, participam da barreira hematoencefálica. O nome assusta, mas se desmonta sozinho: hemato é sangue, encéfalo é o cérebro e o que está em volta. É o filtro que decide o que passa da corrente sanguínea para o sistema nervoso, e o contrário.
- Micróglia. Tem função fagocitária. Fago vem de comer: ela circula eliminando substâncias inúteis ou prejudiciais, como uma célula de defesa.
O que significa dizer que uma área do cérebro está ativada?
Significa que aqueles neurônios foram despolarizados. Em repouso, o interior da célula é negativo em relação ao lado de fora — em torno de -70 mV. Essa diferença de carga existe porque há íons dos dois lados da membrana, como sódio, potássio, cálcio e cloro.
Quando chega um estímulo, a célula começa a ficar menos negativa. Ao atingir -55 mV, que é o limiar, abrem-se canais de sódio. O sódio é positivo, entra em enxurrada, e o interior salta para perto de +40 mV. Esse pico é o potencial de ação.
Depois vem a fase descendente: a célula volta ao potencial de repouso, negativa de novo, pronta para ser ativada outra vez. Então quando alguém diz que uma região do cérebro está altamente ativada, está dizendo isto — e não outra coisa.
Como os neurônios se comunicam entre si?
Por sinapse. E há dois tipos.
A sinapse elétrica é a simples: substâncias chamadas conexinas ligam um neurônio ao outro, e a carga elétrica passa direto de um para o outro. É pouco frequente e importa pouco para a clínica.
A sinapse química é a que interessa. Neste caso os neurônios não se encostam: existe um espaço entre eles, a fenda sináptica. Quando o potencial de ação chega às terminações nervosas do axônio, a carga positiva faz entrar cálcio na célula. O cálcio se liga a vesículas cheias de neurotransmissores, e esses neurotransmissores são liberados na fenda. Do outro lado, eles se encaixam em receptores do dendrito seguinte e abrem canais iônicos ali.
O que a mensagem diz depende do neurotransmissor. Os excitatórios tentam ativar a célula seguinte; os inibitórios impedem que ela se ative.
| Característica | Sinapse elétrica | Sinapse química |
|---|---|---|
| Como as células se ligam | Conexinas unem um neurônio ao outro | Não se encostam: há um espaço entre elas, a fenda sináptica |
| O que passa | A carga elétrica, direto de uma célula para a outra | Neurotransmissores, liberados de vesículas quando o cálcio entra na célula |
| Frequência | Pouco comum | A maior parte das sinapses |
| Peso na clínica | Pequeno | É onde agem serotonina, dopamina, glutamato e GABA, e onde entra a conversa sobre ansiolíticos |
Onde isso encosta na saúde mental
Serotonina, noradrenalina e dopamina são neurotransmissores — são essas moléculas que atravessam a fenda. Quando existe defasagem nessa comunicação entre neurônios, sintomas podem aparecer. Toda a conversa sobre "neurotransmissor do bem-estar" é, no fundo, uma conversa sobre este mecanismo.
Dois exemplos fecham a lógica. O glutamato é excitatório: abre canais de íons positivos, o que aumenta a chance de o neurônio seguinte atingir o limiar e disparar. O GABA é inibitório: abre canais de íons negativos, deixando a célula mais negativa ainda, e assim dificulta a ativação. É por essa porta que entra a discussão sobre ansiolíticos.
| Neurotransmissor | Tipo | O que faz no neurônio seguinte | Onde a aula encosta na clínica |
|---|---|---|---|
| Glutamato | Excitatório | Abre canais de íons positivos; a célula se aproxima do limiar de -55 mV e tende a disparar (potencial excitatório pós-sináptico) | A ativação em cadeia de uma via neural |
| GABA | Inibitório | Abre canais de íons negativos; a célula fica mais negativa e não dispara | Ansiedade e ansiolíticos |
| Serotonina, noradrenalina e dopamina | Os chamados "do bem-estar" | A aula não detalha o mecanismo; fica para as aulas seguintes | Sintomas quando essa comunicação está defasada |
Se ansiedade e depressão são fisiológicas, a terapia serve para quê?
É a objeção honesta, e ela tem resposta. Se o problema é físico, e se existe medicação que age sobre ele, poderia parecer que conversar não muda nada.
Só que o sistema nervoso é plástico: ele se molda e se modifica conforme as experiências. O exemplo mais concreto está nos dendritos. Cada dendrito é coberto de espinhos dendríticos, e cada espinho desses faz uma sinapse própria, compartimentalizada. Eles podem ser criados e desfeitos em questão de minutos.
Isso vale nas duas direções. A mesma plasticidade que instala um trauma é a que permite dessensibilizar o sistema nervoso na terapia.
A fobia de barata, passo a passo
Imagine os neurônios como pontos a serem ligados. Os neurônios que guardam a memória do que é uma barata se conectam aos que representam medo e ansiedade, e essa ligação passa a associar barata com perigo.
Aí entra o reforço. Cada susto — alguém gritou, alguém jogou uma barata de brinquedo — estimula aquela via em alta frequência, e ela vai ficando mais sensível, mais forte, mais fácil de disparar. Esse é o mecanismo chamado LTP, potenciação de longa duração.
A terapia trabalha do outro lado. Ela constrói uma via neural nova, uma forma diferente de lidar com a mesma barata, e reforça essa via nova. A antiga passa a ser estimulada em frequência baixíssima, e enfraquece. É a LTD, depressão de longa duração — nome que não tem relação nenhuma com o transtorno depressivo; descreve o enfraquecimento de uma sinapse pouco usada.
É por isso que a terapia funciona. E é pelo mesmo mecanismo que os problemas surgiram. A próxima aula sai da célula e vai para a neuroanatomia, onde essas conexões viram estruturas com nome.
