Curso Gratuito De Neurociência Online: As 6 Aulas Completas
Por Lucas Kane · publicado em 8 de setembro de 2026
O curso gratuito de neurociência para terapeutas e psicólogos são seis aulas de Lucas Kane no YouTube, pouco menos de três horas e meia no total, que percorrem o caminho inteiro da neurociência aplicada à clínica: a célula, o mapa do sistema nervoso, o funcionamento, os transtornos e as intervenções. Todas as aulas estão nesta página, com capítulos clicáveis, e o material de apoio sai por cadastro gratuito no link que está na descrição de cada vídeo.
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Capítulos do vídeo
- 00:00 Primeira aula do curso gratuito e quem é Lucas Kane
- 01:12 Do neurônio à prática clínica: por onde o curso começa
- 03:18 Psicoeducação que faz o paciente parar de achar mais do mesmo
- 04:13 Poucos terapeutas dominam neurociências, e isso muda o valor da consulta
- 05:36 Neurociência é biologia integrada à psicologia e à filosofia
- 06:34 Lembra da célula das aulas de biologia do ensino médio?
- 09:02 O neurônio de verdade não é bonitinho como o desenho
- 10:54 Chega pelo dendrito, passa pelo corpo, sai pelo axônio
- 11:55 O rocambole em volta do axônio: a bainha de mielina
- 15:28 As outras células do sistema nervoso: a glia
- 19:50 Dentro negativo, fora positivo: o neurônio em repouso
- 20:59 O limiar de -55 mV e a enxurrada de sódio
- 25:01 Sinapse elétrica: as conexinas ligando um neurônio ao outro
- 25:50 Sinapse química, cálcio, vesículas e fenda sináptica
- 27:06 Neurotransmissores que mandam ativar ou mandam calar
- 31:02 Se é fisiológico, a terapia não serviria para nada?
- 33:52 LTP: cada susto deixando a via mais grossa
- 34:33 A via nova da terapia e o enfraquecimento da antiga
Para quem é o curso e o que ele promete?
Para quem atende, ou quer atender, e nunca teve base sobre o cérebro do paciente. Na abertura da aula 1, Lucas Kane descreve o público que acolhe: psicólogos, psicanalistas, terapeutas integrativos, profissionais da saúde mental em geral e, de vez em quando, médicos e fisioterapeutas.
A proposta é ensinar neurociência de forma aplicada, só o que faz sentido e é útil para a psicoterapia, mas começando do básico. Segundo ele, quando cursos de terapia e até a graduação em Psicologia falam de neurociência, o conteúdo costuma ser superficial. Os três ganhos que ele promete são os mesmos em todas as aulas:
- Psicoeducação. Explicar o mecanismo ao paciente gera autonomia e engajamento. A explicação pela teoria da mente, diz ele, muitas vezes soa como mais do mesmo.
- Raciocínio clínico. O entendimento dos transtornos e das intervenções fica mais profundo quando se conhece o cérebro.
- Valorização do trabalho. Poucos terapeutas dominam o tema, e isso aparece na confiança do paciente e no valor da consulta.
Em que ordem assistir?
Na ordem das aulas, sem pular. A sequência é a mesma que ele defende para qualquer curso de neurociência: microscópico antes de macroscópico, mecanismo antes de nome. Pular a célula e ir direto para as áreas do cérebro é, nas palavras dele, o grande erro dos conteúdos de neurociência aplicada.
| Aula | Tema | Duração | O que fica |
|---|---|---|---|
| 1 | Neurobiologia celular | 36 min | Como o neurônio funciona e se comunica; por que a terapia muda o cérebro |
| 2 | Neuroanatomia | 24 min | Nomear e localizar as estruturas; encéfalo não é cérebro |
| 3 | Neurofisiologia | 55 min | Simpático e parassimpático, emoção, eixo HPA, memória e funções executivas |
| 4 | Psicopatologias | 36 min | O circuito da ansiedade, depressão, dependência, dor e paixão no cérebro |
| 5 | Intervenções clínicas | 36 min | Psicofármacos, hipnose, meditação e prática baseada em evidências |
| 6 | Fechamento | 17 min | O que o curso gratuito não esgota e como é a formação completa |
Aula 1: como os neurônios se comunicam
É o vídeo no topo desta página. A aula recupera a célula do ensino médio, percorre o neurônio e seus prolongamentos, explica a bainha de mielina como uma fita isolante que faz a informação saltar, apresenta as células da glia e chega à sinapse elétrica e à química. Fecha com a fobia de barata desenhada como uma via neural reforçada a cada susto, e a terapia como a construção de uma via nova enquanto a antiga enfraquece.
O conteúdo inteiro está em texto no artigo Como os neurônios se comunicam, com tabelas e transcrição.
Aula 2: neuroanatomia
Aula 2: Neuroanatomia
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Capítulos do vídeo
- 00:00 Segunda aula do curso e onde pegar os slides
- 01:54 Anatomia é nomear e localizar; a matéria dos vertebrados
- 02:39 Central e periférico: a primeira divisão
- 03:47 Brain não é cérebro: os zumbis pediam encéfalo
- 04:52 Tronco encefálico em três: mesencéfalo, ponte e bulbo
- 05:16 Nervos, terminações e o que é um gânglio
- 09:13 Esse inconsciente não é o de Freud
- 10:43 Cerebelo: pequeno cérebro, equilíbrio e lesão
- 11:32 86 bilhões de neurônios e mil sinapses em cada um
- 13:03 Se fosse liso, o cérebro precisaria ser gigante
- 13:46 Diencéfalo: tudo que termina em tálamo
- 15:14 O tálamo redistribui, o hipotálamo puxa os hormônios
- 15:39 Telencéfalo: dois hemisférios e a fissura longitudinal
- 16:51 Seis lobos, sulcos e circunvoluções
- 17:56 Cinzenta por fora, branca por dentro, núcleos no meio
- 19:21 Lobo frontal: planejamento e inibição de impulsos
- 20:09 Parietal, temporal e a visão que mora lá atrás
- 20:54 Ínsula: perceber o próprio organismo e a empatia
- 21:31 Lobo límbico, o mais controverso do mapa
- 22:00 O mapa inteiro recapitulado num fôlego
Anatomia, diz ele, é nomear e localizar. A aula sobe da escala da célula para a do sistema nervoso inteiro: a divisão em central e periférico, o que cabe dentro do encéfalo, onde termina o tronco encefálico e onde começa o cérebro. O ponto que reorganiza a cabeça de quem assiste é a correção de um erro comum: encéfalo e cérebro não são sinônimos, e a palavra inglesa que todo mundo traduz por cérebro nomeia o encéfalo inteiro, tronco e cerebelo incluídos.