Na clínica
- A psicoeducação muda de peso. Explicar pela teoria da mente costuma soar como mais do mesmo para o paciente. Explicar pelo mecanismo dá a ele autonomia na mudança e aumenta o engajamento no processo.
- A objeção do paciente medicado tem resposta técnica. "Se é química, para que terapia?" se responde com espinho dendrítico e LTD, não com discurso motivacional.
- O raciocínio clínico fica mais fundo. Entender o mecanismo por trás de um transtorno muda o que se entende também sobre a intervenção.
- Ainda são poucos os terapeutas que dominam isso, e isso aparece na confiança do paciente e no valor da consulta.
- Cuidado com a ordem. Começar pelas áreas do cérebro, sem passar pela célula, produz um conhecimento que soa bem e está errado.
Perguntas frequentes
O que é a barreira hematoencefálica?
É o filtro entre a corrente sanguínea e o sistema nervoso. O nome se desmonta sozinho: hemato é sangue, encéfalo é o cérebro e o que está em volta dele. Os astrócitos, a célula da glia mais numerosa, participam dessa barreira. É por causa dela que muitas substâncias presentes no sangue não conseguem chegar ao cérebro, e o caminho contrário também é filtrado.
O que é um espinho dendrítico?
É uma pequena saliência na superfície do dendrito. Cada espinho faz uma sinapse própria, compartimentalizada, e eles podem ser criados e desfeitos em questão de minutos. É a forma mais concreta de ver a plasticidade do sistema nervoso: quando uma via é reforçada, espinhos surgem; quando deixa de ser usada, eles somem. Trauma e terapia mexem nesse mesmo mecanismo.
Por que a psicoeducação baseada em neurociência engaja mais o paciente?
Porque explicar pela teoria da mente costuma soar como mais do mesmo, e o paciente sente que aquilo não basta. Isso gera pouca valorização do trabalho do profissional e falta de engajamento. Quando a explicação vem do mecanismo, o paciente ganha autonomia na mudança, confia mais no terapeuta e se engaja mais no processo, o que se traduz em resultados melhores.
Há mais células da glia do que neurônios?
Durante muito tempo se ensinou que sim, que a glia era muito mais numerosa. O entendimento atual é que a quantidade é semelhante à de neurônios, com variação de região para região do encéfalo. As células da glia cuidam de sustentação, nutrição e isolamento: células de Schwann e oligodendrócitos fabricam a mielina, astrócitos formam a barreira hematoencefálica e a micróglia faz a limpeza.
O que são LTP e LTD?
São dois tipos de neuroplasticidade. Na potenciação de longa duração, ou LTP, uma via neural estimulada em alta frequência fica mais sensível, mais forte e mais fácil de disparar: é assim que um trauma se reforça a cada susto. Na depressão de longa duração, ou LTD, a via estimulada em frequência baixíssima enfraquece. O nome não tem relação com o transtorno depressivo.
Glutamato e GABA fazem o quê?
São exemplos dos dois tipos de neurotransmissor. O glutamato é excitatório: abre canais de íons positivos e aumenta a chance de o neurônio seguinte atingir o limiar e disparar. O GABA é inibitório: abre canais de íons negativos, deixa a célula mais negativa e dificulta a ativação. É por esse mecanismo que passa a conversa sobre ansiedade e ansiolíticos.
Transcrição do vídeo (6.302 palavras)
Transcrição automática do áudio da aula, sem revisão, dividida pelos capítulos do vídeo.
00:00 Primeira aula do curso gratuito e quem é Lucas Kane
muito bem seja muito bem-vindo muito bem-vinda a primeira aula do nosso curso gratuito de neurociências para terapeutas é um prazer estar aqui com você se você não me conhece eu sou Lucas Ken sou biólogo neurocientista formado e pós-graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais também sou terapeuta e utilizo aplico também ensino neurociências aplicadas à terapia já há muitos anos é o que eu mais amo fazer e eu tenho certeza que você vai se apaixonar pelas neurociências assim como eu me apaixonei lá atrás tá então claro isso aqui é uma proposta de um mini curso de neurociências para terapeutas em que vocês vão aprender já de uma forma bastante aprofundada Afinal a maioria das vezes quando terapeutas cursos de terapia por aí mencionam neurociência até dentro da própria Academia da Psicologia graduação em psicologia geralmente é um conteúdo muito superficial e os meus alunos sempre falam como que eles conseguem aprender às vezes muito mais do que eles aprenderam em pós-graduações com conteúdo que eu e minha equipe costumam trazer por aqui tá então eu tenho certeza que a gente vai mergulhar aí nas neurociências é claro que a gente não vai esgotar todo o conteúdo que existe sobre isso afinal é um conteúdo extremamente amplo e a ideia é ensinar neurociências de forma aplicada aquilo que realmente faz sentido e é útil para a psicoterapia né então para isso a
01:12 Do neurônio à prática clínica: por onde o curso começa
gente precisa sim começar do básico entender sobre o neurônio a comunicação neuroanatomia neurofisiologia mas daí nós vamos aprofundando para aquilo que realmente faz sentido ser utilizado numa prática Clínica né então psicoeducação raciocínio Clínico valorização do trabalho do terapeuta são os principais pontos que eu acredito que as neurociências conseguem realmente transformar a carreira do profissional da Saúde Mental seja você psicólogo psicanalista terapeuta integrativo enfim nós acolhemos aqui todo tipo de terapeuta todo tipo de profissional de saúde principalmente da Saúde Mental mas de vez em quando também temos aqui médicos fisioterapeutas que gostam de aprender com a gente então seja muito bem-vindo tá como que vai funcionar esse curso os cursos eles estaram dispostos aqui em diferentes temas em que a gente vai falar primeiramente sobre neurobiologia celular depois nós vamos aprofundar em neuroanatomia neurofisiologia aí falaremos sobre transtornos psicopatologias e por fim intervenções clínicas também tá então nós iremos apresentar ao longo desse curso vários slides né o material do curso e para você ter acesso a esse material é muito importante que você faça a sua inscrição no curso como que você faz a inscrição nesse curso gratuito aqui abaixo na descrição vai ter um link para que você possa fazer essa inscrição tá rapidinho você faz isso e você vai ter acesso ao material ao aos slides que serão mostrados ao longo dessas aulas Tá bom então muito importante né ou agora ou ao final dessa aula vai aqui na descrição e faça o download do material É só fazer uma inscrição bem rapidinha Beleza então mais uma vez a ideia é que vocês possa aprender do zero Desde daquela parte mais básica sobre o neurônio até a parte mais aplicada E para isso nada faz mais sentido do que nós começarmos explicando sobre o neurônio né falar sobre neurobiologia celular e aí depois Sim nós vamos aprofundando em outros temas tá E antes de começar já quero adiantar falando sobre esses três grandes pontos por que que aprender neurociências é tão importante para o terapeuta o primeiro
03:18 Psicoeducação que faz o paciente parar de achar mais do mesmo
ponto é o a questão da psicoeducação hoje é entendido de que psicoeducar seu paciente é fundamental para que ele tenha autonomia na mudança consiga se engajar mais no processo terapêutico e assim então ele consiga ter melhores resultados e muitas vezes a psicoeducação a partir das teorias da mente elas podem ser assim muito didáticas interessantes mas muitos pacientes sentam que aquilo não é suficiente parece um Pouco Mais do Mesmo né isso traz tanto uma noção de pouca valorização do trabalho do profissional como também falta de engajamento Então quando você traz uma psicoeducação com base nas neurociências ele ganha muito mais autonomia confia muito mais no seu trabalho e consegue se engajar mais no processo o se segundo ponto é o raciocínio Clínico vocês vão perceber Como que o entendimento sobre os transtornos e as intervenções passa a ser muito mais aprofundado depois de entender sobre a neurociência humana e por fim como já comecei a adiantar é a
04:13 Poucos terapeutas dominam neurociências, e isso muda o valor da consulta
valorização do trabalho ainda são poucos os terapeutas psicólogos que realmente dominam neurociências Então quando você traz isso para suas pras suas comunicações você pode ter certeza que as pessoas vão confiar mais no seu trabalho estarão mais dispostas a fazer uma consulta com você pagar mais pela sua consulta tá então são três grandes pontos três grandes Pilares que vão fazer a diferença na sua carreira então sem mais delongas vamos entrar no conteúdo da aula de hoje e para começar né É sempre importante começar do começo vamos falar sobre neurobiologia celular como que os neurônios se comunicam tá então a gente vai buscar aprofundar nisso mas de uma forma didática sem ter que entrar em temas que possam ser muito mirabolantes eu vou compartilhar a tela do meu computador e vamos ver se vocês vão conseguir ver aqui certinho tá tá eu acredito que a tela do meu computador já esteja aparecendo para vocês então o tema da aula de agora é sobre neurobiologia celular tá bom e vai deixando aí o seu comentário aqui abaixo inclusive já te convido a fazer sua inscrição também no canal é importante que você esteja inscrito para você poder ir acompanhando todo o conteúdo novo que sair por aqui eu tô sempre falando sobre saúde mental e já deixa um gostei aqui abaixo também se você tá achando interessante aprender sobre neurociências gratuitamente tá bom é muito importante também para ajudar o canal e ajudar na divulgação Então vamos falar sobre neurobiologia celular quando
05:36 Neurociência é biologia integrada à psicologia e à filosofia
a gente fala sobre esses termos né Podem parecer um pouquinho mirabolantes Mas querendo ou não quando a gente fala de neurociências nós estamos falando sobre a integração da biologia da neurobiologia com a psicologia com a filosofia Então nós vamos integrar isso nós vamos falar sobre a parte mais aplicada mas não é a gente não consegue aplicar uma coisa que a gente já não entenda né A Essência dela então a gente precisa começar pela parte mais biológica pela parte mais neurobiológica para depois fazer associações muitos conteúdos e cursos de neurociência por aí pulam essa parte e já querem direto falar sobre áreas do cérebro sobre funcionamento acaba que você fique com uma noção totalmente distorcida das coisas uma ve às vezes até incorreta né então você sai de lá com um conhecimento muito defasado é importante a gente começar falando sobre a parte microscópica como que os neurônios que estão entes do nosso sistema nervoso se comunicam aí depois a gente vai pra parte mais macroscópica tá então eu não
06:34 Lembra da célula das aulas de biologia do ensino médio?