Dali o mapa se abre: tronco encefálico em três partes e as funções vegetativas que ele controla, com a observação de que esse "inconsciente" não tem nada a ver com o de Freud; cerebelo, equilíbrio e movimento; diencéfalo, tálamo e hipotálamo; os dois hemisférios, os lobos, a substância cinzenta por fora e a branca por dentro. E o número que dá a dimensão do problema: cerca de 86 bilhões de neurônios, cada um com mais de mil conexões.
Aula 3: neurofisiologia
Aula 3: Neurofisiologia
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Capítulos do vídeo
- 00:00 Terceira aula: depois do neurônio e da anatomia, a fisiologia
- 02:47 A divisão que todo mundo repete por aí sem dominar
- 04:02 Qual dos dois deixa a gente tranquilão?
- 05:25 A zebra diante do leão na savana africana
- 08:04 Ereção e ejaculação: onde a divisão binária quebra
- 09:31 O que é emoção para as neurociências
- 13:03 Hormônio ou neurotransmissor: qual é a diferença
- 15:57 O eixo HPA, indispensável para falar de ansiedade
- 18:10 Cortisol é imunossupressor: o elo com a imunidade
- 22:38 O que é memória em termos de neurofisiologia
- 23:56 Engrama: o traço físico da memória no cérebro
- 27:05 Neurônios que disparam juntos permanecem juntos
- 28:58 O paciente H.M. e o acidente de bicicleta
- 33:24 Nem toda memória é hipocampo-dependente
- 35:33 Pavlov, as enzimas digestivas e a saliva dos cães
- 39:30 A fobia e a ansiedade social como condicionamento vivido
- 42:35 Depois de 10 repetições, só o som já congela o rato
- 43:56 O pequeno Albert, Watson e a barra de ferro
- 46:36 Evocar a memória desestabiliza o engrama
- 47:29 Todas as memórias são falsas em alguma medida
- 48:46 Teoria da interferência: a boa notícia terapêutica
- 50:34 Funções executivas: a definição de Zelazo e Müller
- 53:03 Lobo frontal e córtex pré-frontal: onde isso mora
A mais longa das seis, e a que mais rende para o consultório. Começa pelo sistema nervoso autônomo, órgão por órgão: o que o simpático faz com pupila, salivação, brônquios, coração, digestão e bexiga, e onde a leitura binária simpático contra parassimpático quebra. Passa pela definição funcional de emoção, pela diferença entre hormônio e neurotransmissor e pelo eixo HPA, com o cortisol como imunossupressor.
A segunda metade é sobre memória: o engrama como traço físico, o paciente que perdeu o hipocampo numa cirurgia de epilepsia e melhorava num teste motor sem lembrar de nunca tê-lo feito, Pavlov, o rato que congela só com o som e o pequeno Albert generalizando o medo. O momento central é a reconsolidação: o engrama se desestabiliza toda vez que é evocado, e é por isso que a terapia funciona, criando uma via nova que compete com a antiga. Fecha em funções executivas e córtex pré-frontal.
Aula 4: psicopatologias
Aula 4: Psicopatologias
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Capítulos do vídeo
- 00:00 Chegamos na parte que todo mundo quer: transtornos
- 02:42 Optogenética: o capacete no ratinho e o hipotálamo
- 05:17 O robô em forma de rato e a comida na caixa
- 07:28 O mesmo rato, agora sem amídala cerebral
- 08:21 O que é ansiedade para as neurociências
- 10:25 Do córtex auditivo ao tálamo e ao pré-frontal
- 11:27 Os pensamentos disparam a amídala e o eixo HPA
- 13:58 Sinto medo sem pensar em nada: a ponte tálamo-amídala
- 15:57 Reenquadrar crenças ou expor: como decidir
- 17:54 E a depressão? A teoria monoaminérgica
- 20:43 O que o inibidor seletivo de recaptação faz
- 22:45 Cocaína bloqueando a recaptação de dopamina
- 23:38 O neurônio se adapta, vem a tolerância e a dose sobe
- 25:36 Núcleo accumbens: prazer, motivação e impulsividade
- 28:58 Na dependência, o accumbens vence a inibição do pré-frontal
- 29:53 A dor física não é só física
- 31:41 Amores não correspondidos e términos no consultório
- 34:13 O luto acende as mesmas áreas da dor
A aula que todo mundo quer, e que só faz sentido depois das três anteriores. Abre com experimentos: o rato com um laser ligado no hipotálamo, que come até não caber mais e para no instante em que o laser apaga; o rato sem amígdala, que empurra o robô que antes o fazia fugir. Daí desce para o consultório e monta o circuito da ansiedade peça por peça, do córtex sensorial ao tálamo, do pré-frontal à amígdala, do eixo HPA ao coração acelerado.
Dessa montagem sai uma decisão clínica: quando há pensamento consciente sustentando o quadro, cabe reenquadramento; quando a via está tão reforçada que o tálamo manda direto para a amígdala, o caminho é exposição e mudança da fisiologia na crise. Depois vêm a teoria monoaminérgica da depressão, o que o inibidor de recaptação faz na fenda sináptica comparado à cocaína, a tolerância, o núcleo accumbens e o pré-frontal que freia. Termina com a dor que não é só física e a paixão com a assinatura de um vício.
Aula 5: intervenções clínicas
Aula 5: Intervenções Clínicas
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Capítulos do vídeo
- 00:00 A aula de intervenções clínicas do curso
- 01:03 Aqui não se ensina técnica, se ensina a neurobiologia por trás
- 02:51 Droga é tudo que entra no corpo com efeito além do nutricional
- 04:35 O mesmo Rivotril: ansiolítico numa dose, veneno na veia
- 06:27 Clonazepam e diazepam: os benzodiazepínicos mais comuns
- 08:28 O canal de GABA, a hiperpolarização e a amígdala que não dispara
- 09:43 A escada da dose: ansiolítico, sono, coma, morte
- 10:46 Antidepressivos, recaptação e a teoria monoaminérgica
- 12:17 Não existe uma neurociência da psicoterapia
- 13:37 Hipnose e meditação: o quadro do trabalho na UFMG
- 15:57 Do beta acordado ao delta do sono profundo
- 19:39 20 minutos por dia durante 5 dias já mudaram os scores
- 22:26 A imagem colorida vista como preto e branco sob sugestão
- 23:40 A dor apenas sugerida acende as mesmas áreas
- 27:00 Prática baseada em evidências não é só saber o que tem evidência
- 28:20 Eu sei que funciona porque vejo funcionar na minha prática
- 31:20 Os três pilares: evidência, expertise e o paciente
- 32:58 A pirâmide para quando a melhor evidência não serve
Aqui não se ensina técnica; ensina-se a neurobiologia por trás dela. A aula começa pelo psicofármaco, porque é a primeira coisa que o modelo biomédico oferece: por que todo fármaco é uma droga e nem toda droga é um fármaco, como o benzodiazepínico se liga ao canal de GABA e impede a amígdala de disparar, a escada da dose do efeito ansiolítico ao coma, e por que entender o remédio muda a conversa com o paciente mesmo para quem nunca vai receitar.
Depois vem a afirmação que organiza o resto: não existe uma neurociência da psicoterapia, porque toda terapia bem feita é um processo de plasticidade sináptica. Seguem hipnose e meditação, com o eletroencefalograma e dois experimentos de sugestão, e o fechamento em prática baseada em evidências: os três pilares, a admissão de que a evidência de boa parte da psicoterapia é fraca, e a pirâmide para quando a melhor evidência não serve ao paciente.
Aula 6: como continuar
Aula 6: Como continuar, e a formação completa
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Capítulos do vídeo
- 00:00 A sexta aula e o que o curso gratuito não consegue esgotar
- 02:01 O objetivo: psicoeducação, raciocínio clínico e valorização
- 04:02 Como a formação completa é dividida
- 06:02 Plataforma, apostila e masterclass
- 08:03 Suporte, aulas ao vivo e Robô Neuro
- 10:04 Checklist de ansiedade e certificado
- 12:04 Garantia tripla
- 14:04 Dois anos de acesso e investimento
A última aula é curta e tem outra função. Lucas Kane retoma o que o curso gratuito não consegue esgotar, porque a neurociência é um campo vasto e em atualização constante, e apresenta a formação completa: cada aula gratuita corresponde a um módulo inteiro dela. Ele detalha os módulos, os bônus, o certificado reconhecido pelo MEC, a garantia e o investimento.
Como pegar o material e acompanhar
- Slides e material de apoio: o cadastro gratuito está no link da descrição de cada aula, em neuroparaterapeutas.com.br/material-gratuito. É o mesmo cadastro para o curso inteiro.
- Capítulos: cada aula acima tem a lista de capítulos; clicar em um capítulo abre o player já naquele ponto.
- Transcrição: o artigo de cada aula, à medida que for publicado, traz a transcrição completa. O da aula 1 já está no ar.
- Dúvidas: ele responde nos comentários dos vídeos e na live semanal de perguntas do canal.
Na clínica
- A ordem do curso é um argumento clínico. Um terapeuta que aprendeu "amígdala" sem aprender sinapse explica o medo com um nome, não com um mecanismo. É essa a diferença que o paciente sente na psicoeducação.
- A aula 4 dá um critério de decisão. Pensamento consciente sustentando o quadro pede reenquadramento; via reforçada sem pensamento pede exposição e mudança da fisiologia. É o tipo de raciocínio que a aula 3 preparou.
- A aula 5 protege contra dois erros opostos. Achar que ninguém pode tomar remédio, e achar que a própria prática funciona porque o paciente melhorou. Melhora no desfecho não prova a intervenção.
- Toda terapia bem feita é neuroplasticidade. É a frase da aula 5 que responde ao paciente medicado que pergunta para que serve terapia se o problema é químico.
Perguntas frequentes
O curso de neurociência é gratuito mesmo?
Sim. As seis aulas estão públicas no YouTube e podem ser assistidas nesta página, sem cadastro. O que pede inscrição é o material de apoio, os slides que Lucas Kane mostra em cada aula: o link do cadastro está na descrição de cada vídeo e é o mesmo para o curso inteiro. A formação completa, paga, é outra coisa e é apresentada na aula 6.
Quanto tempo dura o curso gratuito?
Pouco menos de três horas e meia de aula, em seis vídeos. A mais curta é a aula 6, com 17 minutos; a mais longa é a de neurofisiologia, com 55. A ordem importa: neurobiologia celular, neuroanatomia, neurofisiologia, psicopatologias e intervenções. Lucas Kane repete em toda aula que pular a base produz um conhecimento distorcido.
Preciso ter formação em psicologia ou biologia?
Não. O curso foi feito para começar do zero, e a aula 1 recupera até a célula do ensino médio antes de falar de neurônio. O público que ele descreve na abertura é amplo: psicólogos, psicanalistas, terapeutas integrativos, e às vezes médicos e fisioterapeutas. A regra é ensinar só a neurociência que é útil e aplicável na psicoterapia.
O curso gratuito dá certificado?
As aulas não mencionam certificado para o curso gratuito. O certificado de 100 horas reconhecido pelo MEC, emitido pela Unifatec, é da formação Neurociências na Prática Clínica, que a aula 6 apresenta. Cada aula gratuita corresponde a um módulo inteiro dessa formação, que aprofunda o mesmo caminho.
Qual é a diferença entre o curso gratuito e a formação?
Profundidade e apoio. O gratuito percorre o caminho inteiro em seis aulas; a formação transforma cada aula em um módulo, com muito mais transtornos e intervenções, apostila de mais de 100 páginas, aulas ao vivo mensais, suporte do professor, um assistente com inteligência artificial e certificado. Lucas Kane diz que o gratuito não consegue esgotar o que o consultório exige.
Por onde começar se eu só quero entender ansiedade?
Pela aula 1 mesmo assim. A aula 4, sobre psicopatologias, monta o circuito da ansiedade peça por peça, mas cada peça foi apresentada antes: a sinapse na aula 1, tálamo e amígdala na aula 2, o eixo HPA e o cortisol na aula 3. Quem pula direto para a 4 recebe nomes sem mecanismo, que é exatamente o que ele critica.
Transcrição do vídeo (6.302 palavras)
Transcrição automática do áudio da aula, sem revisão, dividida pelos capítulos do vídeo.