sei se você lembra de alguma coisa lá das aulas de biologia se você não é da área das biológicas at você não fez uma faculdade na área da saúde Mas aulas de de biologia costumam trazer um pouco dessas ideias todas né se você olhar aqui para essa imagem que já tá no nosso na nossa capa talvez se vocês cortarem aqui esse prolongamento pensar só nessa bolinha aqui com núcleo vocês vão lembrar da célula né a célula é o carionte que a gente aprende tanto lá na no ensino médio que é basicamente o a unidade básica dos seres vivos aqui o núcleo né Onde está o nosso DNA Então nós vamos falar sobre as células nervosas que são tipos específicos de células presentes no nosso sistema nervoso tá bom então vamos lá para o conteúdo claro que se nós estamos falando sobre sistema nervoso nós estamos falando sobre neurônios vamos falar sobre o neurônio mais uma vez ignora aqui esses prolongamentos né essas esses neurit que são o dendrito e o axone ignora toda essa parte pensa só nessa parte redondinha aqui ó se você pensar só nessa parte redondinha você vai lembrar daquele formato típico da célula que a gente aprende lá des da biologia do ensino médio que é a unidade básica de todo ser vivo então todos os seres vivos são compostos primariamente de células com exceção dos vírus né que é aquela treta toda que tem gente que fala que não é ser vivo Tem gente que fala que é mas vamos ignorar os vírus e
07:58 Da bactéria ao seu braço: tudo é feito de células
pensar em todos os outros seres desde a bactéria o protozoário a planta o animal Enfim tudo é composto de células né então aqui o meu braço nesse momento seu braço seu corpo seus órgãos é tudo composto de pequenas unidade zinhas que nós chamamos de células e essas células T várias organelas substâncias dentro delas e elas se diferenciam de acordo com o tecido que elas estão então nós teremos células específicas no coração no pulmão células sanguíneas células imunológicas e aqui estamos falando sobre das células do sistema nervoso que tem as suas peculiaridades esse formato aqui é muito típico de um neurônio né você já viu alguma coisa sobre neurônio antes Provavelmente você viu Justamente esse formato de um corpo celular com prolongamentos esses prolongamentos nós vamos chamar de neurit a gente vai falar sobre isso já tá mas vamos lá os neurit eles são esses prolongamentos do nosso neurônio que são os dendritos e os axônios então aqui nós estamos vendo os dendritos E aqui estamos Estamos vendo os axônios o axônio né É claro que
09:02 O neurônio de verdade não é bonitinho como o desenho
quando nós falamos sobre a neuroimagem quando a gente vai aprofundar numa microscopia verdadeira de um neurônio isso aqui não vai ser bonitinho desse jeito não tá na verdade é bem mais complexo do que isso inclusive o dendrito aqui ele parece ser pequenininho né E você vai perceber que na verdade na microscopia o axônio ele é muito mais fininho do que o dendrito o dendrito ele se destaca muito mais do que o axônio Mas normalmente né a gente usa isso aqui como uma uma representação didática de como que é um neurônio e eu vou mostrar depois uma foto de verdade como o neurônio é Tá mas vamos pensar nisso aqui ó um corpo celular né que lembra a as outras células aqui no meio a gente tem o núcleo com o nosso DNA e tudo mais mas Aqui Nós Temos prolongamentos vários prolongamentos que nós chamamos de dendritos que são bem ramificados e temos um prolongamento aqui ó maior que é o que a gente chama de axônio tá e o que que são esses
09:57 Para que servem os prolongamentos do neurônio
prolongamentos Por que que o neurônio tem esses prolongamentos da célula bom Aqui é a principal célula do sistema nervoso tá então o neurônio ele é nós temos outras células do sistema nervoso que nós vamos mostrar para vocês mas o neurônio é a principal célula do sistema nervoso onde ele transmite informações as mais diversas possíveis mas os axônios esses prolongamentos aqui Eles transmitem informações através das terminações nervosas Então você tá vendo que aqui no finalzinho do axone a gente tem umas terminações a gente chamos aqui de terminações nervosas eles vão servir para poder transmitir uma informação para um próximo neurônio nós temos um monte de neurônios no nosso sistema nervoso Então os neurônios se comunicam entre si Então para que esse neurônio aqu ele possa comunicar com o próximo ele vai utilizar as terminações nervosas do axônio para poder passar essa informação para poder se comunicar com o próximo neurônio e o próximo neurônio
10:54 Chega pelo dendrito, passa pelo corpo, sai pelo axônio
recebe essa informação por onde aí pelo dendrito né então se um primeiro neurônio tá passando a informação pelo axônio o próximo neurônio vai receber a informação pelo dendrito então é um fluxo da informação nervosa a informação chega pelo dendrito passa pelo corpo celular e é transmitida pro próximo neurônio a partir das terminações nervosas do axônio tá Lucas mas que informação é essa eles falam neurônio vira um para pro outro aí ó como é que você tá bom demais não é só uma é uma comunicação eletroquímica nós vamos falar sobre isso mas por enquanto apenas saiba que esse aqui essa aqui é a principal célula do nosso sistema nervoso chamamos de neurônio com esses prolongamentos que são os dendritos e e o axônio tá então recebe informação pelo dendrito capta informação pelo dendrito passa pelo corpo celular onde a gente tem o nosso ponto de integração e aí é transmitido pro próximo neurônio a partir do axônio tá bom Ah Lucas O que
11:55 O rocambole em volta do axônio: a bainha de mielina