00:00 Primeira aula do curso gratuito e quem é Lucas Kane
muito bem seja muito bem-vindo muito bem-vinda a primeira aula do nosso curso gratuito de neurociências para terapeutas é um prazer estar aqui com você se você não me conhece eu sou Lucas Ken sou biólogo neurocientista formado e pós-graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais também sou terapeuta e utilizo aplico também ensino neurociências aplicadas à terapia já há muitos anos é o que eu mais amo fazer e eu tenho certeza que você vai se apaixonar pelas neurociências assim como eu me apaixonei lá atrás tá então claro isso aqui é uma proposta de um mini curso de neurociências para terapeutas em que vocês vão aprender já de uma forma bastante aprofundada Afinal a maioria das vezes quando terapeutas cursos de terapia por aí mencionam neurociência até dentro da própria Academia da Psicologia graduação em psicologia geralmente é um conteúdo muito superficial e os meus alunos sempre falam como que eles conseguem aprender às vezes muito mais do que eles aprenderam em pós-graduações com conteúdo que eu e minha equipe costumam trazer por aqui tá então eu tenho certeza que a gente vai mergulhar aí nas neurociências é claro que a gente não vai esgotar todo o conteúdo que existe sobre isso afinal é um conteúdo extremamente amplo e a ideia é ensinar neurociências de forma aplicada aquilo que realmente faz sentido e é útil para a psicoterapia né então para isso a
01:12 Do neurônio à prática clínica: por onde o curso começa
gente precisa sim começar do básico entender sobre o neurônio a comunicação neuroanatomia neurofisiologia mas daí nós vamos aprofundando para aquilo que realmente faz sentido ser utilizado numa prática Clínica né então psicoeducação raciocínio Clínico valorização do trabalho do terapeuta são os principais pontos que eu acredito que as neurociências conseguem realmente transformar a carreira do profissional da Saúde Mental seja você psicólogo psicanalista terapeuta integrativo enfim nós acolhemos aqui todo tipo de terapeuta todo tipo de profissional de saúde principalmente da Saúde Mental mas de vez em quando também temos aqui médicos fisioterapeutas que gostam de aprender com a gente então seja muito bem-vindo tá como que vai funcionar esse curso os cursos eles estaram dispostos aqui em diferentes temas em que a gente vai falar primeiramente sobre neurobiologia celular depois nós vamos aprofundar em neuroanatomia neurofisiologia aí falaremos sobre transtornos psicopatologias e por fim intervenções clínicas também tá então nós iremos apresentar ao longo desse curso vários slides né o material do curso e para você ter acesso a esse material é muito importante que você faça a sua inscrição no curso como que você faz a inscrição nesse curso gratuito aqui abaixo na descrição vai ter um link para que você possa fazer essa inscrição tá rapidinho você faz isso e você vai ter acesso ao material ao aos slides que serão mostrados ao longo dessas aulas Tá bom então muito importante né ou agora ou ao final dessa aula vai aqui na descrição e faça o download do material É só fazer uma inscrição bem rapidinha Beleza então mais uma vez a ideia é que vocês possa aprender do zero Desde daquela parte mais básica sobre o neurônio até a parte mais aplicada E para isso nada faz mais sentido do que nós começarmos explicando sobre o neurônio né falar sobre neurobiologia celular e aí depois Sim nós vamos aprofundando em outros temas tá E antes de começar já quero adiantar falando sobre esses três grandes pontos por que que aprender neurociências é tão importante para o terapeuta o primeiro
03:18 Psicoeducação que faz o paciente parar de achar mais do mesmo
ponto é o a questão da psicoeducação hoje é entendido de que psicoeducar seu paciente é fundamental para que ele tenha autonomia na mudança consiga se engajar mais no processo terapêutico e assim então ele consiga ter melhores resultados e muitas vezes a psicoeducação a partir das teorias da mente elas podem ser assim muito didáticas interessantes mas muitos pacientes sentam que aquilo não é suficiente parece um Pouco Mais do Mesmo né isso traz tanto uma noção de pouca valorização do trabalho do profissional como também falta de engajamento Então quando você traz uma psicoeducação com base nas neurociências ele ganha muito mais autonomia confia muito mais no seu trabalho e consegue se engajar mais no processo o se segundo ponto é o raciocínio Clínico vocês vão perceber Como que o entendimento sobre os transtornos e as intervenções passa a ser muito mais aprofundado depois de entender sobre a neurociência humana e por fim como já comecei a adiantar é a
04:13 Poucos terapeutas dominam neurociências, e isso muda o valor da consulta
valorização do trabalho ainda são poucos os terapeutas psicólogos que realmente dominam neurociências Então quando você traz isso para suas pras suas comunicações você pode ter certeza que as pessoas vão confiar mais no seu trabalho estarão mais dispostas a fazer uma consulta com você pagar mais pela sua consulta tá então são três grandes pontos três grandes Pilares que vão fazer a diferença na sua carreira então sem mais delongas vamos entrar no conteúdo da aula de hoje e para começar né É sempre importante começar do começo vamos falar sobre neurobiologia celular como que os neurônios se comunicam tá então a gente vai buscar aprofundar nisso mas de uma forma didática sem ter que entrar em temas que possam ser muito mirabolantes eu vou compartilhar a tela do meu computador e vamos ver se vocês vão conseguir ver aqui certinho tá tá eu acredito que a tela do meu computador já esteja aparecendo para vocês então o tema da aula de agora é sobre neurobiologia celular tá bom e vai deixando aí o seu comentário aqui abaixo inclusive já te convido a fazer sua inscrição também no canal é importante que você esteja inscrito para você poder ir acompanhando todo o conteúdo novo que sair por aqui eu tô sempre falando sobre saúde mental e já deixa um gostei aqui abaixo também se você tá achando interessante aprender sobre neurociências gratuitamente tá bom é muito importante também para ajudar o canal e ajudar na divulgação Então vamos falar sobre neurobiologia celular quando
05:36 Neurociência é biologia integrada à psicologia e à filosofia
a gente fala sobre esses termos né Podem parecer um pouquinho mirabolantes Mas querendo ou não quando a gente fala de neurociências nós estamos falando sobre a integração da biologia da neurobiologia com a psicologia com a filosofia Então nós vamos integrar isso nós vamos falar sobre a parte mais aplicada mas não é a gente não consegue aplicar uma coisa que a gente já não entenda né A Essência dela então a gente precisa começar pela parte mais biológica pela parte mais neurobiológica para depois fazer associações muitos conteúdos e cursos de neurociência por aí pulam essa parte e já querem direto falar sobre áreas do cérebro sobre funcionamento acaba que você fique com uma noção totalmente distorcida das coisas uma ve às vezes até incorreta né então você sai de lá com um conhecimento muito defasado é importante a gente começar falando sobre a parte microscópica como que os neurônios que estão entes do nosso sistema nervoso se comunicam aí depois a gente vai pra parte mais macroscópica tá então eu não
06:34 Lembra da célula das aulas de biologia do ensino médio?
sei se você lembra de alguma coisa lá das aulas de biologia se você não é da área das biológicas at você não fez uma faculdade na área da saúde Mas aulas de de biologia costumam trazer um pouco dessas ideias todas né se você olhar aqui para essa imagem que já tá no nosso na nossa capa talvez se vocês cortarem aqui esse prolongamento pensar só nessa bolinha aqui com núcleo vocês vão lembrar da célula né a célula é o carionte que a gente aprende tanto lá na no ensino médio que é basicamente o a unidade básica dos seres vivos aqui o núcleo né Onde está o nosso DNA Então nós vamos falar sobre as células nervosas que são tipos específicos de células presentes no nosso sistema nervoso tá bom então vamos lá para o conteúdo claro que se nós estamos falando sobre sistema nervoso nós estamos falando sobre neurônios vamos falar sobre o neurônio mais uma vez ignora aqui esses prolongamentos né essas esses neurit que são o dendrito e o axone ignora toda essa parte pensa só nessa parte redondinha aqui ó se você pensar só nessa parte redondinha você vai lembrar daquele formato típico da célula que a gente aprende lá des da biologia do ensino médio que é a unidade básica de todo ser vivo então todos os seres vivos são compostos primariamente de células com exceção dos vírus né que é aquela treta toda que tem gente que fala que não é ser vivo Tem gente que fala que é mas vamos ignorar os vírus e pensar em todos os outros seres desde a bactéria o protozoário a planta o animal Enfim tudo é composto de células né então aqui o meu braço nesse momento seu braço seu corpo seus órgãos é tudo composto de pequenas unidade zinhas que nós chamamos de células e essas células T várias organelas substâncias dentro delas e elas se diferenciam de acordo com o tecido que elas estão então nós teremos células específicas no coração no pulmão células sanguíneas células imunológicas e aqui estamos falando sobre das células do sistema nervoso que tem as suas peculiaridades esse formato aqui é muito típico de um neurônio né você já viu alguma coisa sobre neurônio antes Provavelmente você viu Justamente esse formato de um corpo celular com prolongamentos esses prolongamentos nós vamos chamar de neurit a gente vai falar sobre isso já tá mas vamos lá os neurit eles são esses prolongamentos do nosso neurônio que são os dendritos e os axônios então aqui nós estamos vendo os dendritos E aqui estamos Estamos vendo os axônios o axônio né É claro que
09:02 O neurônio de verdade não é bonitinho como o desenho
quando nós falamos sobre a neuroimagem quando a gente vai aprofundar numa microscopia verdadeira de um neurônio isso aqui não vai ser bonitinho desse jeito não tá na verdade é bem mais complexo do que isso inclusive o dendrito aqui ele parece ser pequenininho né E você vai perceber que na verdade na microscopia o axônio ele é muito mais fininho do que o dendrito o dendrito ele se destaca muito mais do que o axônio Mas normalmente né a gente usa isso aqui como uma uma representação didática de como que é um neurônio e eu vou mostrar depois uma foto de verdade como o neurônio é Tá mas vamos pensar nisso aqui ó um corpo celular né que lembra a as outras células aqui no meio a gente tem o núcleo com o nosso DNA e tudo mais mas Aqui Nós Temos prolongamentos vários prolongamentos que nós chamamos de dendritos que são bem ramificados e temos um prolongamento aqui ó maior que é o que a gente chama de axônio tá e o que que são esses prolongamentos Por que que o neurônio tem esses prolongamentos da célula bom Aqui é a principal célula do sistema nervoso tá então o neurônio ele é nós temos outras células do sistema nervoso que nós vamos mostrar para vocês mas o neurônio é a principal célula do sistema nervoso onde ele transmite informações as mais diversas possíveis mas os axônios esses prolongamentos aqui Eles transmitem informações através das terminações nervosas Então você tá vendo que aqui no finalzinho do axone a gente tem umas terminações a gente chamos aqui de terminações nervosas eles vão servir para poder transmitir uma informação para um próximo neurônio nós temos um monte de neurônios no nosso sistema nervoso Então os neurônios se comunicam entre si Então para que esse neurônio aqu ele possa comunicar com o próximo ele vai utilizar as terminações nervosas do axônio para poder passar essa informação para poder se comunicar com o próximo neurônio e o próximo neurônio
10:54 Chega pelo dendrito, passa pelo corpo, sai pelo axônio
recebe essa informação por onde aí pelo dendrito né então se um primeiro neurônio tá passando a informação pelo axônio o próximo neurônio vai receber a informação pelo dendrito então é um fluxo da informação nervosa a informação chega pelo dendrito passa pelo corpo celular e é transmitida pro próximo neurônio a partir das terminações nervosas do axônio tá Lucas mas que informação é essa eles falam neurônio vira um para pro outro aí ó como é que você tá bom demais não é só uma é uma comunicação eletroquímica nós vamos falar sobre isso mas por enquanto apenas saiba que esse aqui essa aqui é a principal célula do nosso sistema nervoso chamamos de neurônio com esses prolongamentos que são os dendritos e e o axônio tá então recebe informação pelo dendrito capta informação pelo dendrito passa pelo corpo celular onde a gente tem o nosso ponto de integração e aí é transmitido pro próximo neurônio a partir do axônio tá bom Ah Lucas O que
11:55 O rocambole em volta do axônio: a bainha de mielina
que é esse negocinho aqui que tá no aon que tá chamado aqui de B bainha de mielina né tá sendo chamado de bainha de mielina O que que significa isso no final das contas parece uma gelatina que um rocambole que tá e eh envolvendo esse axônio bom é uma camada Extra que aumenta a resistência externa da célula aumentando a velocidade de propagação da informação não são todos os neurônios que T essa bainha de mielina Tá mas os que tem vamos lembrar o axon ele transmite informação e vocês vão perceber na nossa aula de neuroanatomia de que no nosso sistema nervoso central a gente tem muitos corpos de neurônio então na nossa medula espinhal aqui na nossa coluna nós temos os corpos de vários neurônios inclusive daqueles que vão se comunicar lá com a ponta do nosso pé Então imagina o seguinte como é que um neurônio que tá no nosso na nossa coluna vai se comunicar lá com o dedão do pé de uma forma rápida aí essa banha de mielina é basicamente uma camada Extra que cria uma resistência e vamos pensar igual uma fita isolante né quando a fita isolante a informação elétrica não passa por ali então o que que acontece é que essa informação elétrica você vai perceber cá Lucas se isso aqui tá impedindo então a informação elétrica de passar El não vai passar por lugar nenhum bom mas aí você vai ver aqui ó que a gente tem alguns ponzinibbio aí a gente tem o que a gente chama de transmissão saltatória ou seja a informação elétrica ela vai ficar pulando daqui para cá daqui para cá daqui para cá isso vai aumentar a velocidade e propagação daquela informação então a informação que ela poderia passar de forma mais lenta ela aumenta consideravelmente a sua velocidade quando existe a bainha de Melina tá então resumo bainha de Melina é uma camada Extra de resistência que faz com que a informação elétrica ela vá saltando de um ponto pro outro E com isso a gente aumenta a velocidade de propagação daquela informação Beleza então isso aqui são as principais estruturas de um neurônio as células do nosso sistema nervoso se for tendo dúvida vai deixando os comentários aí abaixo tá aqui tá a referência é1 da imagem aí eu falei com vocês que eu ia mostrar uma imagem verdadeira de um neurônio né Como que o neurônio É de fato o neurônio na verdade é isso aqui ó é bem mais complexo do que essa outra imagem aqui tá bonitinha né a representação quando a gente vai para micro copia avançada isso aqui é um neurônio né nossa Lucas Que loucura né então nós temos aqui ó o corpo celular os vários dendritos né que esses vários ramificados aqui que saem da célula são os dendritos e na verdade o axônio ele provavelmente é esse aqui ó porque o axônio ele é apenas um que sai né só temos um único axônio saindo da célula e quando ele se Ram ele se ramifica muito pouco quando ele se ramifica ele se ramifica em 90 graus então provavelmente aqui a gente tá vendo alguns dendritos meio um em cima do outro né que tá gerando todas essas ramificações e possivelmente sa aqui seria o axônio que quando ele ramifica somente 90º mas aí nós teríamos que eh aprofundar mais nessa microscopia para saber o que que é o qu Tá mas só pra gente saber que isso aqui é um neurone de verdade é bem mais complexo do que parece muitas vezes beleza falei com vocês também de que os