que é esse negocinho aqui que tá no aon que tá chamado aqui de B bainha de mielina né tá sendo chamado de bainha de mielina O que que significa isso no final das contas parece uma gelatina que um rocambole que tá e eh envolvendo esse axônio bom é uma camada Extra que aumenta a resistência externa da célula aumentando a velocidade de propagação da informação não são todos os neurônios que T essa bainha de mielina Tá mas os que tem vamos lembrar o axon ele transmite informação e vocês vão perceber na nossa aula de neuroanatomia de que no nosso sistema nervoso central a gente tem muitos corpos de neurônio então na nossa medula espinhal aqui na nossa coluna nós temos os corpos de vários neurônios inclusive daqueles que vão se comunicar lá com a ponta do nosso pé Então imagina o seguinte como é que um neurônio que tá no nosso na nossa coluna vai se comunicar lá com o dedão do pé de uma forma rápida aí essa banha de mielina é basicamente uma camada Extra que cria uma resistência e vamos pensar igual uma fita isolante né quando a fita isolante a informação elétrica não passa por ali então o que que acontece é que essa informação elétrica você vai perceber cá Lucas se isso aqui tá impedindo então a informação elétrica de passar El não vai passar por lugar nenhum bom mas aí você vai ver aqui ó
13:14 Transmissão saltatória: a informação pulando de ponto em ponto
que a gente tem alguns ponzinibbio aí a gente tem o que a gente chama de transmissão saltatória ou seja a informação elétrica ela vai ficar pulando daqui para cá daqui para cá daqui para cá isso vai aumentar a velocidade e propagação daquela informação então a informação que ela poderia passar de forma mais lenta ela aumenta consideravelmente a sua velocidade quando existe a bainha de Melina tá então resumo bainha de Melina é uma camada Extra de resistência que faz com que a informação elétrica ela vá saltando de um ponto pro outro E com isso a gente aumenta a velocidade de propagação daquela informação Beleza então isso aqui são as principais estruturas de um neurônio as células do nosso sistema nervoso se for tendo dúvida vai deixando os comentários aí abaixo tá aqui tá a referência é1 da
14:15 A foto real de um neurônio na microscopia avançada
imagem aí eu falei com vocês que eu ia mostrar uma imagem verdadeira de um neurônio né Como que o neurônio É de fato o neurônio na verdade é isso aqui ó é bem mais complexo do que essa outra imagem aqui tá bonitinha né a representação quando a gente vai para micro copia avançada isso aqui é um neurônio né nossa Lucas Que loucura né então nós temos aqui ó o corpo celular os vários dendritos né que esses vários ramificados aqui que saem da célula são os dendritos e na verdade o axônio ele provavelmente é esse aqui ó porque o axônio ele é apenas um que sai né só temos um único axônio saindo da célula e quando ele se Ram ele se ramifica muito pouco quando ele se ramifica ele se ramifica em 90 graus então provavelmente aqui a gente tá vendo alguns dendritos meio um em cima do outro né que tá gerando todas essas ramificações e possivelmente sa aqui seria o axônio que quando ele ramifica somente 90º mas aí nós teríamos que eh aprofundar mais nessa microscopia para saber o que que é o qu Tá mas só pra gente saber que isso aqui é um neurone de verdade é bem mais complexo do que parece muitas vezes beleza falei com vocês também de que os
15:28 As outras células do sistema nervoso: a glia
neurônios não são a única célula do nosso sistema nervoso nós temos outras células no sistema nervoso que tem funções secundárias mas extremamente importantes também a gente chama essas células de células da glia ou neuróglia tá eu vou passar rapidamente aqui porque elas são menos importantes para nós mas que elas são muito importantes pro nosso corpo Então são vários tipos celulares do sistema nervoso que possuem funções diversas como sustentação nutrição e isolamento dos neurônios eles têm uma quantidade semelhante de neurônios e células da glia ou seja até um tempo atrás as pessoas costumavam dizer de Que nós tínhamos muito mais células da glia do que neurônios e hoje a gente sabe que não nós temos mais ou menos a mesma quantidade de neurônios e células da glia tá então a mesma proporção total que nós temos aí de neurônios nós temos de células da glia embora dependendo do local do encéfalo algumas regiões vão ter mais neurônios e outras regiões vão ter mais células da gria tá quais são
16:29 Células de Schwann e oligodendrócitos fabricam a mielina
essas células da glia bom são três tipos celulares aqui que a gente precisa lembrar né são as células de Chã e os oligodendrócitos os astrócitos e a micróglia tá Ah Lucas que que é isso nomes muito complexos né claro eu não vou esperar que consigo decorar todos esses termos aqui mas são alguns algumas células importantes para nós as células de Chuan e os oligodendrócitos são dois tipos celulares diferentes Tá mas Ambos são responsáveis por criar a banha de mielina então nós acabamos de falar que essa bainha de mielina parece um rocambolo um negócio que ficaria enrolado na nossa axônio para poder aumentar essa resistência e esse rocambole e essa camada Extra na verdade é uma célula que é ou a célula de Chan ou o oligodendrócito são dois tipos celulares que se enrolam no axônio dos neurônios para poder criar a bainha de mielina tá Então essa é a função deles qual a diferença de um pro outro a diferença principal é que um tá no sistema nervoso central o outro tá no sistema nervoso periférico mas vocês precisam saber disso que eles criam essa bainha de mielina o astrócito é a a
17:31 O astrócito e a barreira hematoencefálica
célula da glia mais numerosa ela tá ali para gerar uma uma função principalmente sustentação dos neurônios Ela também tem uma outra função muito importante que é o que a gente chama de barreira hematoencefálica Nossa Lucas que nome complexo na verdade não é tão complexo não hemato vem de sangue né encéfalo a gente vai ter alo sobre neuroanatomia que é basicamente o cérebro tronco encefálico e tudo mais então basicamente essa barreira em hematoencefálica ela filtra o que que pode passar do sistema nervoso pra corrente sanguínea E vice-versa então é muitas substâncias não conseguem passar da corrente sanguínea para o cérebro justamente por conta da barreira hematoencefálica tá e a micróglia tem uma função fagocitária que que é fagocitária Lucas fago vem de comer né então tem várias células de Defesa do nosso corpo que tem essas funções fagocitárias elas vão comendo aquilo que não faz sentido tipo aquele pecman né ou seja ele vai por ali comendo substâncias que não são úteis ou que podem ser prejudiciais para nós então a micróglia teria quase que uma função de defesa né de eliminar substâncias indesejáveis do nosso sistema nervoso tá bom Então essas são as células da glia que são as outras células importantes do nosso sistema nervoso mas que não são os neurônios Tá bom então aqui a bainha de Melina sustentação e função fagocitária beleza Lucas já entendi que nós temos neurônios Eles Têm prolongamentos Nós temos outras células do sistema nervoso que também são importantes e agora Que