15:28 As outras células do sistema nervoso: a glia
neurônios não são a única célula do nosso sistema nervoso nós temos outras células no sistema nervoso que tem funções secundárias mas extremamente importantes também a gente chama essas células de células da glia ou neuróglia tá eu vou passar rapidamente aqui porque elas são menos importantes para nós mas que elas são muito importantes pro nosso corpo Então são vários tipos celulares do sistema nervoso que possuem funções diversas como sustentação nutrição e isolamento dos neurônios eles têm uma quantidade semelhante de neurônios e células da glia ou seja até um tempo atrás as pessoas costumavam dizer de Que nós tínhamos muito mais células da glia do que neurônios e hoje a gente sabe que não nós temos mais ou menos a mesma quantidade de neurônios e células da glia tá então a mesma proporção total que nós temos aí de neurônios nós temos de células da glia embora dependendo do local do encéfalo algumas regiões vão ter mais neurônios e outras regiões vão ter mais células da gria tá quais são essas células da glia bom são três tipos celulares aqui que a gente precisa lembrar né são as células de Chã e os oligodendrócitos os astrócitos e a micróglia tá Ah Lucas que que é isso nomes muito complexos né claro eu não vou esperar que consigo decorar todos esses termos aqui mas são alguns algumas células importantes para nós as células de Chuan e os oligodendrócitos são dois tipos celulares diferentes Tá mas Ambos são responsáveis por criar a banha de mielina então nós acabamos de falar que essa bainha de mielina parece um rocambolo um negócio que ficaria enrolado na nossa axônio para poder aumentar essa resistência e esse rocambole e essa camada Extra na verdade é uma célula que é ou a célula de Chan ou o oligodendrócito são dois tipos celulares que se enrolam no axônio dos neurônios para poder criar a bainha de mielina tá Então essa é a função deles qual a diferença de um pro outro a diferença principal é que um tá no sistema nervoso central o outro tá no sistema nervoso periférico mas vocês precisam saber disso que eles criam essa bainha de mielina o astrócito é a a célula da glia mais numerosa ela tá ali para gerar uma uma função principalmente sustentação dos neurônios Ela também tem uma outra função muito importante que é o que a gente chama de barreira hematoencefálica Nossa Lucas que nome complexo na verdade não é tão complexo não hemato vem de sangue né encéfalo a gente vai ter alo sobre neuroanatomia que é basicamente o cérebro tronco encefálico e tudo mais então basicamente essa barreira em hematoencefálica ela filtra o que que pode passar do sistema nervoso pra corrente sanguínea E vice-versa então é muitas substâncias não conseguem passar da corrente sanguínea para o cérebro justamente por conta da barreira hematoencefálica tá e a micróglia tem uma função fagocitária que que é fagocitária Lucas fago vem de comer né então tem várias células de Defesa do nosso corpo que tem essas funções fagocitárias elas vão comendo aquilo que não faz sentido tipo aquele pecman né ou seja ele vai por ali comendo substâncias que não são úteis ou que podem ser prejudiciais para nós então a micróglia teria quase que uma função de defesa né de eliminar substâncias indesejáveis do nosso sistema nervoso tá bom Então essas são as células da glia que são as outras células importantes do nosso sistema nervoso mas que não são os neurônios Tá bom então aqui a bainha de Melina sustentação e função fagocitária beleza Lucas já entendi que nós temos neurônios Eles Têm prolongamentos Nós temos outras células do sistema nervoso que também são importantes e agora Que mais que eu tenho que saber sobre essa comunicação entre eles como que um neurônio se comunica com o outro né se eu falei com vocês que o neurônio ele recebe informação pelo dendrito e passa informação depois pelo axônio que tipo de informação é essa essa é uma informação elétrica Nossa Lucas a gente tem corrente elétrica passando no nosso corpo tem né Nós temos uma corrente elétrica que passa no nosso corpo e Nós aprendemos ao longo tem toda uma história legal de como que isso foi sendo descoberto Mas o que você precisa saber é que o sistema nervoso ele se comunica de uma forma elétrica não só elétrica mas sim eletroquímica porque nós temos certas substâncias químicas do nosso corpo que levam também a essa essa informação elétrica a ser repassada
19:50 Dentro negativo, fora positivo: o neurônio em repouso
então esse aqui é um esquema que eu mesmo fiz tá mostrando olha só aqui tá falando intracelular e extracelular imagina que essa linha preta aqui do meio ela tá dividindo a parte de dentro da célula a parte de fora da célula isso aqui é como se fosse um neurônio tá então aqui é dentro do neurônio aqui é fora do neurônio quando o neurônio ele tá de boa ali em repouso sem fazer nada ele é negativo em seu interior e quando né Ele é negativo no seu interior comparativamente fora da célula então é positivo então nós temos essa polarização dentro da célula negativa fora da célula positivo no momento que o neurônio tá de boa Paradão sem fazer nada tá e nós temos vários íons né Que que é isso aqui Lucas k+ na mais ca2 + CL Men são íons são ah átomos carregados vamos dizer assim que estão presentes ali nas nossas células então nós temos tanto dentro quanto fora da célula nós temos várias substâncias e no final das contas o que nós temos que saber é que o neurônio ele é negativo no seu interior positivo do lado de de
20:59 O limiar de -55 mV e a enxurrada de sódio
fora quando por algum motivo nós vamos falar que motivo é esse esse neurônio recebeu um estímulo para poder abrir certos canais iônicos certos canais que vão fazer entrar eh alguns íons para dentro da célula o que vai acontecer isso aqui ó tava ali ó o neurônio de boa num potencial de membrana de -70 MV ou seja ele tava negativo tá vendo o neurônio no potencial de repouso dele quando ele tá Tranquilão ele é mais ou menos -70 negativo aí tava de boa lá sem fazer nada aí de repente surgiu um estímulo que estímulo é esse Lucas vamos falar depois recebeu um estímulo que fez esse neurônio começar a ficar menos negativo olha só ele começou a chegar lá no Men 55 quando chegou nesse Limiar aqui que é do -55 abrem-se certos canais iônicos de sódio o sódio por ele ser positivo tem uma enchurrada de carga positiva entrando ali pra célula e com isso aquele neurônio que era negativo ele vai rapidamente ficar positivo lá no mais 40 MV é no momento que tem esse pico que tem esse limar esse potencial de ação é que a gente fala que aquele neurônio foi ativado sabe quando você escuta assim certa área do cérebro está altamente ativada certo neurônio foi altamente ativado Isso significa que aquele neurônio foi despolarizado ele saiu da sua do seu da sua carga negativa e foi para uma carga positiva saindo lá do MEN 70 MV e chegou nesse Limiar abriram-se esses canais ele teve uma enchurrada de carga positiva para dentro e ficou positivo em seu interior tá então essa aqui é a ativação do neurônio essa ativação do neurônio vai fazer com que ele se comunique com outros neurônios a partir da sinapses que nós vamos falar daqui a pouco tá nós temos depois aqui em seguida essa fase descendente que é quando o neurônio ele vai voltando lá pro seu potencial de repouso né ele volta pro seu potencial negativo para que ele possa