19:06 Que informação é essa que o neurônio passa adiante
mais que eu tenho que saber sobre essa comunicação entre eles como que um neurônio se comunica com o outro né se eu falei com vocês que o neurônio ele recebe informação pelo dendrito e passa informação depois pelo axônio que tipo de informação é essa essa é uma informação elétrica Nossa Lucas a gente tem corrente elétrica passando no nosso corpo tem né Nós temos uma corrente elétrica que passa no nosso corpo e Nós aprendemos ao longo tem toda uma história legal de como que isso foi sendo descoberto Mas o que você precisa saber é que o sistema nervoso ele se comunica de uma forma elétrica não só elétrica mas sim eletroquímica porque nós temos certas substâncias químicas do nosso corpo que levam também a essa essa informação elétrica a ser repassada
19:50 Dentro negativo, fora positivo: o neurônio em repouso
então esse aqui é um esquema que eu mesmo fiz tá mostrando olha só aqui tá falando intracelular e extracelular imagina que essa linha preta aqui do meio ela tá dividindo a parte de dentro da célula a parte de fora da célula isso aqui é como se fosse um neurônio tá então aqui é dentro do neurônio aqui é fora do neurônio quando o neurônio ele tá de boa ali em repouso sem fazer nada ele é negativo em seu interior e quando né Ele é negativo no seu interior comparativamente fora da célula então é positivo então nós temos essa polarização dentro da célula negativa fora da célula positivo no momento que o neurônio tá de boa Paradão sem fazer nada tá e nós temos vários íons né Que que é isso aqui Lucas k+ na mais ca2 + CL Men são íons são ah átomos carregados vamos dizer assim que estão presentes ali nas nossas células então nós temos tanto dentro quanto fora da célula nós temos várias substâncias e no final das contas o que nós temos que saber é que o neurônio ele é negativo no seu interior positivo do lado de de
20:59 O limiar de -55 mV e a enxurrada de sódio
fora quando por algum motivo nós vamos falar que motivo é esse esse neurônio recebeu um estímulo para poder abrir certos canais iônicos certos canais que vão fazer entrar eh alguns íons para dentro da célula o que vai acontecer isso aqui ó tava ali ó o neurônio de boa num potencial de membrana de -70 MV ou seja ele tava negativo tá vendo o neurônio no potencial de repouso dele quando ele tá Tranquilão ele é mais ou menos -70 negativo aí tava de boa lá sem fazer nada aí de repente surgiu um estímulo que estímulo é esse Lucas vamos falar depois recebeu um estímulo que fez esse neurônio começar a ficar menos negativo olha só ele começou a chegar lá no Men 55 quando chegou nesse Limiar aqui que é do -55 abrem-se certos canais iônicos de sódio o sódio por ele ser positivo tem uma enchurrada de carga positiva entrando ali pra célula e com isso aquele neurônio que era negativo ele vai rapidamente ficar positivo lá no mais 40 MV é no momento que tem esse pico que tem esse limar esse potencial de ação é que a gente fala que aquele neurônio foi ativado sabe quando você
22:14 O que significa dizer que uma área do cérebro está ativada
escuta assim certa área do cérebro está altamente ativada certo neurônio foi altamente ativado Isso significa que aquele neurônio foi despolarizado ele saiu da sua do seu da sua carga negativa e foi para uma carga positiva saindo lá do MEN 70 MV e chegou nesse Limiar abriram-se esses canais ele teve uma enchurrada de carga positiva para dentro e ficou positivo em seu interior tá então essa aqui é a ativação do neurônio essa ativação do neurônio vai fazer com que ele se comunique com outros neurônios a partir da sinapses que nós vamos falar daqui a pouco tá nós temos
22:51 A fase descendente e a volta ao potencial de repouso
depois aqui em seguida essa fase descendente que é quando o neurônio ele vai voltando lá pro seu potencial de repouso né ele volta pro seu potencial negativo para que ele possa estar pronto para ser ativado mais uma vez Então mais uma vez ó o neurônio aqui ele estava negativo no seu interior houve algum estímulo que fez com que abrissem certos canais chegou nesse Limiar abriu os canais de sódio ele ficou positivo fez o seu papel depois ele volta a ficar negativo de novo costumo dizer que is a parte mais complexa para entender neurobiologia celular mas aqui a gente está tentando trazer da forma mais resumida possível tá bom então ele tava lá negativo quando surgiu esse estímulo que fez ele ficar positivo o que aconteceu olha só tá vendo que tem aqui ele tá o k mais bem maior do que os outros íons o na mais por exemplo que é o íon sódio tá bem maior do lado de fora o que aconteceu é que o sódio entrou né esse Ana mais significa o ion sódio tá que é um é o sódio carregado positivamente Então esse sódio ele entrou massivamente pra célula fazendo com que ela ficasse pos Então antes ela era negativa depois ficou positiva no seu interior e aí depois ela vai voltar a ser negativa de novo
24:06 Recapitulando: estímulo, carga positiva e comunicação
tá beleza Lucas então já entendi o que que é o neurônio já entendi que tem outras células da guia e já entendi que o neurônio se ativa no momento que algum estímulo faz com que tenha uma carga massiva de sódio para dentro então ele deixa de ser negativo fica positivo no seu interior depois ele vai voltar ficar negativo de novo agora como que esse neurônio se comunica com o próximo neurônio agora bom E aqui só mostrando né que ele vai voltar a ficar negativo de novo então mais uma vez estímulo ficou positivo voltou a ficar negativo só que no momento que ele ficou positivo antes dele voltar a ficar negativo aqui ele passa essa carga elétrica para o próximo neurônio elas ele se comunica com o próximo neurônio então o que que é esse estímulo aqui que fez o neurônio se ativar foi justamente a comunicação de um outro neurônio com ele e assim esse neurônio também vai se comunicar com o próximo a comunicação entre neurônios é