estar pronto para ser ativado mais uma vez Então mais uma vez ó o neurônio aqui ele estava negativo no seu interior houve algum estímulo que fez com que abrissem certos canais chegou nesse Limiar abriu os canais de sódio ele ficou positivo fez o seu papel depois ele volta a ficar negativo de novo costumo dizer que is a parte mais complexa para entender neurobiologia celular mas aqui a gente está tentando trazer da forma mais resumida possível tá bom então ele tava lá negativo quando surgiu esse estímulo que fez ele ficar positivo o que aconteceu olha só tá vendo que tem aqui ele tá o k mais bem maior do que os outros íons o na mais por exemplo que é o íon sódio tá bem maior do lado de fora o que aconteceu é que o sódio entrou né esse Ana mais significa o ion sódio tá que é um é o sódio carregado positivamente Então esse sódio ele entrou massivamente pra célula fazendo com que ela ficasse pos Então antes ela era negativa depois ficou positiva no seu interior e aí depois ela vai voltar a ser negativa de novo tá beleza Lucas então já entendi o que que é o neurônio já entendi que tem outras células da guia e já entendi que o neurônio se ativa no momento que algum estímulo faz com que tenha uma carga massiva de sódio para dentro então ele deixa de ser negativo fica positivo no seu interior depois ele vai voltar ficar negativo de novo agora como que esse neurônio se comunica com o próximo neurônio agora bom E aqui só mostrando né que ele vai voltar a ficar negativo de novo então mais uma vez estímulo ficou positivo voltou a ficar negativo só que no momento que ele ficou positivo antes dele voltar a ficar negativo aqui ele passa essa carga elétrica para o próximo neurônio elas ele se comunica com o próximo neurônio então o que que é esse estímulo aqui que fez o neurônio se ativar foi justamente a comunicação de um outro neurônio com ele e assim esse neurônio também vai se comunicar com o próximo a comunicação entre neurônios é
25:01 Sinapse elétrica: as conexinas ligando um neurônio ao outro
chamada de sinapse tá então a sinapse é a comunicação entre neurônios toda vez que um neurônios comunica com o outro a gente chama aquilo de sinapse o primeiro tipo de sinapse é muito simples só que é menos comum menos importante pra gente que é o quê é a sinapse Elétrica A sinapse elétrica ela é muito simples basicamente existem substâncias que nós chamamos aqui de conexinas essas conexinas ligam um neurônio ao outro e a carga elétrica é passada diretamente de um neurônio para outro então aqui tava positivo passa positivo para cá ou o contrário aqui tá é só isso tem nada mais pra gente poder falar sobre sinapse elétrica extremamente simples só que não é a mais importante aqui pra gente tá a mais
25:50 Sinapse química, cálcio, vesículas e fenda sináptica
importante pra gente é uma sinapse mais complexa que acontece que é chamada de sinapse química tá olha só complexidade da sinapse química aqui meu Deus do céu Lucas não vou entender isso aqui não precisa entender muitos detalhes agora tá só o que você precisa saber é o seguinte olha só tá vendo aqui tá falando potencial de ação esse aqui é um neurônio que foi ativado que passou por esse processo aqui né então aqui ó ele ficou positivo no interior agora que ele tá positivo no interior dele esse potencial de ação vai chegando lá no quê nas terminações nervosas do axônio que vai se comunicar com o próximo neurônio essa carga positiva vai fazer entrar o cálcio que é uma um outro íon para dentro da célula vai se ligar a essas vesículas contendo o que a gente chama de neurotransmissores e vai liberar esse neurotransmissor nesse espaço que fica entre um neurônio e outro então as sinapses químicas não acontece um neurônio se encostando com o outro passando a carga diretamente entre um e outro elas acontecem separadas fica um espacinho entre um neurônio e o outro queer a gente chama de fenda sináptica essa fenda sináptica é um espacinho ali onde vão se acumular certas substâncias que são esses neurotransmissores então o
27:06 Neurotransmissores que mandam ativar ou mandam calar
neurônio que ele foi despolarizado que ele ficou positivo que ele foi ativado ele vai liberar esses neurotransmissores que são um substanci zinhas que vão sinalizar pro próximo neurônio que ele deve se ativar ou se inibir tá nós temos neurotransmissores excitatórios e neurotransmissores inibitórios os neurotransmissores excitatórios eles vão tentar ativar a próxima célula e os neurotransmissores inibitórios vão fazer com que aquela célula não se ative de jeito nenhum tá olha aqui ó o neurotransmissor sendo liberado ele se liga um receptor da próxima célula então se eu falei com vocês que o neurônio recebe informação pelo dendrito e passa pelo axone Então essa aqui que tá passando informação É o quê É o axônio Né o axônio de um neurônio que tá se comunicando com o dendrito do próximo neurônio Então esse neurotransmissor se liga aqui ao receptor desse dendrito dessa outra célula e quando ele se liga ele vai trazer uma informação para abrir aqueles canais iônicos para que o próximo neurônio seja ativado ou inibido tá eu sei que pode parecer complexo quando a gente tem o primeiro contato com isso aqui e eu prometo para vocês que as próximas aulas elas se tornam bem mais simples mas se a gente prestar bastante atenção vai perceber que não é algo tão complexo assim é basicamente vamos lá vamos voltar lá atrás o neurônio tava negativo dentro aí teve um estímulo que estímulo foi esse foi a sinapse do outro neurônio com ele né esse estímulo fez Abrir sete canais iônicos o sódio entrou para dentro a célula ficou positiva no seu interior depois ela vai voltar a ficar negativa mas enquanto ela tá positiva ela passa a carga pro próximo neurônio seja a partir da sinapse elétrica que é diretamente entre um e outro seja a partir de moleculas inhas chamadas neurotransmissores esses ne transmissores se ligam a próxima célula fazendo Abrir canais iônicos para poder ativar ou inibir aquela outra célula Tá e aí pessoal por que que é tão importante pode falar assim ahc mas que que isso tem a ver com a terapia com a ansiedade com depressão galera isso aqui tem tudo a ver na verdade isso aqui é tudo que a gente precisa saber por quê esses neurotransmissores eles são extremamente relevantes quando a gente fala sobre saúde mental Vamos pensar a própria serotonina noradrenalina dopamina que tá todo mundo falando por aí né são os neurotransmissores da felicidade do Prazer do bem-estar são neurotransmissores todos esses termos que a gente discuta por aí serotonina dopamina são nomes de neurotransmissores são essa essas moleculin que servem para poder comunicar entre um neurônio e outro e se a gente tem alguma defasagem nessa comunicação neuronal nesses neurotransmissores certos sintomas podem surgir Então nós vamos aprofundar e vocês vão ver como que nós n próximas aulas vai ficar cada vez mais claro como que tudo isso aqui se relaciona com saúde mental Tá mas claro a gente precisa começar do começo e na nossa próxima aula a gente vai sair da parte microscópica E pensar um pouco na parte mais macroscópica em anatomia e aí sim a gente vai começar a entender como que isso tudo funciona diferentes funções Tá bom então as sinapses químicas podem ser a partir de neurotransmissores excitatórios Como por exemplo o glutamato é um exemplo de neurotransmissor eh excitatório ele abre canais de íons positivos como na mais e com isso aumenta as chances do neuron atingir o Limiar de ação e disparar um potencial de ação que a gente chama de potencial excitatório pós-sináptico Lucas não entendi resumo da obra O neurotransmissor excitatório tenta ativar a próxima célula fazendo com que abram-se canais positivos e já os neurotransmissores inibitórios Como por exemplo o gaba que é muito importante isso aqui pra gente falar de ansiedade e ansiolíticos depois tá eles abrem canais de íos negativos fazendo a célula ficar mais negativa ainda então inibindo né a ativação daquela célula Tá
31:02 Se é fisiológico, a terapia não serviria para nada?
bom E aí uma coisa importante pra gente poder finalizar aqui a aula de hoje é fala sobre neuroplasticidade tá Lucas tô entendendo Então como os neurônios se comunicam como eles são né como eles passam informação de um pro outro agora como que os problemas se desenvolvem como que a terapia atua nisso tudo se parece que é uma questão tão fisiológica né tô falando que que antidepressivo a depressão A ansiedade pode ser causada por um problema fisiológico então a terapia não meio que não serve para nada né já que é tudo uma questão física então a terapia não vai ter ali um papel muito pelo contrário Qual que é a grande sacada aqui pessoal nosso sistema nervoso é plástico que que é plástico Como assim plástico quer dizer que ele se molda ele se modifica perante as nossas experiências Como assim Lucas como que pode o nosso sistema nervoso se modificar perante a nossas experiências um grande exemplo são os espinhos dendríticos eu falei com vocês que os dendritos eles recebem informações Então são partes do nosso neurônio que se comunica né com outros neurônios recebendo essas informações Só que cada dendrito tem um monte de espinhozinho aqui tem vários formatos possíveis desses espinhos que a gente chama de espinhos dendríticos e na verdade cada espinhozinho do dendrito faz uma sinapse compartimentalizada e esses espinhos eles podem ser criados ou desfeitos em questão de minutos questão de minutos um espino dendrítico pode surgir e criar uma nova sinapse criar uma nova uma nova conexão então vias neurais comunicações neurais são feitas o tempo todo e com isso Qual que é a conclusão geral é de que tanto para desenvolver coisas ruins nossos traumas né nossos transtornos quanto na terapia para poder gerar coisas boas mudanças de perspectivas dessensibiliza o sistema nervoso tá se modif ficando espinos dendríticos estão surgindo estão sendo desfeitos novas conexões neurais estão sendo feitas e tudo isso vai ficar claro ao longo da das nossas aulas mas ficar um pouquinho mais lúdico eu gosto de mostrar isso aqui ó Isso aqui é uma forma lúdica de entender isso nos seres humanos tá imagina que isso aqui como se fosse esses pontinhos como se fossem neurones Vamos pensar numa historinha de ligar os pontos aqui tá como se cada pontinho desse aqui fosse um neurônio E aí devido a alguma coisa que isso aqui é um trauma que tá surgindo no meu cérebro Então esse trauma ele tá sendo representado A partir dessa via nervosa certos neurônios esse neurônio ah cria um trauma aqui uma fobia de barata Então os neurônios que representam aqui a memória do que que é uma barata com os neurônios que representam o medo a ansiedade são interligados criando uma via neural fazendo associar barata com perigo aí a
33:52 LTP: cada susto deixando a via mais grossa
gente tem o reforço o que que é o reforço aqui ltp é um tipo de neuroplasticidade a gente chama de potência ação de longa duração se a gente estimula em alta frequência aquela via neural ela vai ficando mais sensível ela vai ficando mais forte ela vai ficando mais facilmente ativada Então vamos supor que eu passei por várias experiências em que eu vi barata alguém gritou alguém me assustou né tem aqueles brinquedinhos que o pessoal costuma utilizar aquelas barata falsa Alguém jogou uma barata falsa em mim toda vez que eu passei por uma experiência traumática eu fui reforçando aquela via neural aquela via neural foi ficando mais forte tá vendo que aquela tá mais mais grossa né tá mais vermelhinha Então essa via foi ficando mais reforçada só
34:33 A via nova da terapia e o enfraquecimento da antiga
que aí na terapia eu posso criar uma nova via neural uma nova forma de lidar com aquela barata né E quando eu crio essa nova via neural e eu reforço ela a partir de terapia de processos terapêuticos a antiga via neural vai se vai se enfraquecendo né aí acontece o que a gente chama de ltd Opa que é a depressão de longa duração não tem nada a ver com transtorno de depressão e sim de que se aquilo ali começa estimulado em baixíssima frequência há um enfraquecimento dessa sinapses então à medida que Um novo aprendizado surge aquela antiga via vai se tornando cada vez menos frequente até que ela vai se enfraquecendo deixando de fazer sentido pro paciente então tá vendo como é que o nosso sistema nervoso é plástico a partir das nossas experiências certas vias neurais vão se fortalecendo e outras vão se enfraquecendo isso acontece porque as sinapses elas vão se desfazendo vão se se construindo espinos dendríticos surgem e vão embora muito rapidamente tá então o que vocês precisam saber é que o sistema nervoso é plástico nós conseguimos modificar a forma com que ele se comunica e é por isso que terapia funciona o que faz sentido e é por isso também de que os nossos traumas nossos problemas surgem Tá bom eu espero que tenha feito sentido para você essa primeira aula para você ter um primeiro contato sobre os neurônios sobre a comunicação entre eles e sobre como que o sistema nervoso é plástico tá bom na próxima aula a gente vai pra parte macroscópica entender como que essas células todas se desenvolvem em órgãos complexos Como por exemplo o cérebro né E as outras estruturas do nosso sistema nervoso eu te espero na próxima aula então tchau tchau
A formação do Instituto Lucas Kane para psicólogos e terapeutas. Ver a formação
Lucas Kane (Lucas Xavier Mafra) é biólogo pela UFMG, com pós-graduação em Neurociências pela mesma universidade e graduando em Psicologia. Ensina neurociência aplicada à prática clínica no Instituto Lucas Kane.