25:01 Sinapse elétrica: as conexinas ligando um neurônio ao outro
chamada de sinapse tá então a sinapse é a comunicação entre neurônios toda vez que um neurônios comunica com o outro a gente chama aquilo de sinapse o primeiro tipo de sinapse é muito simples só que é menos comum menos importante pra gente que é o quê é a sinapse Elétrica A sinapse elétrica ela é muito simples basicamente existem substâncias que nós chamamos aqui de conexinas essas conexinas ligam um neurônio ao outro e a carga elétrica é passada diretamente de um neurônio para outro então aqui tava positivo passa positivo para cá ou o contrário aqui tá é só isso tem nada mais pra gente poder falar sobre sinapse elétrica extremamente simples só que não é a mais importante aqui pra gente tá a mais
25:50 Sinapse química, cálcio, vesículas e fenda sináptica
importante pra gente é uma sinapse mais complexa que acontece que é chamada de sinapse química tá olha só complexidade da sinapse química aqui meu Deus do céu Lucas não vou entender isso aqui não precisa entender muitos detalhes agora tá só o que você precisa saber é o seguinte olha só tá vendo aqui tá falando potencial de ação esse aqui é um neurônio que foi ativado que passou por esse processo aqui né então aqui ó ele ficou positivo no interior agora que ele tá positivo no interior dele esse potencial de ação vai chegando lá no quê nas terminações nervosas do axônio que vai se comunicar com o próximo neurônio essa carga positiva vai fazer entrar o cálcio que é uma um outro íon para dentro da célula vai se ligar a essas vesículas contendo o que a gente chama de neurotransmissores e vai liberar esse neurotransmissor nesse espaço que fica entre um neurônio e outro então as sinapses químicas não acontece um neurônio se encostando com o outro passando a carga diretamente entre um e outro elas acontecem separadas fica um espacinho entre um neurônio e o outro queer a gente chama de fenda sináptica essa fenda sináptica é um espacinho ali onde vão se acumular certas substâncias que são esses neurotransmissores então o
27:06 Neurotransmissores que mandam ativar ou mandam calar
neurônio que ele foi despolarizado que ele ficou positivo que ele foi ativado ele vai liberar esses neurotransmissores que são um substanci zinhas que vão sinalizar pro próximo neurônio que ele deve se ativar ou se inibir tá nós temos neurotransmissores excitatórios e neurotransmissores inibitórios os neurotransmissores excitatórios eles vão tentar ativar a próxima célula e os neurotransmissores inibitórios vão fazer com que aquela célula não se ative de jeito nenhum tá olha aqui ó o neurotransmissor sendo liberado ele se liga um receptor da próxima célula então se eu falei com vocês que o neurônio recebe informação pelo dendrito e passa pelo axone Então essa aqui que tá passando informação É o quê É o axônio Né o axônio de um neurônio que tá se comunicando com o dendrito do próximo neurônio Então esse neurotransmissor se liga aqui ao receptor desse dendrito dessa outra célula e quando ele se liga ele vai trazer uma informação para abrir aqueles canais iônicos para que o próximo neurônio seja ativado ou inibido tá eu sei que pode parecer complexo quando a gente tem o primeiro contato com isso aqui e eu prometo para vocês que as próximas aulas elas se tornam bem mais simples mas se a gente prestar bastante atenção vai perceber que não é algo tão complexo assim é basicamente vamos lá vamos voltar lá atrás o neurônio tava negativo dentro aí teve um estímulo que estímulo foi esse foi a sinapse do outro neurônio com ele né esse estímulo fez Abrir sete canais iônicos o sódio entrou para dentro a célula ficou positiva no seu interior depois ela vai voltar a ficar negativa mas enquanto ela tá positiva ela passa a carga pro próximo neurônio seja a partir da sinapse elétrica que é diretamente entre um e outro seja a partir de moleculas inhas chamadas neurotransmissores esses ne transmissores se ligam a próxima célula fazendo Abrir canais iônicos para poder ativar ou inibir aquela outra célula
29:06 Serotonina e dopamina: onde isso encosta na saúde mental
Tá e aí pessoal por que que é tão importante pode falar assim ahc mas que que isso tem a ver com a terapia com a ansiedade com depressão galera isso aqui tem tudo a ver na verdade isso aqui é tudo que a gente precisa saber por quê esses neurotransmissores eles são extremamente relevantes quando a gente fala sobre saúde mental Vamos pensar a própria serotonina noradrenalina dopamina que tá todo mundo falando por aí né são os neurotransmissores da felicidade do Prazer do bem-estar são neurotransmissores todos esses termos que a gente discuta por aí serotonina dopamina são nomes de neurotransmissores são essa essas moleculin que servem para poder comunicar entre um neurônio e outro e se a gente tem alguma defasagem nessa comunicação neuronal nesses neurotransmissores certos sintomas podem surgir Então nós vamos aprofundar e vocês vão ver como que nós n próximas aulas vai ficar cada vez mais claro como que tudo isso aqui se relaciona com saúde mental Tá mas claro a gente precisa começar do começo e na nossa próxima aula a gente vai sair da parte microscópica E pensar um pouco na parte mais macroscópica em anatomia e aí sim a gente vai começar a entender como que isso tudo funciona diferentes funções Tá
30:18 Glutamato excita, gaba inibe e a conversa sobre ansiolíticos
bom então as sinapses químicas podem ser a partir de neurotransmissores excitatórios Como por exemplo o glutamato é um exemplo de neurotransmissor eh excitatório ele abre canais de íons positivos como na mais e com isso aumenta as chances do neuron atingir o Limiar de ação e disparar um potencial de ação que a gente chama de potencial excitatório pós-sináptico Lucas não entendi resumo da obra O neurotransmissor excitatório tenta ativar a próxima célula fazendo com que abram-se canais positivos e já os neurotransmissores inibitórios Como por exemplo o gaba que é muito importante isso aqui pra gente falar de ansiedade e ansiolíticos depois tá eles abrem canais de íos negativos fazendo a célula ficar mais negativa ainda então inibindo né a ativação daquela célula Tá
31:02 Se é fisiológico, a terapia não serviria para nada?
bom E aí uma coisa importante pra gente poder finalizar aqui a aula de hoje é fala sobre neuroplasticidade tá Lucas tô entendendo Então como os neurônios se comunicam como eles são né como eles passam informação de um pro outro agora como que os problemas se desenvolvem como que a terapia atua nisso tudo se parece que é uma questão tão fisiológica né tô falando que que antidepressivo a depressão A ansiedade pode ser causada por um problema fisiológico então a terapia não meio que não serve para nada né já que é tudo uma questão física então a terapia não vai ter ali um papel muito pelo contrário Qual que é a grande sacada aqui pessoal nosso sistema nervoso é plástico que que é plástico Como assim plástico quer dizer que ele se molda ele se modifica perante as nossas experiências Como assim Lucas como que pode o nosso sistema nervoso se modificar perante a nossas experiências um grande exemplo são os espinhos dendríticos eu falei com vocês que os dendritos eles recebem informações Então são partes do nosso neurônio que se comunica né com outros neurônios recebendo essas informações Só que cada dendrito tem um monte de espinhozinho aqui tem vários formatos possíveis desses espinhos que a gente chama de espinhos dendríticos e na verdade cada espinhozinho do dendrito faz uma sinapse compartimentalizada e esses espinhos eles podem ser criados ou desfeitos em questão de minutos questão de minutos um espino dendrítico pode surgir e criar uma nova sinapse criar uma nova uma nova conexão então vias neurais comunicações neurais são feitas o tempo todo e com isso Qual que é a conclusão geral é de que tanto para desenvolver coisas ruins nossos traumas né nossos transtornos quanto na terapia para poder gerar coisas boas mudanças de perspectivas dessensibiliza o sistema nervoso tá se modif ficando espinos dendríticos estão surgindo estão sendo desfeitos novas conexões neurais estão sendo feitas e tudo isso vai ficar claro ao longo da das nossas aulas mas ficar um pouquinho mais lúdico eu gosto de mostrar isso aqui ó Isso aqui é uma forma lúdica de entender isso nos seres humanos tá
33:16 A historinha de ligar os pontos e a fobia de barata
imagina que isso aqui como se fosse esses pontinhos como se fossem neurones Vamos pensar numa historinha de ligar os pontos aqui tá como se cada pontinho desse aqui fosse um neurônio E aí devido a alguma coisa que isso aqui é um trauma que tá surgindo no meu cérebro Então esse trauma ele tá sendo representado A partir dessa via nervosa certos neurônios esse neurônio ah cria um trauma aqui uma fobia de barata Então os neurônios que representam aqui a memória do que que é uma barata com os neurônios que representam o medo a ansiedade são interligados criando uma via neural fazendo associar barata com perigo aí a
33:52 LTP: cada susto deixando a via mais grossa
gente tem o reforço o que que é o reforço aqui ltp é um tipo de neuroplasticidade a gente chama de potência ação de longa duração se a gente estimula em alta frequência aquela via neural ela vai ficando mais sensível ela vai ficando mais forte ela vai ficando mais facilmente ativada Então vamos supor que eu passei por várias experiências em que eu vi barata alguém gritou alguém me assustou né tem aqueles brinquedinhos que o pessoal costuma utilizar aquelas barata falsa Alguém jogou uma barata falsa em mim toda vez que eu passei por uma experiência traumática eu fui reforçando aquela via neural aquela via neural foi ficando mais forte tá vendo que aquela tá mais mais grossa né tá mais vermelhinha Então essa via foi ficando mais reforçada só
34:33 A via nova da terapia e o enfraquecimento da antiga
que aí na terapia eu posso criar uma nova via neural uma nova forma de lidar com aquela barata né E quando eu crio essa nova via neural e eu reforço ela a partir de terapia de processos terapêuticos a antiga via neural vai se vai se enfraquecendo né aí acontece o que a gente chama de ltd Opa que é a depressão de longa duração não tem nada a ver com transtorno de depressão e sim de que se aquilo ali começa estimulado em baixíssima frequência há um enfraquecimento dessa sinapses então à medida que Um novo aprendizado surge aquela antiga via vai se tornando cada vez menos frequente até que ela vai se enfraquecendo deixando de fazer sentido pro paciente então tá vendo como é que o nosso sistema nervoso é plástico a partir das nossas experiências certas vias neurais vão se fortalecendo e outras vão se enfraquecendo isso acontece porque as sinapses elas vão se desfazendo vão se se construindo espinos dendríticos surgem e vão embora muito rapidamente tá então o que vocês precisam saber é que o sistema nervoso é plástico nós conseguimos modificar a forma com que ele se comunica e é por isso que terapia funciona o que faz sentido e é por isso também de que os nossos traumas nossos problemas surgem
35:47 Fechamento e o que vem na aula de neuroanatomia
Tá bom eu espero que tenha feito sentido para você essa primeira aula para você ter um primeiro contato sobre os neurônios sobre a comunicação entre eles e sobre como que o sistema nervoso é plástico tá bom na próxima aula a gente vai pra parte macroscópica entender como que essas células todas se desenvolvem em órgãos complexos Como por exemplo o cérebro né E as outras estruturas do nosso sistema nervoso eu te espero na próxima aula então tchau tchau
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Lucas Kane (Lucas Xavier Mafra) é biólogo pela UFMG, com pós-graduação em Neurociências pela mesma universidade e graduando em Psicologia. Ensina neurociência aplicada à prática clínica no Instituto Lucas Kane.